Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Raio X: The Land’s Revenge – A “Terra” dá voltas!


Olá leitores! Hoje quem “vos posta” sou eu, chamo Guilherme Euripedes, amigo do Vinícius de tempos inacabados e pedi espaço aqui no Filosofia Metal pra tirar um pouco do preto e acrescentar um pouco de verde nesse Heavy Metal aqui! Espero que gostem do post, reflitam e comentem sobre. Salute!

 

Eu me lembro quando este jogo começou há muito tempo atrás
Nossa relação era muito melhor do que é hoje
Antes havia muito respeito por ambas as partes do jogo
Agora parece que vocês esqueceram tudo isso.

Vocês têm ido muito longe sem olhar para trás
Vocês precisam se lembrar: sem mim suas vidas decairão

Eu pensei que vocês pudessem aprender com as coisas que se passaram
Eu estava esperançosa por uma estrada de beleza eterna
Agora é minha vez de lhe mostrar quão forte é minha vingança
Sem meu carinho e meu amor vocês cairão. Vocês vão ver.

Seria tão fácil para ambos se vivêssemos bem
E eu nunca lhe pedi muito – Nunca, Nunca...
Apenas pedi por atenção, união, amor e parceria
Vocês vêm matando partes de mim dia após dia

Rios, mares, lagos vocês têm sujado,
Madeira, árvores, animais vocês têm matado
Por que você não tira de mim apenas o que precisa?
Nossa existência seria maravilhosa meu amigo...

Esse é o último aviso que eu lhe dou:
Mude o modo que você age
Na terra eu estou.

Esse é o último aviso que eu lhe dou:
Mude o modo que você age
Na terra eu estou.





Quem de nós que nunca parou pra pensar sobre Sustentabilidade, futuro da humanidade na Terra e futuro da Terra com a humanidade que atire a primeira pedra.

Um dos assuntos TOP 3, ou mesmo TOP 1, das discussões políticas/econômicas mundiais é a questão do Desenvolvimento Sustentável, ou como hoje tem sido generalizado, Sustentabilidade.

Creio que uma introdução ao assunto seja desnecessária, já que se estão sendo capazes de ler este post num site da Internet, certamente em algum momento já foram de alguma forma inseridos a este assunto. Não saber que não só a Empresa X, mas o Mundo carece de um plano de Desenvolvimento Sustentável é como nunca ter ouvido falar dos famosos Beatles, ou de um homem menos famoso, Jesus.

Qualquer coisa pode ser considerada ou não “sustentável” e existem alguns fatores que conceituam algo como tal, o: economicamente viável, socialmente justo, culturalmente diverso e o ecologicamente correto. E é sobre este último principalmente que o Tuatha de Danann vem retratar com esta música.

Claramente “The Land’s Revenge” vem para dar um recado muito importante pela própria Mãe Natureza. Como mostrado nas últimas estrofes, se não mudarmos nosso jeito de agir, conheceremos de fato a “vingança da terra”.

Voltamos nossa atenção para temas como o Aquecimento Global, Camada de Ozônio e Efeito Estufa, problemas mais “palpáveis” e controversos, afinal muito cientistas afirmam que os ambientalistas, ONGs, Governos e outros cientistas estão exagerando quanto à grandiosidade do problema e, não suficiente, chegam a declarar que este é um problema pequeno comparado com o que o Planeta já passou. De fato é sim... O Planeta já passou por momentos mais difíceis, mas o que me assusta é como o Planeta vai resolver isto. Porque o problema não são os assuntos estudados, mas sim aqueles que estudam. O problema somos nós. Seres Humanos.

Não tiro a razão dos que dizem que o clima da Terra se move em ciclos e o aquecimento global é um fenômeno natural e normal. Mas outros problemas como a impermeabilização desprogramada do solo, despejo de dejetos químicos e tóxicos nos ar e na água, desmatamento acelerado, exacerbado e descontrolado, destruição de habitats naturais (consequentemente a dizimação da biodiversidade), derramamento de petróleo no mar... entre dezenas de outros problemas ambientais NÃO são naturais, portanto não são previstos pela Mãe Natureza, e assim ela não vai saber remediar.



Ouvindo a música e acompanhando sua voz, melodia e ritmo nos sentimos como transportados para as épocas onde o homem vivia ainda em clãs nômades, em perfeita comunhão com a natureza, tratando-a como deusa e respeitando suas necessidades. Mas com o constante progresso, principalmente após as Revoluções Industriais, vemos esse “jogo” saindo do equilíbrio e a corda sendo puxada mais forte por nós, seres humanos, juntamente com a música aumentando sua velocidade e deixando o clima mais pesado, como agora quando lemos as notícias na internet/jornal. Mas lembre-se, a corda sempre quebra do lado mais fraco, e acreditem, o lado mais fraco somos nós. Essa “mãe” não vai ter dó de expulsar o filho de casa por desobediência...

Acreditamos sermos não somente parte do mundo, mas chegamos notadamente ao ponto de agirmos como soberanos tiranos do planeta, escravizando outras formas de vida a nosso bel prazer, não somente para sobrevivermos. Insistimos em caçar animais por esporte ou em sua época de procriação, torturá-los para a doma ou para o entretenimento, arrancarmos sua pele ainda em vida, e acabamos com seu habitat natural, forçando-os a se adaptarem a viverem de formas adversas a sua natureza. Há poucos anos atrás condenávamos um homem que tratava uma outra etnia humana como animais, e hoje tratamos da mesma forma os próprios animais. O que antes era “Nazismo” hoje chamamos “Especismo”.

Será que estamos no caminho certo esquecendo nosso passado e negligenciando nosso futuro? Vendo pelo ponto de vista material ou espiritual, já passou da hora de voltarmos ao equilíbrio natural e rumarmos juntos com a Mãe por uma estrada bela e eterna. Sem ela com certeza decairemos mais ainda. O mundo dá voltas... a Terra há de se vingar.


Guilherme Euripedes tem um Blog chamado Live to Live For, que trata apenas de pensamento e poemas pessoais. Visitem! www.livetolivefor.blogspot.com



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Raio X: Born in a Mourning Hall - "Preso dentro de uma teia chamada vida"




“De fato isso foi quase uma explosão (fallout) real
Tudo está sob controle”
O narrador disse com um sorriso sério
Atrás de sua máscara
Ele sabia a verdade
“Eu trarei uma nova era de melhores caminhos”
O pregador da TV disse
“Apenas pague hoje
Pague hoje”

O mundo está vestido de preto
No dia do julgamento da terra
E eu?
Eu sei que isto não pode continuar
Sinais proibidos aumentam
Eu estou sentado em casa
E observando

Nascido em um aposento de lamentações
Nuvens pálidas temeram
A criança não nascida
Então ela cresceu com planos crescentes
De suicídio
Nascido em um aposento de lamentações
Sombras deixam o medo dentro
Aquele Peter Pan nunca irá alcançar
O outro lado

É aterrorizante
Excitante sentar em casa
E observar os campos em chamas
Ser hipnotizado pela cobra da TV

Obedeça, trabalhe duro
E não sinta raiva
Apenas simpatia pela alta classe
Não há chance de mudar as coisas
Porque eu sou

Nascido em um aposento de lamentações
Gritos silenciosos ocorrem
Quando o berço quebra
Sonhos destruídos não foram ouvidos
No outro lado
Nascido em um aposento de lamentações
Sombras deixam o medo
na criança recém-nascida
Aquele Peter Pan nunca irá alcançar
O outro lado

E eu sou parte da máquina
Um fantoche nas cordas
Um rebelde, outrora
Agora eu sou um homem velho

Eu sei que isto não pode continuar
Mas o fantasma chamado medo interior
Aleija minha língua
Meus nervos, minha mente
Queda eterna
Alguém corta as cordas
Eu não consigo me mexer
Para recuperar a coragem
Eu tenho que encarar a verdade
Mas não hoje
Adeus

Nascido em um aposento de lamentações
Preso dentro de uma teia chamada vida
O único jeito de sair dela logo
É o suicídio
Nascido em um aposento de lamentações
Almas pálidas constroem um mundo gelado
Cérebros infectados
Nunca alcançarão o outro lado
O outro lado



O post de hoje vai falar da ótima “Born in a Mourning Hall” do Blind Guardian! Se você gosta de músicas que não tenham apenas letras, mas sim poemas, Blind Guardian é a banda para você. Eles são mestres na arte da composição, eles elevam a arte de fazer heavy metal a outro patamar. Uma das coisas mais impressionantes é que eles conseguem fazer quase todas as músicas sem rimar e é muito difícil de perceber quando você ouve despreocupadamente. Além disso, a grande maioria das músicas dos caras são interpretações de obras de ficção, de momentos históricos ou de passagens mitológicas. O interessante é que eles não recontam as obras em suas músicas, eles revivem os personagens. Ouvir Blind Guardian cantando sobre um algo que você goste é uma experiência ímpar.

Born in a Mourning Hall foge um pouco da regra, pois o personagem que a banda nos apresenta está falando sobre a realidade atual (de 1996). Assim como em Paradise e Livin’ on a Chain Gang, o eu lírico começa assistindo TV, nesse caso a TV é o que motiva a reflexão sobre o mundo, principalmente pelo que ela não diz. Temos duas críticas já na primeira estrofe, mas elas se interligam. O jornalismo da TV tenta manter as pessoas em medo constante, no caso relatado, o medo é em relação a um acidente radioativo (fallout). Já a religião da TV se aproveita deste mesmo medo, para que você contribua financeiramente.

É interessante essa ideia de medo constante. Apesar de vivermos em um país violento, ninguém estranha termos vários programas que ficam “caçando” desgraça pelas ruas durante a tarde? Será que não há nenhum outro tipo de notícia para transmitir? Apesar de ser triste, não sei por que é tão importante que saibamos de todos os delitos cometidos durante o dia. A melhor explicação pra isso que eu já ouvi vem do documentário “Tiros em Columbine” de Michael Moore: Enquanto as pessoas estiverem com medo, não arriscarão subverter o status quo, enquanto não estiverem seguras em sair na rua, não vale a pena tentar resolver problemas mais urgentes. Esse tipo de argumento é ainda mais aprofundado no livro “1984” de George Orwell, onde o governo de “Oceania” está em guerra constante contra seus inimigos, muito provavelmente apenas para justificar todos os abusos de poder.



No decorrer da música somos apresentados a uma pessoa consciente das contradições do sistema, mas que se vê impossibilitada de agir. Aparentemente, o personagem descrito lutou contra tudo isso e falhou em seus objetivos. Mas não foi uma derrota física, foi uma derrota mental. A própria experiência de vida mostrou insistentemente que ele era muito insignificante perto da magnitude da estrutura estabelecida. Creio que muitas pessoas se sentem assim (eu sou uma delas): apesar de considerarem que o mundo poderia ser bem melhor, não encontram nenhum tipo de opção que traga algum horizonte de melhora. É claro que sempre podemos melhorar um pouco a vida das pessoas a nossa volta, mas com o tempo as coisas voltam a ser como sempre foram. A impressão é que nada nunca muda.

Porém, nos refrões, quem se comunica com o ouvinte é uma espécie de narrador que, através de metáforas, explicam o porquê de toda essa imobilidade. A impotência do personagem é muito mais interior do que exterior: Almas pálidas constroem um mundo gelado / Cérebros infectados / Nunca alcançarão o outro lado. O mundo em que vivemos é um pouco cruel nesse sentido. Diferentemente de outras épocas, em que as coisas eram como eram porque deveriam ser daquele jeito, qualquer um tem acesso fácil a diversos livros subversivos que vão do Manifesto Comunista até o Mein Kampf hoje em dia. Qualquer um que se interesse tem acesso aos mais diversos tipos de visão de mundo, mas somos tão condicionados a aceitar que o Estado e o sistema econômico são inatingíveis, que não enxergamos nenhum horizonte de mudança real, pelo menos não para melhor. É muito comum as pessoas não simpatizarem com seus governos e com o mundo em geral, mas mesmo assim, seus cérebros infectados não conseguem dar o primeiro passo em direção ao outro lado.

A mensagem que essa música passa é um pouco desanimadora, mas, apesar disso, ela causa um incômodo benéfico na minha opinião. A única coisa que não pode impedir-nos de fazer o que achamos certo é nós mesmos. Nunca saberemos se é possível mudar se não tentarmos, deixar de acreditar em algo sem antes tentar colocar em prática, pode ser um desperdício sem tamanho. Mesmo que acabemos como um rebelde frustrado, pelo menos teremos consciência que tentamos.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Raio X: Livin' on a chain gang - A sociedade está sendo conduzida para o colapso



Ligo a TV porque não tenho para onde ir
Parece que tiveram um problema lá no México
Um garoto de 13 anos roubou uma loja pra ter o que comer
Eles o pegaram fazendo hora enquanto assassinos andam pelas ruas

Um político esfomeado é como um lobo a sua porta
Determinado em submissão e se alimentando dos pobres
Poderíamos ver o sol se nós abríssemos nossos olhos
Mas nós nos pintamos em um canto colorido com mentiras brancas

Estourado em uma pilha de pedra, se empoeirando no calor
Algemado ao sistema e arrastando os meus pés

Eu sou conduzido por um colapso
Outra submissão a extorsão branca
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia
Eu sou conduzido por um colapso
Uma submissão suicida
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia

A instituição de um picareta pode te livrar de seus pecados
Mande a sua contribuição e ele salvará a sua alma hoje
O que ele pode saber? Ele passou pelo inferno e voltou?
Ele pega a grana e a leva pra casa em seu Cadillac novo em folha

Cuspindo no cão de guarda, queimando em sua parte maligna
Gritando no trlho sem ninguém no volante

Eu sou conduzido por um colapso
Outra submissão a extorsão branca
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia
Eu sou conduzido por um colapso
Uma submissão suicida
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia

Cura pela fé, superstição
Mente criminosa de sangue frio
Gozando em alta posição
Ei irmão você pode arranjar uma moeda
Para me tirar dessa linha de assassinato?

Eu sou conduzido por um colapso
Outra submissão a extorsão branca
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia
Eu sou conduzido por um colapso
Uma submissão suicida
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia



Pela primeira vez analisarei uma música de Hard Rock por aqui. O Hard Rock dos anos 80 foi marcado pela sua extravagância e pela filosofia do "sexo, drogas e rock ‘n’ roll". Com forte marca comercial, as bandas americanas que dominaram a cena naquela década precisavam de certo nível de alienação. Mas no fim desta era, algumas bandas apareceram com forte marca contestadora, entre elas estava o Skid Row. Esses caras não eram de medir palavras e a "Livin’ on a Chain Gang" resume bem o espírito da banda.

É legal a simbologia, que também foi usada na “Paradise” do Stratovarius, na qual o narrador começa assistindo TV. Essa caixa mágica parece ser colocada como a nossa janela para realidade, o que realmente está acontecendo é o que passa dentro dela e não no mundo a nossa volta. Como a música fala do sentimento de prisão gerado pela sociedade, a própria relação que a TV tem com a gente já é uma das correntes que prendem nossos pés.

O exemplo do garoto que rouba comida e é prontamente preso, mas os verdadeiros bandidos estão soltos por aí, é clássica. A grande reflexão desse exemplo é: para quem serve a justiça? É impossível criar um consenso em relação às noções de justiça, mas é muito mais fácil policiar aqueles que não têm defesa, do que os  “assassinos” que agem por vias muito mais complexas. Estes assassinos citados na música, não me parecem ser os assassinos comuns que matam com uma arma ou algo do tipo. Esses assassinos devem ser aqueles que as suas decisões destroem a vida de muitos, tanto causando a morte de pessoas, quanto destruindo as perspectivas delas. Esses assassinos são os políticos, os empresários, os líderes religiosos etc. Essa justiça que só pune quem não tem influência é outra das correntes.



Quando a música começa a falar de política, a crítica vai direto para as pessoas que participam dela. A forma como funciona o sistema democrático contemporâneo acaba gerando políticos profissionais. Trazendo a reflexão para o Brasil, as coisas ficam ainda mais claras quando vemos que temos, em todo país, mais de um milhão de cargos de confiança na máquina estatal. Os partidos políticos começam a depender do poder para manter seus filiados em seus empregos. Não há mais espaço para visões políticas, o grande objetivo dos grandes partidos, na maior parte do mundo, é simplesmente chegar e se manter no poder.  É isso que explica a centralização ideológica dos partidos políticos nos sistemas democráticos atuais, quanto mais nichos políticos o programa do partido abarcar, mais votos ele conquistará. Isso acaba afastando da política as pessoas idealistas e atrai pessoas que querem simplesmente um emprego. Esse sistema em que somos governados por políticos especializados em manter as coisas como estão, é mais uma das correntes apresentadas pela música.

Após o refrão, a música ataca a relação deturpada que as pessoas têm com a fé hoje em dia. A religião sempre se misturou com o Estado, mas com as revoluções liberais que separaram as duas coisas, o paradigma religioso precisou ser reinventado. As grandes religiões se mantém pela tradição e pelos costumes, mas, mesmo perdendo o seu espaço, ainda exercem um poder de influencia considerável. Esse vazio religioso deixado pelo mundo laico, muitas vezes é aproveitado por bandidos que se abusam da boa vontade das pessoas e rouba o dinheiro delas. Em algumas religiões mais novas, normalmente cristãs, há uma relação de troca entre a doação e o milagre. É como se a quantidade de dinheiro doado pra igreja influenciasse na qualidade do milagre. Esses caras pegam as pessoas pelo inconsciente, a pessoa não acha que está “comprando” um milagre, mas acha que a melhor forma de comprovar a sua fé é se desprender do dinheiro por Deus e a melhor forma de comprovar isso é doando. Mas, como vivemos em uma sociedade que tudo é medido pelo dinheiro, o que atrai um grande número de pessoas para essas seitas, é a possibilidade de comprar o milagre como se estivesse em um mercado. Essa religiosidade atual que muitas vezes trata a fé pela ótica do mercado é mais uma corrente denunciada pela letra.



A metáfora da música fica clara: a sociedade está tão deturpada, que é como se estivéssemos sobre regime carcerário. O trecho “Poderíamos ver o sol se nós abríssemos nossos olhos / Mas nós nos pintamos em um canto colorido com mentiras brancas” é o resumo da mensagem da música. Nós criamos tantas regras e somos coniventes com tantas injustiças que nos perdemos em nossas próprias escolhas. Se as pessoas tivessem a consciência de tudo o que permeia as suas relações, talvez a vida pudesse se concretizar de forma plena. As correntes que prendem nossos pés estão muito bem presas, se não começarmos a serrá-las logo, nunca conseguiremos nos libertar.


sábado, 1 de outubro de 2011

Raio X: Paradise - Temos muito a perder


Tarde da noite de novo eu me encontro
Refletindo e assistindo TV
Eu não posso acreditar no que está na tela
Algo que eu não gostaria de ver

Muitas espécies raras vão perecer em breve
E nós teremos falta de comida
Por que temos que ser tão egoístas?
Nós temos que mudar nossa atitude.

Eu sei que eu não sou
O único que está preocupado
Por que todos nós não
Acordamos e percebemos?

Como as aves no céu
Nós estamos voando tão alto
Sem fazer nenhum tipo de sacrifício
Nós temos tão pouco tempo
Para desfazer este crime
Ou nós perderemos o nosso paraíso

Parece-me que não há nenhum sentido
Ninguém se importa é sempre o mesmo
Mãe natureza está chorando de dor
Nós somos os culpados

Eu sei que eu não sou
O único que está preocupado
Por que todos nós não
Acordamos e percebemos?

Como as aves no céu
Nós estamos voando tão alto
Sem fazer nenhum tipo de sacrifício
Nós temos tanto pouco tempo
Para desfazer este crime
Ou nós perderemos o nosso paraíso



Hoje vamos tratar um tema não tão discutido ainda por aqui: o meio ambiente. Talvez pelo fato de o heavy metal ser um estilo musical dos anos 80, onde a preocupação ambiental não era tão presente quanto hoje (ou quanto nos anos 60), ainda estranhamos músicas com essa temática. Mas a “Paradise” do Stratovarius vai direto ao ponto sem muitos rodeios.

Acho muito interessante que na primeira estrofe o eu lírico esteja vendo TV. Mostra que apesar de muitos serem alienados, ainda sim o problema ambiental é claro para todos. É mais do que falta de informação, é falta de interesse mesmo. Duvido que, nos dias de hoje, ainda possamos duvidar que haja conseqüências pesadas se a humanidade não repensar sua relação com os recursos naturais.

A música continua como uma lição de moral mesmo, não tem muito que falar, a gente tá fodendo com tudo a nossa volta e com a gente mesmo. Apesar de algumas pessoas alertarem, a grande maioria não quer saber e, enquanto a gente não estiver na miséria, ninguém parece que vai mudar de idéia.

Mas será que é isso mesmo? Passamos milhares de anos nos desenvolvendo como humanidade, criando novas formas de vivenciar o mundo, passamos por guerras, conquistas, governos, religiões, filosofias, culturas e tudo acabará por que a gente não presta atenção nas plantinhas e nos bichinhos? Bem, por mais ridículo que pareça, é possível.

Claro que não vou dar uma de alarmista e dizer que a humanidade é o bastião do apocalipse e que temos que “salvar o planeta”. Nem acho que se der tudo errado é o fim da própria humanidade. Já sobrevivemos a algumas eras glaciais e outras catástrofes climáticas e ainda nem tínhamos inventado o número zero ou a roda. Ver a questão do meio ambiente tratando a humanidade como uma ameaça para natureza é puro alarmismo, como George Carlin disse com maestria em um de seus shows:


Mas o fato de a natureza e a própria humanidade terem boas chances de continuar por algum tempo, isso não faz com que devamos ignorar o que estamos fazendo conosco. Eu não vou perder tempo vomitando dados de como nosso nível de consumo é totalmente insustentável, ainda mais com sete bilhões de pessoas no planeta. Dentro de nossos paradigmas do que é felicidade (consumo) e do número de pessoas que vivem a margem da sociedade, não é possível termos um mundo melhor para todos. Temos sorte da maioria destes sete bilhões pessoas não terem oportunidade de consumir o necessário para uma vida digna. Bem, elas é que não têm nem um pouco de sorte.

Não adianta pensarmos em pequenas coisas para resolver a catástrofe social que a eminente falta de recursos naturais vai causar. Se você começar a reciclar o seu lixo, parar de comer carne e alimentos transgênicos, trocar o carro pela bicicleta, adotar um cachorrinho abandonado, gastar menos energia e água; nada vai mudar. Algumas vezes somos tão arrogantes que acreditamos que mudando algo em nossa vida estamos ajudando a mudar o mundo. Lembre-se que você representa 1/7000000000 do problema. Tentar resolver algum problema mudando apenas a sua própria atitude não passa e uma piada sem graça.

Claro que isso não impede que você faça as coisas listadas acima, ou que não tenham outros bons motivos para fazê-los, como seguir os seus valores por exemplo. Mas é importante que fique claro que você não é melhor do que ninguém por isso, nem está ajudando tanto assim. Dentro do grande jogo da humanidade os jogadores que realmente tem fichas para fazer uma aposta que mude algo são os governos. Não adianta você viver como um eremita enquanto a china está aumentando a sua indústria vertiginosamente sem a menor preocupação com as conseqüências. Não adianta você parar de consumir transgênicos ou carne se o principal consumidor do que é produzido no Brasil é o mercado externo.

Pouco de nós têm realmente o poder de mudar algo, mas têm algumas coisinhas que podemos fazer para, pelo menos, não ficarmos no caminho de quem realmente tem alguma chance. O grande problema da falta de sustentabilidade de nossa sociedade é o excesso de consumo. A coisa fica complicada porque a nossa sociedade é baseada no próprio consumo. Claro que seria inútil resolver este problema também individualmente. É importante que possamos imaginar que há felicidade fora do “american way of life”. 



Há algumas frentes que me parecem relevantes para esse tipo de mudança. A mais óbvia é o aumento da eficiência dos processos que demandam recursos naturais. É importante que novas formas de gerar de energia e de matérias-primas sejam criadas e constantemente aperfeiçoadas para que causem um menor impacto. Outra frente a ser considerada é a educação. Não é possível imaginar que uma pessoa com pouca educação, ou uma educação enviesada, vá perceber as contradições do mundo atual. Não haverá mudança de paradigma se as pessoas não puderem entender o problema do paradigma atual. Mas a frente que talvez causasse maior impacto é a política. Quem hoje financia a maior parte dos partidos políticos são as grandes corporações. Os votos são conseguidos muitas vezes através de campanhas políticas enganosas. Enquanto a sociedade tratar a política como algo que não muda, nenhuma outra coisa vai mudar.

A principal mensagem de “Paradise” é que o problema é nosso e que nós precisamos acordar. O individualismo que permeia a nossa sociedade acaba criando a ilusão que somos suficientes em nós mesmos. Nada mudará se não tomarmos as rédeas do futuro, não podemos mais deixar que poucos decidam por todos nós.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Metal Nacional: Maloqueiro e sem futuro neste "Mundo Cao"


O heavy metal no Brasil sempre foi forte, apesar de estarmos fora do eixo norte que centraliza a produção de bandas, temos grandes ícones do estilo. Já ficou até clichê falar do destaque internacional de bandas como Sepultura e Angra. Devido à mudança da indústria musical após a falência da “mídia” CD, parece que a cena nacional deu uma esfriada. Ainda aparecem boas bandas no “mainstream”, mas as casas de show (pelo menos aqui em são Paulo) estão muito mais voltadas para as bandas covers,  está mais difícil conhecer coisas novas atualmente, ainda mais ao vivo. Para minha surpresa, recebi um e-mail divulgando este clipe:



A banda é a Mundo Cao formada por Zeca Salgueiro (baixo/voz), Fabio Gadel (guitarra/voz) e Ivan Busic (bateria, aquele do Dr. Sin). Essa música tem uma cara de anos 80 inegável, um hard rock de qualidade com riffs bem trabalhados e um ótimo vocal. É interessante essa estranheza que ouvir hard rock ou heavy metal em português causa. Aparentemente, o que causa essa sensação de que tem algo faltando é apenas o costume, afinal a língua portuguesa não deixa nada a desejar ao inglês ou qualquer outra língua. Talvez o único empecilho seja mesmo a dificuldade na divulgação internacional.

O bom de a música ser em português é que a letra salta aos ouvidos, uma ótima letra por sinal. Ela traz um conceito bem interessante. Pense, algumas vezes, esperamos que pessoas com dificuldades se mantivessem dentro das “regras do jogo” e criticamos quando, apesar de toda a dificuldade, alguém roube algo, se perca nas drogas, trabalhe para o tráfico etc. Mas este tipo de pensamento ignora o fato de que, muitas vezes, a própria pessoa leva uma vida tão ruim, que o custo/benefício de cometer aquele ato vale a pena, mesmo que ela própria talvez condene. A pessoa sabe que pode ser presa, que pode apanhar, que vai ter que fugir por um tempo e até, que está aumentando o seu tempo em algum tipo de purgatório dependendo das crenças dela. Essa ideia é importante relevar quando falamos de desigualdade e segurança pública.



O blog do vocalista é http://zecasalgueiro.blogspot.com, dê uma passadinha lá para conhecer mais. Se você tem uma banda, ou conhece alguém que tenha, faça como os caras do Mundo Cao e nos envie pelo Twitter @FilosofiaMetal, ou pelo meu e-mail (vinicius.nas.silva@gmail.com), se for bom e tiver o espírito do blog, o espaço aqui é garantido!