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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Raio X: Run to the Hills - Assassinando por liberdade, esfaqueando pelas costas

 

O homem branco veio atravessando o mar
Ele nos trouxe dor e miséria
Ele matou nossa tribo, matou nossa crença
Ele pegou nosso jogo para seu próprio proveito
Nós lutamos forte, lutamos bem
Lá nas planícies, nós lhe demos o inferno
Mas muitos vieram, demais para acreditar
Oh, será que seremos libertados?

Cavalgando por nuvens de poeira e terras estéreis
Galopando em disparada nas planícies
Perseguindo os peles-vermelhas de volta para suas tocas
Lutando com eles em seu próprio jogo
Assassinando por liberdade, esfaqueando pelas costas
Mulheres, crianças e covardes, ataquem!

Corra para as colinas
Corram por suas vidas!
Corra para as colinas
Corram por suas vidas!

Soldado azul nas terras estéreis
Caçando e matando sua caça
Estuprando as mulheres
E enfraquecendo os homens
Os únicos índios bons são domados
Vendendo a eles Uísque
E tomando o seu ouro
Escravizando o jovem e destruindo o velho

Corra para as colinas
Corram por suas vidas!
Corra para as colinas
Corram por suas vidas!




O primeiro raio x do blog foi do Iron Maiden, então nada mais justo eles serem a primeira banda a ter um segundo raio x. Não é só por isso que escolhi repetir o Iron Maiden, todo fã de metal sabe da qualidade das letras da banda e principalmente daquelas que têm literatura ou história como tema. Pensando nas músicas com tema histórico do Iron, uma das mais aclamadas é a Run to the Hills.

A música fala das guerras que os colonos americanos travaram com os nativos dos EUA. É interessante como a letra é informativa e ao mesmo tempo sonora. Não é tão fácil narrar eventos históricos sem dar uma de professor, mas isso o Steve Harris consegue fazer muito bem na Run to the Hills. Até da pra imaginar as cenas dos cruéis soldados queimando vilas e matando Índios.

Antes dos Ingleses chegarem a América do Norte ela era dividida por várias tribos que no geral eram caçadores e coletores. Diferentemente das civilizações da América central e dos Andes, eles não tinham escrita e nem grandes cidades, mas eram povos complexos com rituais e mitos diversificados, além de diversas formas de se organizar socialmente. A base, entretanto, segue a lógica tribal de poder aos mais velhos, divisão do trabalho entre homens e mulheres e muitos rituais de passagem.



Muitas vezes ouvimos falar que a facilidade dos espanhóis em destruir toda a civilização ameríndia veio da diferença cultural das duas civilizações e isso teria causado a errada impressão que os espanhóis eram deuses. Apesar de realmente haver profecias de alguns povos sobre deuses vindos do mar e, em alguns lugares (como no Havaí), realmente os brancos terem sido tratados como representações de divindades, só isso é muito pouco para justificar o fim de uma civilização tão numerosa. Acredito que o fator principal da vitória dos europeus tenha sido, além da superioridade militar, a determinação em conquistar a América a qualquer custo. Os espanhóis foram tão cruéis em suas ações e tão mesquinhos em suas estratégias e traições, que um povo mais espiritual como os nativos da América não estavam preparados para enfrentar. A forma como eles tratavam os escravos e destruíam as vilas não devia ser fácil de assimilar por um povo que viveu tanto tempo isolado.



Voltando para a música, ela mostra o lado norte-americano da conquista e exprime muito bem o horror que nós brancos podemos causar quando achamos necessário. Apesar de os americanos terem sido famosos em sua luta pela liberdade e pela democracia, eles não mediram esforços para tomar as terras indígenas e praticar um genocídio no processo. O pensamento de tomar a força o que interessa não é exclusividade dos americanos, até o fim da segunda guerra mundial ainda se acreditava que o europeu colonizador estava levado civilização aos nativos.

É importante que músicas como Run to the Hills cantem sobre os nossos erros para que não os cometamos mais. O que acontece no Iraque e no Afeganistão hoje até pode ser encarado por esse prisma, alguns ainda acreditam que vale a pena entrar em guerra contra um povo para libertá-lo. Apesar de já ser vista com maus olhos pelo mundo hoje, qual será a versão sobre as guerras imperialistas atuais nos livros de história do futuro? E nas músicas de Heavy Metal?



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Raio X: Highway to Hell - Vivendo fácil, vivendo livre

 

Vivendo fácil, vivendo livre
Um bilhete para a temporada em uma rua de mão única
Sem pedir nada, me deixe em paz
Pegando tudo em meu caminho
Não preciso de razão, não preciso de rima
Não tem nada que eu prefira fazer
Descendo, hora da festa
Meus amigos vão estar lá também

Estou na estrada para o inferno

Sem sinais de "pare", sem limites de velocidade
Ninguém vai me fazer reduzir a velocidade
Como uma roda, vou rodar
Ninguém vai me sacanear
Ei Satã, paguei minhas dívidas
Tocando em uma banda de rock
Ei mamãe, olhe para mim
Estou no meu caminho para a terra prometida
                                                 
Estou na estrada para o inferno
Não me pare

E eu vou descendo, descendo até o fim
Estou na estrada para o inferno



No primeiro raio x do ano não poderia deixar de falar de uma música clássica. Highway To Hell é uma das músicas mais conhecidas do rock, enquanto o AC/DC é praticamente uma unanimidade. Além de ser uma música foda, a Highway To Hell tem bastante história.
                                                              
Tudo começou quando um jornalista perguntou a Angus Young como era a vida estando sempre em turnê, a resposta foi: “It’s a fucking highway to hell”. Os rumores de que a banda teria algum envolvimento com satanismo começaram a crescer (acho que toda banda de sucesso deve ter passado por isso) e a capa do próprio CD “Highway to Hell” não ajudou muito na defesa dos australianos. Apesar de eles sempre negarem qualquer envolvimento com o satanismo.

A letra da música em si parece até bem simples. Não acredito que ela tenha algum significado muito profundo além de viver na estrada como estrelas do rock indo ao encontro do inferno, por assim dizer. Mas, quando a mensagem é simples, ela abre bastante espaço para a interpretação e para a especulação e é isso que eu vou fazer aqui.



Uma vez ouvi em um podcast que hoje em dia vivemos menos porque temos medo da morte. A teoria é que se tratássemos a morte como algo mais natural, nós nos arriscaríamos mais e que “arriscar” é viver no fim das contas. Acho que esse tipo de visão combina bem com o teor da música.

Vendo a morte da perspectiva de um rockeiro, o destino mais sonoro é o inferno. Pense se a música se chamasse “highway to heaven”, causaria o mesmo impacto? Eu acho que não. O inferno, na minha opinião, é apenas a metáfora para morte, enquanto a estrada é a metáfora para a vida. Juntando tudo, a idéia é que viver é ir em direção a morte.

E como a vida é apenas uma única estrada e com um único sentido, tentar evitar o destino é um esforço em vão. Aquela máxima de que “o que se leva da vida é a vida que se leva” se encaixa bem com a letra da Highway to Hell. Já que o “sentido” da vida é a morte, não existiria um jeito “certo” de se viver: Não preciso de razão, não preciso de rima. Não vale a pena fazer qualquer outra coisa que você não queira ou, pelo menos, não tenha uma motivação clara. A ideia que me parece forte na música é que a gente mesmo escreve a nossa história, dentro das limitações impostas pela vida.

Claro que isso é só uma interpretação, mas a forma como Bon Scott morreu: sufocado pelo próprio vômito dormindo bêbado no banco de trás do carro de um amigo, seis meses depois do lançamento da Highway to Hell, música que ele ajudou a escrever, diz muito sobre como ele levava a vida. E, talvez, devido à visão de vida que ele tinha, ele tenha morrido feliz.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Raio X: The Land’s Revenge – A “Terra” dá voltas!


Olá leitores! Hoje quem “vos posta” sou eu, chamo Guilherme Euripedes, amigo do Vinícius de tempos inacabados e pedi espaço aqui no Filosofia Metal pra tirar um pouco do preto e acrescentar um pouco de verde nesse Heavy Metal aqui! Espero que gostem do post, reflitam e comentem sobre. Salute!

 

Eu me lembro quando este jogo começou há muito tempo atrás
Nossa relação era muito melhor do que é hoje
Antes havia muito respeito por ambas as partes do jogo
Agora parece que vocês esqueceram tudo isso.

Vocês têm ido muito longe sem olhar para trás
Vocês precisam se lembrar: sem mim suas vidas decairão

Eu pensei que vocês pudessem aprender com as coisas que se passaram
Eu estava esperançosa por uma estrada de beleza eterna
Agora é minha vez de lhe mostrar quão forte é minha vingança
Sem meu carinho e meu amor vocês cairão. Vocês vão ver.

Seria tão fácil para ambos se vivêssemos bem
E eu nunca lhe pedi muito – Nunca, Nunca...
Apenas pedi por atenção, união, amor e parceria
Vocês vêm matando partes de mim dia após dia

Rios, mares, lagos vocês têm sujado,
Madeira, árvores, animais vocês têm matado
Por que você não tira de mim apenas o que precisa?
Nossa existência seria maravilhosa meu amigo...

Esse é o último aviso que eu lhe dou:
Mude o modo que você age
Na terra eu estou.

Esse é o último aviso que eu lhe dou:
Mude o modo que você age
Na terra eu estou.





Quem de nós que nunca parou pra pensar sobre Sustentabilidade, futuro da humanidade na Terra e futuro da Terra com a humanidade que atire a primeira pedra.

Um dos assuntos TOP 3, ou mesmo TOP 1, das discussões políticas/econômicas mundiais é a questão do Desenvolvimento Sustentável, ou como hoje tem sido generalizado, Sustentabilidade.

Creio que uma introdução ao assunto seja desnecessária, já que se estão sendo capazes de ler este post num site da Internet, certamente em algum momento já foram de alguma forma inseridos a este assunto. Não saber que não só a Empresa X, mas o Mundo carece de um plano de Desenvolvimento Sustentável é como nunca ter ouvido falar dos famosos Beatles, ou de um homem menos famoso, Jesus.

Qualquer coisa pode ser considerada ou não “sustentável” e existem alguns fatores que conceituam algo como tal, o: economicamente viável, socialmente justo, culturalmente diverso e o ecologicamente correto. E é sobre este último principalmente que o Tuatha de Danann vem retratar com esta música.

Claramente “The Land’s Revenge” vem para dar um recado muito importante pela própria Mãe Natureza. Como mostrado nas últimas estrofes, se não mudarmos nosso jeito de agir, conheceremos de fato a “vingança da terra”.

Voltamos nossa atenção para temas como o Aquecimento Global, Camada de Ozônio e Efeito Estufa, problemas mais “palpáveis” e controversos, afinal muito cientistas afirmam que os ambientalistas, ONGs, Governos e outros cientistas estão exagerando quanto à grandiosidade do problema e, não suficiente, chegam a declarar que este é um problema pequeno comparado com o que o Planeta já passou. De fato é sim... O Planeta já passou por momentos mais difíceis, mas o que me assusta é como o Planeta vai resolver isto. Porque o problema não são os assuntos estudados, mas sim aqueles que estudam. O problema somos nós. Seres Humanos.

Não tiro a razão dos que dizem que o clima da Terra se move em ciclos e o aquecimento global é um fenômeno natural e normal. Mas outros problemas como a impermeabilização desprogramada do solo, despejo de dejetos químicos e tóxicos nos ar e na água, desmatamento acelerado, exacerbado e descontrolado, destruição de habitats naturais (consequentemente a dizimação da biodiversidade), derramamento de petróleo no mar... entre dezenas de outros problemas ambientais NÃO são naturais, portanto não são previstos pela Mãe Natureza, e assim ela não vai saber remediar.



Ouvindo a música e acompanhando sua voz, melodia e ritmo nos sentimos como transportados para as épocas onde o homem vivia ainda em clãs nômades, em perfeita comunhão com a natureza, tratando-a como deusa e respeitando suas necessidades. Mas com o constante progresso, principalmente após as Revoluções Industriais, vemos esse “jogo” saindo do equilíbrio e a corda sendo puxada mais forte por nós, seres humanos, juntamente com a música aumentando sua velocidade e deixando o clima mais pesado, como agora quando lemos as notícias na internet/jornal. Mas lembre-se, a corda sempre quebra do lado mais fraco, e acreditem, o lado mais fraco somos nós. Essa “mãe” não vai ter dó de expulsar o filho de casa por desobediência...

Acreditamos sermos não somente parte do mundo, mas chegamos notadamente ao ponto de agirmos como soberanos tiranos do planeta, escravizando outras formas de vida a nosso bel prazer, não somente para sobrevivermos. Insistimos em caçar animais por esporte ou em sua época de procriação, torturá-los para a doma ou para o entretenimento, arrancarmos sua pele ainda em vida, e acabamos com seu habitat natural, forçando-os a se adaptarem a viverem de formas adversas a sua natureza. Há poucos anos atrás condenávamos um homem que tratava uma outra etnia humana como animais, e hoje tratamos da mesma forma os próprios animais. O que antes era “Nazismo” hoje chamamos “Especismo”.

Será que estamos no caminho certo esquecendo nosso passado e negligenciando nosso futuro? Vendo pelo ponto de vista material ou espiritual, já passou da hora de voltarmos ao equilíbrio natural e rumarmos juntos com a Mãe por uma estrada bela e eterna. Sem ela com certeza decairemos mais ainda. O mundo dá voltas... a Terra há de se vingar.


Guilherme Euripedes tem um Blog chamado Live to Live For, que trata apenas de pensamento e poemas pessoais. Visitem! www.livetolivefor.blogspot.com



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Raio X: Face the Emptiness - A história acabou antes mesmo de começar


 

A história acabou
Está finalizada, acabada
O sonho que você teve
Desapareceu na neblina

Parado na frente
Das ruinas do que você construiu
Chocado até os ossos
E esmagado

Quando gigantes caem e anjos choram
Você sabe – É difícil salvar o dia

A última palavra já está dita e feita
A história acaba onde ela começa
Você tem que encarar o vazio
Não tem como argumentar
Não tem como modificar
Você sabe
É aí que a chuva cai

Não há dúvida que você está acabado
A história termina sem nem começar
Venha e encare o vazio
Não há como se esconder
Você não pode correr, tem de ficar
Parado e assistir
A chuva caindo

Quanto mais alto você coloca seus objetivos
Mais fundo você pode cair
Algumas vezes a vida
Simplesmente não é Justa

Você é um guerreiro incansável
Você se levanta quando cai
Mesmos se você
Não conseguir entender ainda

A última palavra já está dita e feita
A história acaba onde ela começa
Você tem que encarar o vazio
Não tem como argumentar
Não tem como modificar
Você sabe
É aí que a chuva cai

Não há dúvida que você está acabado
A história termina sem nem começar
Venha e encare o vazio
Não há como se esconder
Você não pode correr, tem de ficar
Parado e assistir
A chuva caindo



Já vou me desculpando antecipadamente pela letra depressiva, mas considero que a mensagem passada na "Face the Emptiness" do Primal Fear vale a pena ser ouvida. Esse tipo de mensagem mais pessimista (ou realista, como acredito) é raro no Power Metal, normalmente, em músicas mais reflexivas do estilo, ou as músicas fomentam um sentimento de revolta, ou tentam te mostrar um lado positivo de algum tipo de aflição.

Quando estava traduzindo esta música, pensei seriamente em usar a palavra “estória” no lugar de “histórica” já que no inglês há a diferenciação entre history (disciplina que estuda o passado) e story (conto), mas percebi que ele mistura esses dois conceitos durante a música, como na ótima frase repetida na série Battlestar Galactica: All this has happened before, and all of it will happen again (tudo isso já aconteceu antes e tudo isso vai acontecer de novo). A música é uma repetição da mesma ideia: “encare o vazio, a hi(e)stória acaba antes de começar”. Mas essa ideia não é tão simples e é muito carregada de significado.



A música já começa falando que a história acabou, que os sonhos se perderam, que as ruinas do seu passado te esmagam; a música não te deixa nem respirar e já vai jogando pessimismo em você. Mas, pare para pensar, você deve ter vários planos e sonhos para seu futuro, principalmente se você for jovem. Mesmo que você seja o tipo de pessoa que vive o presente intensamente e deixa para se preocupar com o futuro só no futuro, não há como não criar grandes expectativas para o dia de amanhã. Não importa em qual área da sua vida você deposite sua confiança, você acredita que algo de bom está reservado para você, que você merece. Mas, mesmo que todas essas coisas se realizem, elas nunca são como imaginávamos, mesmo que já esperássemos, os problemas que surgem decorrentes de um futuro de sucesso (não importa em que esfera da vida) nunca são 100% previstos. É como se a angústia que tentamos aliviar hoje fosse irremediável.

Se mesmo quando as coisas ocorrem da forma que esperávamos não consigamos nos livrar da angústia; quando elas não acontecem, ou pior, quando os nossos sonhos ocorrem do avesso, esse sentimento de angústia se apodera da nossa alma e começamos a procurar um sentido para essas dificuldades, uma explicação. Apesar de, eventualmente, essa angústia se transformar em patologias, com o tempo acabamos cometendo os mesmos erros e sofrendo as mesmas decepções.



Há um momento em que se percebe na música a linha de pensamento para sustentar toda essa amargura, é o trecho: “Quando gigantes caem e anjos choram / Você sabe – É difícil salvar o dia”. Sempre estamos tentando salvar o dia, nem que seja só o nosso; mas nos frustramos, afinal não somos gigantes, muito menos anjos. Mesmo que você decida se alienar dos problemas a sua volta, pelo menos os seus problemas acabam, eventualmente, te revoltando.

Uma vez eu passei por uma situação que exemplifica bem esse sentimento de revolta despropositada. Certa vez, enquanto eu navegava na internet, me deparei com a notícia que em represália a ataques terroristas, o governo israelense havia atacado a faixa de gaza e deixado 1300 mortos e mais de 5.000 feridos. Aquilo era inaceitável! Claramente um ato condenável. Pelas imagens reproduzidas na reportagem que eu lia, os alvos principais eram civis; que, aliás, já sofriam o suficiente por viver como refugiados dentro de sua própria terra. A sensação de que eu precisava fazer algo para mudar aquela situação me preencheu como nunca antes uma notícia sobre algo em outro país havia feito. E era importante que eu fizesse algo que realmente interferisse; mas, em poucos segundos, eu percebi que aquilo não me pertencia e que eu estava fadado a tentar conscientizar as pessoas próximas a mim dos horrores acontecidos naquela região.



O sentimento que veio quando eu caí na real, é parecido com o que a música te aconselha a encarar. Mesmo que haja uma consciência responsável pelos rumos que o universo toma, ninguém é capaz de compreendê-los. Você não pode deixar essa angústia de que algo está faltando escondida dentro de ilusões, pois assim você nunca aprenderá a lidar com ela. Os momentos de angústia têm que ser aproveitados, pois é quando você está realmente angustiado, que você tem coragem de refletir sobre as suas ações. Quando as coisas parecem dar certo, talvez você tenha a ilusão de que está seguindo um caminho seguro, ou que algo no universo está olhando por você e te protegendo da imperfeição da vida. Mas quando isso não se confirma, é difícil se reerguer e recomeçar depois de toda a decepção.

Uma técnica legal que os caras usaram na letra para te causar estranhamento é escrever a letra falando direto com o interlocutor, toda música passa a mensagem para “você”, enquanto normalmente em questões mais abrangentes e determinantes o normal é falar para “nós”. Aparentemente o objetivo é chamar para reflexão, e eu também tentei usar essa técnica nesse texto, espero que não tenha sido muita pretensão.

Se aprendermos (agora parei de falar só de você) a lidar com a angústia, a encarar o vazio de nossa alma, entender que ele é parte estrutural de nossa mente; talvez consigamos traçar caminhos mais inusitados para a nós, formas mais realistas de enfrentar as dificuldades. Mesmo nos momentos de euforia, aprender a evitar as ilusões, evitar esconder a angústia no nosso subconsciente, talvez nos prepare para quando tivermos que cair na real.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Raio X: Yesterday Don't Mean Shit - Porque amanhã é o dia que temos que encarar



Não há nada especial nisso
Isso existe quer você nasça ou não
Pessoas dotadas com talento não são grande coisa
Bem-vindo à morte de um século.

Porque o ontem não significa nada
O que aconteceu, aconteceu e não há nada no meio
Ontem não significa nada
Porque o amanhã é o dia que você tem que encarar
Não há como voltar ao passado
Ontem não significa nada
Ontem não significa nada

Reviver velhas avaliações
É uma ferramenta inútil de confusão
Não prenda sua respiração para se virar
Entre no mundo de possibilidades infinitas

Porque o ontem não significa nada
O que aconteceu, aconteceu e não há nada no meio
Ontem não significa nada
Porque o amanhã é o dia que você tem que encarar
Não há como voltar ao passado
Ontem não significa nada
Ontem não significa nada

Eles irão te falar sobre culpa
E na hora certa você enfrentará a escuridão
Mas a escuridão é uma amiga para você
Abrace e voe através da loucura
Voando passados Deus, guerras e conflitos
O opressor em você
Arando pelas mentes e paranoia
O opressor em você
O opressor está em você

Porque o ontem não significa nada
O que aconteceu, aconteceu e não há nada no meio
Ontem não significa nada
Porque o amanhã é o dia que você tem que encarar
Não há como voltar ao passado
Ontem não significa nada
Ontem não significa nada

Ontem não significa porra nenhuma

Para te proteger e eu guardarei pra mim mesmo
É assim que tem que ser!



O Raio X de hoje é de uma música que vai mais direta ao ponto do que de costume. Como uma boa música de thrash metal, a melhor forma de passar uma ideia é mostrar claramente o que você pensa sobre o assunto, sem muitos rodeios. A significação do passado é o alvo da “Yesterday Don’t Mean Shit” do Pantera.

A tese da música é clara: O passado não importa, o que realmente importa é como você vive o “hoje”. Não acho que a intenção seja o esquecimento completo do passado, mas sim a sua superação. A impressão que a música passa é que o passado não deve ser um peso na hora de lidar com o presente, quando erramos temos que ser fortes o suficiente para não deixar esses erros influenciarem negativamente nossas decisões.

Acho que o auge da música é o trecho: “Ontem não significa nada porque o amanhã é o dia que você tem que encarar”. A ideia, apesar de simples, carrega um conselho muito difícil de ser seguido. Muitas vezes agimos de forma errada, ou, pelo menos, contra nossa vontade, para concertar equívocos do passado. Deixamos de ser e fazer o que queremos pelo que éramos e acreditávamos anteriormente. Algumas vezes é difícil aceitar as mudanças, é difícil perceber que as nossas antigas convicções não mais fazem sentido e que não nos tornamos quem nós projetamos.

Tente se lembrar de como você era há 10 anos, você se reconheceria hoje? Esse seu “eu” do passado se orgulharia do que você se tornou? Ele concordaria com suas crenças atuais, com suas visões de mundo, com sua rotina e com todo o resto que faz você querer sair da cama e enfrentar um novo dia? Acredito que a mensagem da música é que isso não importa mais, porque nós mudamos e isso é bom.



Quem leu o livro 1984 de George Orwell (se ainda não leu, você não sabe o que está perdendo!) deve se lembrar da visão do personagem O’Brien da realidade (que resumia a visão do partido único opressor): A realidade só existe no espírito e em nenhuma outra parte. O personagem questiona Winston, protagonista do livro, se o passado existe em algum lugar, se ele está acontecendo paralelamente ao presente. A conclusão de Winston é que o passado existe apenas nos registros e na memória das pessoas. Porém, a partir disso, O’Brien mostra que o passado não é algo fixo, considerando que o partido controla os registros e que a mente individual é falha.

Essa referência ajuda a reforçar a relativização que a “Yesterday don’t Mean Shit” faz do passado. O passado não é uma “coisa”, ele não é algo que existe fora da gente. Se um vírus surgisse e acabasse com a vida na terra, nada do que aconteceu antes teria a menor importância para o resto do universo (a não ser que outros seres inteligentes resolvessem estudar nossa história). O que a gente faz e as coisas que acontecem desaparecem no exato instante seguinte, a não ser que fique registrado na memória de alguém, ou em alguma outra forma de registro. Filosoficamente falando, os nossos fantasmas do passado só nos assombram porque nós permitimos, o que passou não tem existência necessária, essas coisas só influenciam o presente se alguém não for capaz de esquecê-las.



Claro que esse tipo de visão é muito polarizada. Não é porque o passado pode ser esquecido que ele deva ser esquecido. O passado pode ter uma função parecida do mito, no sentido de nos dar exemplos, de nos fazer refletir sobre o presente. Quando o mito diz que Eva e Adão comeram do fruto proibido e que, graças a isso, Jeová expulsou o casal primordial do Jardim do Éden, a importância não é explicar literalmente o passado, mas ajudar a entender o presente. Essa história não teria valor nenhum se não fosse pela sua simbologia, ela ajuda a entender o pecado, a relação entre o homem e a mulher, a questão do conhecimento, do prazer e de várias coisas a partir da visão bíblica.

No mundo menos espiritual que vivemos hoje em dia, muitas vezes os mitos místicos não conseguem mais nos servir como guia para avaliar o presente e a história materialista acaba cumprindo essa função. Experimente tentar ver um personagem icônico como Hitler de uma forma menos polarizada e veja a reação das pessoas. Muitas delas não irão aceitar com facilidade. Um personagem demonizado como Hitler é importante para reforçar certos valores atuais, o valor de ainda sabermos quem ele era e o que ele fez não é apenas o mero registro. O que importa é que ele acabou se tornando, no imaginário coletivo, uma personificação dos erros da civilização no século XX. A trajetória dele e do nazismo mostrou para onde o racionalismo impessoal e a supervalorização do progresso técnico-científico pode nos levar se não houver uma maior reflexão crítica desses processos.



É claro que isso é só a minha visão e que a música em si valoriza muito mais o hoje do que eu, particularmente. Na tradução dessa letra no Whiplash, o tradutor diz que essa música foi uma resposta aos críticos que insistiam em lembrar do início glam metal da banda. Caso isso seja verdade, a mensagem é clara: você deve avaliar a qualidade de algo baseado apenas nele, não deve deixar os preconceitos ofuscar a verdadeira essência do presente. Não é porque o Sol nasce todos os dias no horizonte que ele vai continuar nascendo para sempre, e nada impede que a aurora de amanhã seja a mais bela de todas.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Raio X: These Days - Não restou ninguém a não ser nós




Eu andava por aí, apenas mais um na multidão
Tentando me proteger da chuva
Quando vi um rei mendigo, com sua coroa de isopor
E imaginei se um dia terminaria assim também.

Há um homem na esquina cantando velhas canções sobre mudanças
Todos têm sua cruz para carregar nos dias de hoje.
Ela veio procurando por abrigo, com sua mala cheia de sonhos
Veio para um quarto de motel na avenida
Acho que ela estava tentando ser James Dean
Ela conheceu todos os discípulos, e todos os imitadores
Ninguém quer ser si mesmo nos dias de hoje.
E, ainda assim, não há nada em que se agarrar hoje em dia.

Hoje em dia, as estrelas parecem fora de alcance
Hoje em dia, não há uma escada sequer nas ruas
Os dias de hoje passam rápido, e nada dura nesta época perdida
Não restou ninguém a não ser nós, nos dias de hoje.

Jimmy Shoes quebrou suas duas pernas tentando aprender a voar
De uma janela do segundo andar ele simplesmente saltou, de olhos fechados
Sua mãe o chamou de louco, e ele disse “Mãe, eu tenho que tentar”
“Você não sabe que todos os meus heróis morreram?
E acho que eu preferiria morrer a ser esquecido.”

Hoje em dia, as estrelas não estão fora de alcance
Mas, hoje em dia, não há uma escada sequer nas ruas
Os dias de hoje passam rápido, e nada dura nesta época perdida
Até mesmo a inocência se foi no trem da meia-noite    
E não restou ninguém a não ser nós, nos dias de hoje.

Eu sei que Roma ainda arde em chamas
Mesmo que os tempos tenham mudado
Este mundo continua girando, e girando, e girando
Nos dias de hoje.

Hoje em dia, as estrelas não estão fora de alcance
Mas, hoje em dia, não há uma escada sequer nas ruas
Os dias de hoje passam rápido, o amor não perdura nesta época perdida
Até mesmo a inocência se foi no trem da meia-noite

Hoje em dia, as estrelas não estão fora de alcance
Mas, hoje em dia, não há uma escada sequer nas ruas
Os dias de hoje passam rápido, nada dura, não há tempo a perder
E não sobrou ninguém para levar a culpa
E não restou ninguém a não ser nós, nos dias de hoje.



Hoje temos um Raio X especial e diferente. Especial porque é o primeiro texto do blog que não foi escrito por mim (Vinícius), mas pelo meu grande amigo Daniel Santa Cruz. Também é um texto diferente porque trata de uma banda que não tem muita ligação com o metal, apesar de ter muita ligação com bandas de Hard Rock americano dos anos 80. Acredito que muitos que acompanham o blog não o acompanham apenas por que trata de heavy metal, mas porque gostam de textos que fazem refletir, e Bon Jovi é cheio de músicas inteligentes. Eu sou muito fã da banda e gostei muito do texto, espero que vocês também gostem, fiquem com a análise tensa e sóbria de Daniel.

O ano era 1995. Depois de uma época considerada por muitos a “década perdida” (os anos 1980), o mundo experimentava os primeiros anos de uma geopolítica estadunidense oficialmente hegemônica, após quatro décadas de Guerra Fria. Alguns anos após a queda do Muro de Berlim, parecia haver um vazio de objetivos a atingir.

E esse contexto parece ter inspirado These Days, o disco mais soturno do Bon Jovi. A banda sempre teve em suas canções um forte componente sentimental até Keep The Faith, que em 1992 marcou uma transição para letras mais políticas, culminando no álbum significativamente negativista que o sucedeu em 95.

These Days, faixa-título do álbum, expressa muito bem essa mudança da temática de sexo, drogas e rock and roll, característica do hard rock dos anos 70 e 80, para uma visão mais crítica da sociedade.

Não há nem muito que analisar, é tudo quase literal. As pessoas, nos dias de hoje, ainda buscam seus heróis mortos de outrora, sem nada que possa sustentar seus sonhos. O homem tem as estrelas a seu alcance, mas não consegue tocá-las, pois só quem restou fomos nós, pessoas comuns. E mesmo a inocência, enfim, pegou o último trem e foi-se embora.

Não temos personalidade própria, e nossos ideais ainda são resquícios do passado.



Pesado, não? Pois é. Essa letra me atrai pelo fato de – além de ser uma mudança radical na banda que anos antes gravara “I’ll Be There for You”, clássico dos corações partidos – ser extremamente atual.

Quem são nossos grandes ídolos hoje? Olhando para a música, os únicos que poderiam ostentar tal título ou estão mortos, ou estão bem velhos. Quais são os grandes ideais, numa época de mentes que se tornam mais volúveis e superficiais à medida que ficam mais tolerantes?

Gilles Lipovetsky* e Zygmunt Bauman** são dois caras muito interessantes que exploram essa característica acelerada, contraditória e insegura do mundo atual, ou hipermoderno – como diria Lipovetsky.

Segundo eles, as relações humanas hoje são pautadas pela superficialidade, pois são fundamentadas na rapidez e na volatilidade do mundo atual. As ideologias e convicções deram lugar a fragmentos de pensamento, trocados e modificados a cada instante como peças de roupa. Estamos conectados a cada vez mais pessoas, mas nossos laços são cada vez mais frágeis, convenientes e instáveis. E, segundo Bauman, o consumo acaba por preencher o espaço vazio antes ocupado por relações interpessoais mais profundas.

É, sem dúvida, uma análise pessimista da vida. E, em muitos pontos, concordo com ela.



Mesmo assim, acho que a ausência de certezas e a mudança de paradigmas que vivemos hoje podem ser benéficas. Não é à toa que os últimos regimes autoritários estão ruindo – interesses geopolíticos e econômicos à parte. As pessoas lentamente passam a aceitar as diferenças, e isso é bom, mesmo que signifique às vezes a perda de uma posição firme.

Mesmo sendo pessimista na maioria das vezes, insisto em crer que a humanidade tem salvação. E acredito que a salvação esteja na consciência de que estamos todos fodidos, nesta barca furada que chamamos de Terra, esta geoide maltratada que continua girando mesmo com todo o prejuízo que causamos a ela.

Lentamente, começamos a nos preocupar com o meio ambiente, com a miséria e com a escravidão moderna – ainda que para aplacar nossas consciências pesadas.

A passos de formiga, vamos aprendendo que somos todos seres humanos, e que nossa sobrevivência neste “milagre probabilístico” (gostaria de ter pensado nessa definição brilhante antes de meu grande amigo Vinícius) depende de uma mudança que deve começar agora, ainda que já seja meio tarde.

E você, concorda comigo?



*Gilles Lipovetsky é um filósofo francês. Recomendo: “Os Tempos Hipermodernos”.
** Zygmunt Bauman é um sociólogo polonês. Recomendo: “Modernidade Líquida”.
 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Raio X: Balls to the Walls - "Eles te farão beber o próprio sangue"




Tantos escravos neste mundo
Morrem por tortura e dor
Tantas pessoas não enxergam
Eles estão se mantando, enlouquecendo.

Tantas pessoas não sabem
Escravidão está sobre a raça humana
Eles acreditam que escravos sempre perdem
E este medo os mantém submissos

Cuidado com os condenados – Deus os abençoe
Eles vão quebrar as correntes
Não, você não pode detê-los – Deus os abençoe
Eles estão vindo te pegar!

E você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro
Você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro, Bolas no muro

Você pode confundir a mente deles
Você pode sacrificá-los também
Você pode deixa-los em carne viva
Você pode estuprar todos eles

Um dia os torturados se levantarão
E se revoltarão contra o mal
Eles te farão beber o próprio sangue
E te farão em pedaços

É melhor tomar cuidado com os condenados – Deus os abençoe
Eles vão quebrar as correntes
Não, você não pode detê-los  - Deus os Abençoe
Eles estão vindo para te pegar!

E você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro
Você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro, Bolas no muro

Vamos!

Ei cara, vamos nos erguer perante o mundo
Vamos enfiar uma bomba no cu de cada um
Se eles não nos deixarem viver
Nós vamos lutar pelos nossos direitos
Construa um muro com os corpos e você estará a salvo
Deixe o mundo apavorado
Vamos me mostre o sinal da vitória

E você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro
Você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro, Bolas no muro



Hoje farei um post totalmente contraditório com o raio x da semana passada, falarei da revoltada “Balls to the Walls” do Accept. A letra dessa música é daquelas que, de imediato, não toca no coração e nem faz refletir tanto – ela vai direto às entranhas e, se você se deixar levar, o sentimento de vingança e ódio se apodera imediatamente.

A música faz uma análise seca e amarga da sociedade: somos escravos. Apesar de a palavra ser forte, não chega a me surpreender este tipo de comparação. Levando essa análise para a época em que a música foi composta (1983), é importante lembrar que o muro de Berlim ainda estava de pé. O socialismo já estava em decadência e a geração que nasceu após a segunda guerra mundial já estava na casa dos 40 anos. Os motivos que dividiam a Alemanha em duas já não aparentavam tão legítimos. A diferença econômica entre essas duas Alemanhas já era gritante e clara, o muro de Berlim provavelmente foi a principal inspiração de Balls to the Walls.



Mas, pra mim, essa análise pode extrapolar a Guerra Fria e ainda pode ser aplicada a nossa realidade. Temos o nosso sentimento de liberdade, mas será que somos livres na prática? Já experimentou pensar em algum estilo de vida fora do padrão das “44 horas semanais”? Será que é realmente necessário que todos nós vivamos nossas vidas em função de nossa vida profissional? É difícil pensar em uma alternativa diferente dessas que não envolva diversos sacrifícios. Mas será que vale a pena gastar 26% de toda nossa semana? Atribuindo 1h diária para o transporte 1h para o almoço e 8h de sono, você tem para viver apenas um terço de sua semana, isso se você não faz nenhum tipo de curso.

Existem duas coisas que nos prendem nessa vida “padrão”. A primeira é a moral. Há a concepção de que o trabalho é necessário para a formação do caráter do indivíduo. Há uma ideia muito difundida de que não se pode ser “vagabundo”, e esse estigma é atribuído inclusive às pessoas que estudam e também às que trabalham de formas não convencionais (como free lancers, por exemplo). A segunda coisa é a valorização do consumo. Apesar de ser possível viver tranquilamente em um emprego que nos dê mais autonomia e tempo livre, há uma pressão para que tenhamos o máximo de produtos possíveis para que possamos nos encaixar nos padrões. Ter um carro, roupas de marca, frequentar lugares caros é muito mais importante para a sociedade do que ter tempo para aproveitar essas coisas.



Seja o opressor o capitalismo ou o socialismo, a música defende uma postura radical em favor da liberdade. A história da humanidade é preenchida por várias grandes civilizações em que poucos governavam e muitos obedeciam. Apesar dos avanços a lógica ainda permanece essa. É muito difícil destituir alguém do poder apenas com negociações, quanto mais toda uma classe. Os exemplos de verdadeiras mudanças de poder são sempre coloridos com muito sangue. Muitas vezes não percebemos que aqueles que estão no topo da sociedade morrem de medo do que os que não estão podem fazer. E, de acordo com a Balls to the Walls, eventualmente os “condenados” fazem alguma coisa.

Depois de um período de marasmo, estamos passando por uma época que as pessoas no mundo estão percebendo que algo precisa ser mudado. Os diversos movimentos que estão surgindo no mundo inspirados no “Ocupe Wall-Street” são uma demonstração que, pelo menos parte dos jovens, não vão mais aceitar o governo em favor dos 1% (que não são os motoqueiros do post anterior) e que os governos têm que dar um jeito de resolver a falta de renda que a crise de 2008 gerou. Que proporções esses movimentos vão tomar é difícil dizer, imagino que as coisas na Grécia ainda vão ficar muito feias, e é possível que jovens de países como Portugal e Espanha aprendam com o exemplo. Acho que a União Europeia está assinando seu atestado de óbito com a política de passar as dívidas contraídas para o povo. Enquanto eles não começarem a encontrar formas de produzir mais, a bola de neve das dívidas tende a crescer até que o povo tenha que tomar as rédeas da situação.