Vivendo fácil, vivendo livre
Um bilhete para a temporada em uma rua de mão única
Sem pedir nada, me deixe em paz
Pegando tudo em meu caminho
Não preciso de razão, não preciso de rima
Não tem nada que eu prefira fazer
Descendo, hora da festa
Meus amigos vão estar lá também
Um bilhete para a temporada em uma rua de mão única
Sem pedir nada, me deixe em paz
Pegando tudo em meu caminho
Não preciso de razão, não preciso de rima
Não tem nada que eu prefira fazer
Descendo, hora da festa
Meus amigos vão estar lá também
Estou na estrada para o inferno
Sem sinais de "pare", sem limites de velocidade
Ninguém vai me fazer reduzir a velocidade
Como uma roda, vou rodar
Ninguém vai me sacanear
Ei Satã, paguei minhas dívidas
Tocando em uma banda de rock
Ei mamãe, olhe para mim
Estou no meu caminho para a terra prometida
Estou na estrada para o inferno
Não me pare
E eu vou descendo, descendo até o fim
Estou na estrada para o inferno
No
primeiro raio x do ano não poderia deixar de falar de uma música clássica.
Highway To Hell é uma das músicas mais conhecidas do rock, enquanto o AC/DC é
praticamente uma unanimidade. Além de ser uma música foda, a Highway To Hell
tem bastante história.
Tudo
começou quando um jornalista perguntou a Angus Young como era a vida estando
sempre em turnê, a resposta foi: “It’s a fucking highway to hell”. Os rumores
de que a banda teria algum envolvimento com satanismo começaram a crescer (acho
que toda banda de sucesso deve ter passado por isso) e a capa do próprio CD “Highway
to Hell” não ajudou muito na defesa dos australianos. Apesar de eles sempre
negarem qualquer envolvimento com o satanismo.
A letra
da música em si parece até bem simples. Não acredito que ela tenha algum
significado muito profundo além de viver na estrada como estrelas do rock indo
ao encontro do inferno, por assim dizer. Mas, quando a mensagem é simples, ela
abre bastante espaço para a interpretação e para a especulação e é isso que eu
vou fazer aqui.
Uma vez
ouvi em um podcast que hoje em dia vivemos menos porque temos medo da morte. A teoria é que se tratássemos
a morte como algo mais natural, nós nos arriscaríamos mais e que “arriscar” é
viver no fim das contas. Acho que esse tipo de visão combina bem com o teor da
música.
Vendo a
morte da perspectiva de um rockeiro, o destino mais sonoro é o inferno. Pense
se a música se chamasse “highway to heaven”, causaria o mesmo impacto? Eu acho
que não. O inferno, na minha opinião, é apenas a metáfora para morte, enquanto
a estrada é a metáfora para a vida. Juntando tudo, a idéia é que viver é ir em
direção a morte.
E como a
vida é apenas uma única estrada e com um único sentido, tentar evitar o destino
é um esforço em vão. Aquela máxima de que “o que se leva da vida é a vida que
se leva” se encaixa bem com a letra da Highway to Hell. Já que o “sentido” da
vida é a morte, não existiria um jeito “certo” de se viver: Não preciso de razão, não preciso de rima. Não
vale a pena fazer qualquer outra coisa que você não queira ou, pelo menos, não
tenha uma motivação clara. A ideia que me parece forte na música é que a gente
mesmo escreve a nossa história, dentro das limitações impostas pela vida.
Claro que
isso é só uma interpretação, mas a forma como Bon Scott morreu: sufocado pelo
próprio vômito dormindo bêbado no banco de trás do carro de um amigo, seis
meses depois do lançamento da Highway to Hell, música que ele ajudou a
escrever, diz muito sobre como ele levava a vida. E, talvez, devido à visão de
vida que ele tinha, ele tenha morrido feliz.







