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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Raio X: The Land’s Revenge – A “Terra” dá voltas!


Olá leitores! Hoje quem “vos posta” sou eu, chamo Guilherme Euripedes, amigo do Vinícius de tempos inacabados e pedi espaço aqui no Filosofia Metal pra tirar um pouco do preto e acrescentar um pouco de verde nesse Heavy Metal aqui! Espero que gostem do post, reflitam e comentem sobre. Salute!

 

Eu me lembro quando este jogo começou há muito tempo atrás
Nossa relação era muito melhor do que é hoje
Antes havia muito respeito por ambas as partes do jogo
Agora parece que vocês esqueceram tudo isso.

Vocês têm ido muito longe sem olhar para trás
Vocês precisam se lembrar: sem mim suas vidas decairão

Eu pensei que vocês pudessem aprender com as coisas que se passaram
Eu estava esperançosa por uma estrada de beleza eterna
Agora é minha vez de lhe mostrar quão forte é minha vingança
Sem meu carinho e meu amor vocês cairão. Vocês vão ver.

Seria tão fácil para ambos se vivêssemos bem
E eu nunca lhe pedi muito – Nunca, Nunca...
Apenas pedi por atenção, união, amor e parceria
Vocês vêm matando partes de mim dia após dia

Rios, mares, lagos vocês têm sujado,
Madeira, árvores, animais vocês têm matado
Por que você não tira de mim apenas o que precisa?
Nossa existência seria maravilhosa meu amigo...

Esse é o último aviso que eu lhe dou:
Mude o modo que você age
Na terra eu estou.

Esse é o último aviso que eu lhe dou:
Mude o modo que você age
Na terra eu estou.





Quem de nós que nunca parou pra pensar sobre Sustentabilidade, futuro da humanidade na Terra e futuro da Terra com a humanidade que atire a primeira pedra.

Um dos assuntos TOP 3, ou mesmo TOP 1, das discussões políticas/econômicas mundiais é a questão do Desenvolvimento Sustentável, ou como hoje tem sido generalizado, Sustentabilidade.

Creio que uma introdução ao assunto seja desnecessária, já que se estão sendo capazes de ler este post num site da Internet, certamente em algum momento já foram de alguma forma inseridos a este assunto. Não saber que não só a Empresa X, mas o Mundo carece de um plano de Desenvolvimento Sustentável é como nunca ter ouvido falar dos famosos Beatles, ou de um homem menos famoso, Jesus.

Qualquer coisa pode ser considerada ou não “sustentável” e existem alguns fatores que conceituam algo como tal, o: economicamente viável, socialmente justo, culturalmente diverso e o ecologicamente correto. E é sobre este último principalmente que o Tuatha de Danann vem retratar com esta música.

Claramente “The Land’s Revenge” vem para dar um recado muito importante pela própria Mãe Natureza. Como mostrado nas últimas estrofes, se não mudarmos nosso jeito de agir, conheceremos de fato a “vingança da terra”.

Voltamos nossa atenção para temas como o Aquecimento Global, Camada de Ozônio e Efeito Estufa, problemas mais “palpáveis” e controversos, afinal muito cientistas afirmam que os ambientalistas, ONGs, Governos e outros cientistas estão exagerando quanto à grandiosidade do problema e, não suficiente, chegam a declarar que este é um problema pequeno comparado com o que o Planeta já passou. De fato é sim... O Planeta já passou por momentos mais difíceis, mas o que me assusta é como o Planeta vai resolver isto. Porque o problema não são os assuntos estudados, mas sim aqueles que estudam. O problema somos nós. Seres Humanos.

Não tiro a razão dos que dizem que o clima da Terra se move em ciclos e o aquecimento global é um fenômeno natural e normal. Mas outros problemas como a impermeabilização desprogramada do solo, despejo de dejetos químicos e tóxicos nos ar e na água, desmatamento acelerado, exacerbado e descontrolado, destruição de habitats naturais (consequentemente a dizimação da biodiversidade), derramamento de petróleo no mar... entre dezenas de outros problemas ambientais NÃO são naturais, portanto não são previstos pela Mãe Natureza, e assim ela não vai saber remediar.



Ouvindo a música e acompanhando sua voz, melodia e ritmo nos sentimos como transportados para as épocas onde o homem vivia ainda em clãs nômades, em perfeita comunhão com a natureza, tratando-a como deusa e respeitando suas necessidades. Mas com o constante progresso, principalmente após as Revoluções Industriais, vemos esse “jogo” saindo do equilíbrio e a corda sendo puxada mais forte por nós, seres humanos, juntamente com a música aumentando sua velocidade e deixando o clima mais pesado, como agora quando lemos as notícias na internet/jornal. Mas lembre-se, a corda sempre quebra do lado mais fraco, e acreditem, o lado mais fraco somos nós. Essa “mãe” não vai ter dó de expulsar o filho de casa por desobediência...

Acreditamos sermos não somente parte do mundo, mas chegamos notadamente ao ponto de agirmos como soberanos tiranos do planeta, escravizando outras formas de vida a nosso bel prazer, não somente para sobrevivermos. Insistimos em caçar animais por esporte ou em sua época de procriação, torturá-los para a doma ou para o entretenimento, arrancarmos sua pele ainda em vida, e acabamos com seu habitat natural, forçando-os a se adaptarem a viverem de formas adversas a sua natureza. Há poucos anos atrás condenávamos um homem que tratava uma outra etnia humana como animais, e hoje tratamos da mesma forma os próprios animais. O que antes era “Nazismo” hoje chamamos “Especismo”.

Será que estamos no caminho certo esquecendo nosso passado e negligenciando nosso futuro? Vendo pelo ponto de vista material ou espiritual, já passou da hora de voltarmos ao equilíbrio natural e rumarmos juntos com a Mãe por uma estrada bela e eterna. Sem ela com certeza decairemos mais ainda. O mundo dá voltas... a Terra há de se vingar.


Guilherme Euripedes tem um Blog chamado Live to Live For, que trata apenas de pensamento e poemas pessoais. Visitem! www.livetolivefor.blogspot.com



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Raio X: Balls to the Walls - "Eles te farão beber o próprio sangue"




Tantos escravos neste mundo
Morrem por tortura e dor
Tantas pessoas não enxergam
Eles estão se mantando, enlouquecendo.

Tantas pessoas não sabem
Escravidão está sobre a raça humana
Eles acreditam que escravos sempre perdem
E este medo os mantém submissos

Cuidado com os condenados – Deus os abençoe
Eles vão quebrar as correntes
Não, você não pode detê-los – Deus os abençoe
Eles estão vindo te pegar!

E você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro
Você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro, Bolas no muro

Você pode confundir a mente deles
Você pode sacrificá-los também
Você pode deixa-los em carne viva
Você pode estuprar todos eles

Um dia os torturados se levantarão
E se revoltarão contra o mal
Eles te farão beber o próprio sangue
E te farão em pedaços

É melhor tomar cuidado com os condenados – Deus os abençoe
Eles vão quebrar as correntes
Não, você não pode detê-los  - Deus os Abençoe
Eles estão vindo para te pegar!

E você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro
Você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro, Bolas no muro

Vamos!

Ei cara, vamos nos erguer perante o mundo
Vamos enfiar uma bomba no cu de cada um
Se eles não nos deixarem viver
Nós vamos lutar pelos nossos direitos
Construa um muro com os corpos e você estará a salvo
Deixe o mundo apavorado
Vamos me mostre o sinal da vitória

E você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro
Você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro, Bolas no muro



Hoje farei um post totalmente contraditório com o raio x da semana passada, falarei da revoltada “Balls to the Walls” do Accept. A letra dessa música é daquelas que, de imediato, não toca no coração e nem faz refletir tanto – ela vai direto às entranhas e, se você se deixar levar, o sentimento de vingança e ódio se apodera imediatamente.

A música faz uma análise seca e amarga da sociedade: somos escravos. Apesar de a palavra ser forte, não chega a me surpreender este tipo de comparação. Levando essa análise para a época em que a música foi composta (1983), é importante lembrar que o muro de Berlim ainda estava de pé. O socialismo já estava em decadência e a geração que nasceu após a segunda guerra mundial já estava na casa dos 40 anos. Os motivos que dividiam a Alemanha em duas já não aparentavam tão legítimos. A diferença econômica entre essas duas Alemanhas já era gritante e clara, o muro de Berlim provavelmente foi a principal inspiração de Balls to the Walls.



Mas, pra mim, essa análise pode extrapolar a Guerra Fria e ainda pode ser aplicada a nossa realidade. Temos o nosso sentimento de liberdade, mas será que somos livres na prática? Já experimentou pensar em algum estilo de vida fora do padrão das “44 horas semanais”? Será que é realmente necessário que todos nós vivamos nossas vidas em função de nossa vida profissional? É difícil pensar em uma alternativa diferente dessas que não envolva diversos sacrifícios. Mas será que vale a pena gastar 26% de toda nossa semana? Atribuindo 1h diária para o transporte 1h para o almoço e 8h de sono, você tem para viver apenas um terço de sua semana, isso se você não faz nenhum tipo de curso.

Existem duas coisas que nos prendem nessa vida “padrão”. A primeira é a moral. Há a concepção de que o trabalho é necessário para a formação do caráter do indivíduo. Há uma ideia muito difundida de que não se pode ser “vagabundo”, e esse estigma é atribuído inclusive às pessoas que estudam e também às que trabalham de formas não convencionais (como free lancers, por exemplo). A segunda coisa é a valorização do consumo. Apesar de ser possível viver tranquilamente em um emprego que nos dê mais autonomia e tempo livre, há uma pressão para que tenhamos o máximo de produtos possíveis para que possamos nos encaixar nos padrões. Ter um carro, roupas de marca, frequentar lugares caros é muito mais importante para a sociedade do que ter tempo para aproveitar essas coisas.



Seja o opressor o capitalismo ou o socialismo, a música defende uma postura radical em favor da liberdade. A história da humanidade é preenchida por várias grandes civilizações em que poucos governavam e muitos obedeciam. Apesar dos avanços a lógica ainda permanece essa. É muito difícil destituir alguém do poder apenas com negociações, quanto mais toda uma classe. Os exemplos de verdadeiras mudanças de poder são sempre coloridos com muito sangue. Muitas vezes não percebemos que aqueles que estão no topo da sociedade morrem de medo do que os que não estão podem fazer. E, de acordo com a Balls to the Walls, eventualmente os “condenados” fazem alguma coisa.

Depois de um período de marasmo, estamos passando por uma época que as pessoas no mundo estão percebendo que algo precisa ser mudado. Os diversos movimentos que estão surgindo no mundo inspirados no “Ocupe Wall-Street” são uma demonstração que, pelo menos parte dos jovens, não vão mais aceitar o governo em favor dos 1% (que não são os motoqueiros do post anterior) e que os governos têm que dar um jeito de resolver a falta de renda que a crise de 2008 gerou. Que proporções esses movimentos vão tomar é difícil dizer, imagino que as coisas na Grécia ainda vão ficar muito feias, e é possível que jovens de países como Portugal e Espanha aprendam com o exemplo. Acho que a União Europeia está assinando seu atestado de óbito com a política de passar as dívidas contraídas para o povo. Enquanto eles não começarem a encontrar formas de produzir mais, a bola de neve das dívidas tende a crescer até que o povo tenha que tomar as rédeas da situação.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Raio X: Take no Prisioners - Calmaria antes da tempestade? (parte 2)

Este post é a continuação deste aqui. Não estranhe a falta de conexão com o heavy metal e até com a música, pois a parte “filosofia”, de vez em quando, vai falar um pouco mais alto. Não vejam isso como um problema, afinal, a arte inspira a reflexão.

A guerra é uma das maiores expressões da cultura humana, muitas das mudanças tecnológicas que contribuem para o nosso dia-a-dia foram motivadas por disputas bélicas. Algumas religiões e mitologias elevam a guerra a um patamar transcendental, como o conceito do Jihad islâmico, a ideia da Valhalla nórdica e até mesmo as Cruzadas cristãs. Muitos mitos nacionais têm como herói fundador um grande guerreiro que lutou bravamente pela libertação de seu povo, Moisés e Willian Wallace são ótimos exemplos. Mas, afinal, qual seria o papel da guerra hoje?

O século XX talvez tenha sido o século mais violento da história humana, só as duas grandes guerras mataram mais de 90 milhões de pessoas entre soldados e civis. Isso sem contar as várias lutas de independência nas colônias européias, os conflitos motivados pela guerra fria e várias outras guerras localizadas. Neste mesmo século fomos apresentados à “masterpiece” entre as armas de destruição em massa: a bomba atômica.



Agora nos encontramos no século seguinte e a guerra parece cada vez mais distante da nossa realidade. Após a guerra fria, o único grande susto que passamos foram os ataques terroristas do 11 de setembro, mas que, no final das contas, apenas serviu como justificativa para ações militares ocidentais em ex-colônias não-alinhadas. Uma “Terceira Guerra Mundial” é apenas motivo de inspiração para obras de ficção, o risco de uma hecatombe nuclear parece superado.

Claro que a guerra ainda ocorre em alguns pontos isolados, vemos lutas armadas pela democratização de algumas repúblicas e monarquias árabes. Israel e a Palestina continuam sendo motivo para matar e para morrer, os EUA não conseguem desocupar completamente os países dos quais eles mesmos “libertaram” e a África ainda parece estar longe de superar suas diferenças étnicas. Mas será que esse panorama vai durar por muito tempo?

Na parte 1 deste "raio x" os efeitos negativos da guerra foram muito bem explorados e eu, particularmente, não acho que valha a pena arriscar a própria vida por um ideal. Apesar da glamourização da guerra proporcionada pela cultura pop, inclusive pelo próprio heavy metal, ainda temos a clara ideia do ônus de um conflito armado. Mas há fantasmas a assombrar nossos planos de futuro pacífico.

Um dos fatores que justificaria novos conflitos armados é o fanatismo religioso. O oriente médio com seus problemas sociais e o seu destaque na economia mundial é um terreno fértil para que discursos belicosos baseados em crenças se disseminem. O mesmo fanatismo que faz um mulçumano jogar um avião em um prédio, faz também com que um judeu assassine seu próprio primeiro-ministro por negociar a paz com o inimigo. Essa história toda ainda pode ter novos episódios, caso o modelo teocrático do Irã seja adotado por países árabes que atualmente lutam contra seus regimes ditatoriais. Talvez isso não se espalhe pelo resto do mundo, mas a Al Qaeda já mostrou que o alcance do problema não se restringe apenas ao oriente médio.



Outro fator um pouco mais incipiente (que pode muito bem ser viagem da minha cabeça) é a crise econômica que o mundo vem sofrendo com a aparente falência dos modelos atuais, principalmente o europeu. É possível que, aos poucos, a Europa, o Japão e até os EUA percam sua posição de líderes mundiais para um sistema mais fragmentado de mercado. A discussão polarizada entre social-democracia e neoliberalismo parece fornecer cada vez menos respostas palpáveis para resolver o problema da recessão no primeiro mundo. Esse cenário já vem mostrando alguns sintomas no campo da violência. Protestos acalorados contra medidas impopulares de governos que cortam gastos sociais para evitar que o país quebre são cada vez mais comuns e intensos. Partidos de extrema direita agregam cada vez mais adeptos, disseminando a crença de que a culpa do desemprego é do imigrante que não “merece” ser tratado como igual. Os atentados ocorridos na Noruega talvez não sejam um caso isolado. Esse cenário lembra, ainda que vagamente, o mundo após a crise de 29.

Há ainda outros fatores não tão óbvios como a possível falta de recursos naturais a médio prazo e as rixas mal resolvidas entre a china e alguns de seus vizinhos. No século XIX, após a era napoleônica, também houve uma sensação de paz contínua na Europa que não se confirmou. Será que conseguiremos passar o século XXI sem jogar uma bomba atômica em alguém? Isso só o tempo dirá.