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domingo, 15 de janeiro de 2012

Review - Unbreakable: "Bad Guys" tocam heavy metal old school

Em um estilo musical com tantas bandas, estilos e tipos diferentes de fãs é normal que não seja um estilo estático. Aliás, é bem possível que a resistência que o heavy metal demonstra em não envelhecer venha do fato de estar sempre se reinventando. Claro que esse fenômeno tem seus efeitos colaterais, muitas bandas conseguem apresentar uma sonoridade interessante em seus primeiros CDs, ganham notoriedade com ela; mas, quando dão sequência em suas carreiras, fazem escolhas ruins e acabam vivendo de um ou dois CDs. Ou então há casos em que bandas se prendem tanto em um único tipo de sonoridade que começam a ficar repetitivas. O “Unbreakable” do Primal Fear não comete nenhum desses dois erros.
 


O Primal Fear é muito fiel a sua sonoridade e é o tipo de banda que corre o risco de ser repetitiva. Eu não duvido que haja pessoas que pensem isso do Unbreakable, porém o tipo de metal que o Primal Fear faz merece ser explorado mais. O som da banda é muito marcado por riffs, pelo vocal agudo do Scheepers e pelos refrões bem trabalhados. Descrever a sonoridade do Primal Fear é praticamente definir o heavy metal, exigir de bandas que fazem esse som mais “cru” que se atualizem, ou que se “modernizem” pode ser um tiro no pé. Primeiro porque teria que se admitir o risco de um CD muito mais artificial, segundo que ficaria um buraco no estilo. Lançamentos de bandas como Primal Fear, Judas Priest ou AC/DC são garantias de boas músicas, porque sabemos que eles não vão arriscar.

Claro que também não dá pra falar que o Primal Fear não muda. Fazendo uma análise da discografia da banda dá pra perceber um movimento. A banda em seus primeiros CDs era muito mais melódica, com músicas mais “arrastadas” por assim dizer. Mas essas mudanças não ocorreram de um CD para o outro, ela percorre toda a obra da banda, parecendo que foi algo não premeditado.


 
Unbreakable tem ótimas músicas, apesar de muitas parecidas entre si, o estilo do Primal Fear é difícil de enjoar. Gostei muito da “Give ‘em Hell”, da “And There Was Silence” e da “Blaze of Glory”. Eu acho muito legal também os temas das letras do álbum. Não tem tema melhor pra se fazer uma música de heavy metal que o próprio heavy metal e coisas como guerra, orgulho etc. O ano de 2012 começa já muito bem com Unbreakable, não deixe de ouvir.



domingo, 1 de janeiro de 2012

Review: The Landing - A hora do salvador de ferro voltar chegou!


Depois de um período razoável de férias do blog, estou de volta para mais um review! Esse e o próximo review ainda serão de álbuns lançados em 2011, mas a partir do meio do mês já começarei a acompanhar os CDs lançados em 2012. Com o blog acompanhando semana a semana os lançamentos do mundo headbanger, esse espaço vai acabar assumindo uma cara de “o melhor CD da semana”, a não ser em alguns casos em que dois ótimos CDs sejam lançados na mesma semana, ou uma semana sem nenhum CD interessante. Voltando ao post, a penúltima recomendação do que foi lançado em 2011 é o álbum “The landing” do Iron Savior.



O “The Landing” é um álbum interessante de power metal por ter uma sonoridade bem pesada e direta apesar de a maioria das letras terem temas épicos sobre fim do mundo e guerras contra demônios invencíveis. Normalmente quando uma banda faz um CD relativamente conceitual alguns elementos são utilizados para causar uma sensação de grandeza ou algo do tipo. Entre esses elementos, o uso constante de teclado, músicas grandes e refrões rebuscados são bons exemplos.

Mas no “The Landing” você não encontrará nada disso. Apesar de a grande maioria das músicas serem sobre o “salvador de ferro” que viajou pelas galáxias buscando uma resposta para conter o fim da humanidade (algo assim), ou sobre o vingador que veio do nada matar todos os invasores e trazer “justiça para a cidade”, a sonoridade dessas músicas é de um heavy metal bem à moda antiga, algo que o Judas Priest sempre fez muito bem. Pra quem gosta de um metal mais clássico, esse CD é uma ótima dica.



Eu gosto de todas as músicas desse álbum, deve ser pelo fato de ele não ter grandes variações (e também ser um álbum  curto, só 50 minutos). As que mais se destacaram talvez tenham sido a “The Savior”, a “Starlight” e a “Faster than All” As três parecem falar do mesmo personagem escolhido para salvar a humanidade. Tem também a “R U Ready” que faz uma homenagem aos clássicos do rock e do heavy metal. Não deixe de ouvir o “The Landing”!


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Raio X: The Land’s Revenge – A “Terra” dá voltas!


Olá leitores! Hoje quem “vos posta” sou eu, chamo Guilherme Euripedes, amigo do Vinícius de tempos inacabados e pedi espaço aqui no Filosofia Metal pra tirar um pouco do preto e acrescentar um pouco de verde nesse Heavy Metal aqui! Espero que gostem do post, reflitam e comentem sobre. Salute!

 

Eu me lembro quando este jogo começou há muito tempo atrás
Nossa relação era muito melhor do que é hoje
Antes havia muito respeito por ambas as partes do jogo
Agora parece que vocês esqueceram tudo isso.

Vocês têm ido muito longe sem olhar para trás
Vocês precisam se lembrar: sem mim suas vidas decairão

Eu pensei que vocês pudessem aprender com as coisas que se passaram
Eu estava esperançosa por uma estrada de beleza eterna
Agora é minha vez de lhe mostrar quão forte é minha vingança
Sem meu carinho e meu amor vocês cairão. Vocês vão ver.

Seria tão fácil para ambos se vivêssemos bem
E eu nunca lhe pedi muito – Nunca, Nunca...
Apenas pedi por atenção, união, amor e parceria
Vocês vêm matando partes de mim dia após dia

Rios, mares, lagos vocês têm sujado,
Madeira, árvores, animais vocês têm matado
Por que você não tira de mim apenas o que precisa?
Nossa existência seria maravilhosa meu amigo...

Esse é o último aviso que eu lhe dou:
Mude o modo que você age
Na terra eu estou.

Esse é o último aviso que eu lhe dou:
Mude o modo que você age
Na terra eu estou.





Quem de nós que nunca parou pra pensar sobre Sustentabilidade, futuro da humanidade na Terra e futuro da Terra com a humanidade que atire a primeira pedra.

Um dos assuntos TOP 3, ou mesmo TOP 1, das discussões políticas/econômicas mundiais é a questão do Desenvolvimento Sustentável, ou como hoje tem sido generalizado, Sustentabilidade.

Creio que uma introdução ao assunto seja desnecessária, já que se estão sendo capazes de ler este post num site da Internet, certamente em algum momento já foram de alguma forma inseridos a este assunto. Não saber que não só a Empresa X, mas o Mundo carece de um plano de Desenvolvimento Sustentável é como nunca ter ouvido falar dos famosos Beatles, ou de um homem menos famoso, Jesus.

Qualquer coisa pode ser considerada ou não “sustentável” e existem alguns fatores que conceituam algo como tal, o: economicamente viável, socialmente justo, culturalmente diverso e o ecologicamente correto. E é sobre este último principalmente que o Tuatha de Danann vem retratar com esta música.

Claramente “The Land’s Revenge” vem para dar um recado muito importante pela própria Mãe Natureza. Como mostrado nas últimas estrofes, se não mudarmos nosso jeito de agir, conheceremos de fato a “vingança da terra”.

Voltamos nossa atenção para temas como o Aquecimento Global, Camada de Ozônio e Efeito Estufa, problemas mais “palpáveis” e controversos, afinal muito cientistas afirmam que os ambientalistas, ONGs, Governos e outros cientistas estão exagerando quanto à grandiosidade do problema e, não suficiente, chegam a declarar que este é um problema pequeno comparado com o que o Planeta já passou. De fato é sim... O Planeta já passou por momentos mais difíceis, mas o que me assusta é como o Planeta vai resolver isto. Porque o problema não são os assuntos estudados, mas sim aqueles que estudam. O problema somos nós. Seres Humanos.

Não tiro a razão dos que dizem que o clima da Terra se move em ciclos e o aquecimento global é um fenômeno natural e normal. Mas outros problemas como a impermeabilização desprogramada do solo, despejo de dejetos químicos e tóxicos nos ar e na água, desmatamento acelerado, exacerbado e descontrolado, destruição de habitats naturais (consequentemente a dizimação da biodiversidade), derramamento de petróleo no mar... entre dezenas de outros problemas ambientais NÃO são naturais, portanto não são previstos pela Mãe Natureza, e assim ela não vai saber remediar.



Ouvindo a música e acompanhando sua voz, melodia e ritmo nos sentimos como transportados para as épocas onde o homem vivia ainda em clãs nômades, em perfeita comunhão com a natureza, tratando-a como deusa e respeitando suas necessidades. Mas com o constante progresso, principalmente após as Revoluções Industriais, vemos esse “jogo” saindo do equilíbrio e a corda sendo puxada mais forte por nós, seres humanos, juntamente com a música aumentando sua velocidade e deixando o clima mais pesado, como agora quando lemos as notícias na internet/jornal. Mas lembre-se, a corda sempre quebra do lado mais fraco, e acreditem, o lado mais fraco somos nós. Essa “mãe” não vai ter dó de expulsar o filho de casa por desobediência...

Acreditamos sermos não somente parte do mundo, mas chegamos notadamente ao ponto de agirmos como soberanos tiranos do planeta, escravizando outras formas de vida a nosso bel prazer, não somente para sobrevivermos. Insistimos em caçar animais por esporte ou em sua época de procriação, torturá-los para a doma ou para o entretenimento, arrancarmos sua pele ainda em vida, e acabamos com seu habitat natural, forçando-os a se adaptarem a viverem de formas adversas a sua natureza. Há poucos anos atrás condenávamos um homem que tratava uma outra etnia humana como animais, e hoje tratamos da mesma forma os próprios animais. O que antes era “Nazismo” hoje chamamos “Especismo”.

Será que estamos no caminho certo esquecendo nosso passado e negligenciando nosso futuro? Vendo pelo ponto de vista material ou espiritual, já passou da hora de voltarmos ao equilíbrio natural e rumarmos juntos com a Mãe por uma estrada bela e eterna. Sem ela com certeza decairemos mais ainda. O mundo dá voltas... a Terra há de se vingar.


Guilherme Euripedes tem um Blog chamado Live to Live For, que trata apenas de pensamento e poemas pessoais. Visitem! www.livetolivefor.blogspot.com



domingo, 27 de novembro de 2011

Review: Break the Silence - O CD no qual você pode cantar junto com os riffs!


O heavy metal é um estilo bem estigmatizado. Quem não o conhece muito bem, muitas vezes já imagina que é tudo meio barulhento e parecido. É muito comum alguém que não goste de rock não dar uma chance a uma banda se ela for de heavy metal, mesmo que essa banda faça um som bem acessível. Há, também, muito tempo que a música erudita saiu do cardápio da maioria das pessoas. Alguns poderiam dizer que esse tipo de sonoridade envelheceu. Claro que quem acredita nisso não ouve metal, muito menos Van Canto!



Van Canto é uma banda de Power Metal que usa o jeito “a capella” de se fazer música para causar um efeito épico foda. Graças a isso ficaram até que conhecidos devido aos ótimos covers de músicas de bandas de metal famosas. Mas, mesmo com toda essa peculiaridade, as músicas de composição própria são ótimas! Isso fica bem claro no CD da Banda o “Break the Silence”

O CD é uma mescla de covers e composições próprias. Acho que nos covers a falta da guitarra tira um pouco do peso das músicas, devido a isso as músicas mais leves combinam mais, como na Bed of Nails (melhor música do Alice Cooper, na minha opinião)  ou na Master of the Wind, que aliás ficou melhor que a versão original do Manowar e é uma das melhores músicas do Break the Silence. Mas a jóia do CD são as composições próprias. Pelo fato de ter vário bons vocalistas, eles podem criar diversas sonoridades que dão ao álbum um clima épico difícil de alcançar.



Entre Covers e músicas próprias, as recomendadas são a “If I Die in Battle”, a “Primo Victoria” e a “Neuer Wind”. Eu admito que tenho um defeito: dificilmente eu gosto de “baladinhas”, mas há exceções e normalmente envolvem um bom vocal, e não há banda melhor para eu abrir uma exceção do que o Van Canto com a sua “Spelles in Water”, foda. A banda não perde em nada por sua diferenciação, o que falta em peso, sobra em criatividade, Break the Silence é um CD que você não pode deixar de ouvir!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Raio X: Face the Emptiness - A história acabou antes mesmo de começar


 

A história acabou
Está finalizada, acabada
O sonho que você teve
Desapareceu na neblina

Parado na frente
Das ruinas do que você construiu
Chocado até os ossos
E esmagado

Quando gigantes caem e anjos choram
Você sabe – É difícil salvar o dia

A última palavra já está dita e feita
A história acaba onde ela começa
Você tem que encarar o vazio
Não tem como argumentar
Não tem como modificar
Você sabe
É aí que a chuva cai

Não há dúvida que você está acabado
A história termina sem nem começar
Venha e encare o vazio
Não há como se esconder
Você não pode correr, tem de ficar
Parado e assistir
A chuva caindo

Quanto mais alto você coloca seus objetivos
Mais fundo você pode cair
Algumas vezes a vida
Simplesmente não é Justa

Você é um guerreiro incansável
Você se levanta quando cai
Mesmos se você
Não conseguir entender ainda

A última palavra já está dita e feita
A história acaba onde ela começa
Você tem que encarar o vazio
Não tem como argumentar
Não tem como modificar
Você sabe
É aí que a chuva cai

Não há dúvida que você está acabado
A história termina sem nem começar
Venha e encare o vazio
Não há como se esconder
Você não pode correr, tem de ficar
Parado e assistir
A chuva caindo



Já vou me desculpando antecipadamente pela letra depressiva, mas considero que a mensagem passada na "Face the Emptiness" do Primal Fear vale a pena ser ouvida. Esse tipo de mensagem mais pessimista (ou realista, como acredito) é raro no Power Metal, normalmente, em músicas mais reflexivas do estilo, ou as músicas fomentam um sentimento de revolta, ou tentam te mostrar um lado positivo de algum tipo de aflição.

Quando estava traduzindo esta música, pensei seriamente em usar a palavra “estória” no lugar de “histórica” já que no inglês há a diferenciação entre history (disciplina que estuda o passado) e story (conto), mas percebi que ele mistura esses dois conceitos durante a música, como na ótima frase repetida na série Battlestar Galactica: All this has happened before, and all of it will happen again (tudo isso já aconteceu antes e tudo isso vai acontecer de novo). A música é uma repetição da mesma ideia: “encare o vazio, a hi(e)stória acaba antes de começar”. Mas essa ideia não é tão simples e é muito carregada de significado.



A música já começa falando que a história acabou, que os sonhos se perderam, que as ruinas do seu passado te esmagam; a música não te deixa nem respirar e já vai jogando pessimismo em você. Mas, pare para pensar, você deve ter vários planos e sonhos para seu futuro, principalmente se você for jovem. Mesmo que você seja o tipo de pessoa que vive o presente intensamente e deixa para se preocupar com o futuro só no futuro, não há como não criar grandes expectativas para o dia de amanhã. Não importa em qual área da sua vida você deposite sua confiança, você acredita que algo de bom está reservado para você, que você merece. Mas, mesmo que todas essas coisas se realizem, elas nunca são como imaginávamos, mesmo que já esperássemos, os problemas que surgem decorrentes de um futuro de sucesso (não importa em que esfera da vida) nunca são 100% previstos. É como se a angústia que tentamos aliviar hoje fosse irremediável.

Se mesmo quando as coisas ocorrem da forma que esperávamos não consigamos nos livrar da angústia; quando elas não acontecem, ou pior, quando os nossos sonhos ocorrem do avesso, esse sentimento de angústia se apodera da nossa alma e começamos a procurar um sentido para essas dificuldades, uma explicação. Apesar de, eventualmente, essa angústia se transformar em patologias, com o tempo acabamos cometendo os mesmos erros e sofrendo as mesmas decepções.



Há um momento em que se percebe na música a linha de pensamento para sustentar toda essa amargura, é o trecho: “Quando gigantes caem e anjos choram / Você sabe – É difícil salvar o dia”. Sempre estamos tentando salvar o dia, nem que seja só o nosso; mas nos frustramos, afinal não somos gigantes, muito menos anjos. Mesmo que você decida se alienar dos problemas a sua volta, pelo menos os seus problemas acabam, eventualmente, te revoltando.

Uma vez eu passei por uma situação que exemplifica bem esse sentimento de revolta despropositada. Certa vez, enquanto eu navegava na internet, me deparei com a notícia que em represália a ataques terroristas, o governo israelense havia atacado a faixa de gaza e deixado 1300 mortos e mais de 5.000 feridos. Aquilo era inaceitável! Claramente um ato condenável. Pelas imagens reproduzidas na reportagem que eu lia, os alvos principais eram civis; que, aliás, já sofriam o suficiente por viver como refugiados dentro de sua própria terra. A sensação de que eu precisava fazer algo para mudar aquela situação me preencheu como nunca antes uma notícia sobre algo em outro país havia feito. E era importante que eu fizesse algo que realmente interferisse; mas, em poucos segundos, eu percebi que aquilo não me pertencia e que eu estava fadado a tentar conscientizar as pessoas próximas a mim dos horrores acontecidos naquela região.



O sentimento que veio quando eu caí na real, é parecido com o que a música te aconselha a encarar. Mesmo que haja uma consciência responsável pelos rumos que o universo toma, ninguém é capaz de compreendê-los. Você não pode deixar essa angústia de que algo está faltando escondida dentro de ilusões, pois assim você nunca aprenderá a lidar com ela. Os momentos de angústia têm que ser aproveitados, pois é quando você está realmente angustiado, que você tem coragem de refletir sobre as suas ações. Quando as coisas parecem dar certo, talvez você tenha a ilusão de que está seguindo um caminho seguro, ou que algo no universo está olhando por você e te protegendo da imperfeição da vida. Mas quando isso não se confirma, é difícil se reerguer e recomeçar depois de toda a decepção.

Uma técnica legal que os caras usaram na letra para te causar estranhamento é escrever a letra falando direto com o interlocutor, toda música passa a mensagem para “você”, enquanto normalmente em questões mais abrangentes e determinantes o normal é falar para “nós”. Aparentemente o objetivo é chamar para reflexão, e eu também tentei usar essa técnica nesse texto, espero que não tenha sido muita pretensão.

Se aprendermos (agora parei de falar só de você) a lidar com a angústia, a encarar o vazio de nossa alma, entender que ele é parte estrutural de nossa mente; talvez consigamos traçar caminhos mais inusitados para a nós, formas mais realistas de enfrentar as dificuldades. Mesmo nos momentos de euforia, aprender a evitar as ilusões, evitar esconder a angústia no nosso subconsciente, talvez nos prepare para quando tivermos que cair na real.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Raio X: Born in a Mourning Hall - "Preso dentro de uma teia chamada vida"




“De fato isso foi quase uma explosão (fallout) real
Tudo está sob controle”
O narrador disse com um sorriso sério
Atrás de sua máscara
Ele sabia a verdade
“Eu trarei uma nova era de melhores caminhos”
O pregador da TV disse
“Apenas pague hoje
Pague hoje”

O mundo está vestido de preto
No dia do julgamento da terra
E eu?
Eu sei que isto não pode continuar
Sinais proibidos aumentam
Eu estou sentado em casa
E observando

Nascido em um aposento de lamentações
Nuvens pálidas temeram
A criança não nascida
Então ela cresceu com planos crescentes
De suicídio
Nascido em um aposento de lamentações
Sombras deixam o medo dentro
Aquele Peter Pan nunca irá alcançar
O outro lado

É aterrorizante
Excitante sentar em casa
E observar os campos em chamas
Ser hipnotizado pela cobra da TV

Obedeça, trabalhe duro
E não sinta raiva
Apenas simpatia pela alta classe
Não há chance de mudar as coisas
Porque eu sou

Nascido em um aposento de lamentações
Gritos silenciosos ocorrem
Quando o berço quebra
Sonhos destruídos não foram ouvidos
No outro lado
Nascido em um aposento de lamentações
Sombras deixam o medo
na criança recém-nascida
Aquele Peter Pan nunca irá alcançar
O outro lado

E eu sou parte da máquina
Um fantoche nas cordas
Um rebelde, outrora
Agora eu sou um homem velho

Eu sei que isto não pode continuar
Mas o fantasma chamado medo interior
Aleija minha língua
Meus nervos, minha mente
Queda eterna
Alguém corta as cordas
Eu não consigo me mexer
Para recuperar a coragem
Eu tenho que encarar a verdade
Mas não hoje
Adeus

Nascido em um aposento de lamentações
Preso dentro de uma teia chamada vida
O único jeito de sair dela logo
É o suicídio
Nascido em um aposento de lamentações
Almas pálidas constroem um mundo gelado
Cérebros infectados
Nunca alcançarão o outro lado
O outro lado



O post de hoje vai falar da ótima “Born in a Mourning Hall” do Blind Guardian! Se você gosta de músicas que não tenham apenas letras, mas sim poemas, Blind Guardian é a banda para você. Eles são mestres na arte da composição, eles elevam a arte de fazer heavy metal a outro patamar. Uma das coisas mais impressionantes é que eles conseguem fazer quase todas as músicas sem rimar e é muito difícil de perceber quando você ouve despreocupadamente. Além disso, a grande maioria das músicas dos caras são interpretações de obras de ficção, de momentos históricos ou de passagens mitológicas. O interessante é que eles não recontam as obras em suas músicas, eles revivem os personagens. Ouvir Blind Guardian cantando sobre um algo que você goste é uma experiência ímpar.

Born in a Mourning Hall foge um pouco da regra, pois o personagem que a banda nos apresenta está falando sobre a realidade atual (de 1996). Assim como em Paradise e Livin’ on a Chain Gang, o eu lírico começa assistindo TV, nesse caso a TV é o que motiva a reflexão sobre o mundo, principalmente pelo que ela não diz. Temos duas críticas já na primeira estrofe, mas elas se interligam. O jornalismo da TV tenta manter as pessoas em medo constante, no caso relatado, o medo é em relação a um acidente radioativo (fallout). Já a religião da TV se aproveita deste mesmo medo, para que você contribua financeiramente.

É interessante essa ideia de medo constante. Apesar de vivermos em um país violento, ninguém estranha termos vários programas que ficam “caçando” desgraça pelas ruas durante a tarde? Será que não há nenhum outro tipo de notícia para transmitir? Apesar de ser triste, não sei por que é tão importante que saibamos de todos os delitos cometidos durante o dia. A melhor explicação pra isso que eu já ouvi vem do documentário “Tiros em Columbine” de Michael Moore: Enquanto as pessoas estiverem com medo, não arriscarão subverter o status quo, enquanto não estiverem seguras em sair na rua, não vale a pena tentar resolver problemas mais urgentes. Esse tipo de argumento é ainda mais aprofundado no livro “1984” de George Orwell, onde o governo de “Oceania” está em guerra constante contra seus inimigos, muito provavelmente apenas para justificar todos os abusos de poder.



No decorrer da música somos apresentados a uma pessoa consciente das contradições do sistema, mas que se vê impossibilitada de agir. Aparentemente, o personagem descrito lutou contra tudo isso e falhou em seus objetivos. Mas não foi uma derrota física, foi uma derrota mental. A própria experiência de vida mostrou insistentemente que ele era muito insignificante perto da magnitude da estrutura estabelecida. Creio que muitas pessoas se sentem assim (eu sou uma delas): apesar de considerarem que o mundo poderia ser bem melhor, não encontram nenhum tipo de opção que traga algum horizonte de melhora. É claro que sempre podemos melhorar um pouco a vida das pessoas a nossa volta, mas com o tempo as coisas voltam a ser como sempre foram. A impressão é que nada nunca muda.

Porém, nos refrões, quem se comunica com o ouvinte é uma espécie de narrador que, através de metáforas, explicam o porquê de toda essa imobilidade. A impotência do personagem é muito mais interior do que exterior: Almas pálidas constroem um mundo gelado / Cérebros infectados / Nunca alcançarão o outro lado. O mundo em que vivemos é um pouco cruel nesse sentido. Diferentemente de outras épocas, em que as coisas eram como eram porque deveriam ser daquele jeito, qualquer um tem acesso fácil a diversos livros subversivos que vão do Manifesto Comunista até o Mein Kampf hoje em dia. Qualquer um que se interesse tem acesso aos mais diversos tipos de visão de mundo, mas somos tão condicionados a aceitar que o Estado e o sistema econômico são inatingíveis, que não enxergamos nenhum horizonte de mudança real, pelo menos não para melhor. É muito comum as pessoas não simpatizarem com seus governos e com o mundo em geral, mas mesmo assim, seus cérebros infectados não conseguem dar o primeiro passo em direção ao outro lado.

A mensagem que essa música passa é um pouco desanimadora, mas, apesar disso, ela causa um incômodo benéfico na minha opinião. A única coisa que não pode impedir-nos de fazer o que achamos certo é nós mesmos. Nunca saberemos se é possível mudar se não tentarmos, deixar de acreditar em algo sem antes tentar colocar em prática, pode ser um desperdício sem tamanho. Mesmo que acabemos como um rebelde frustrado, pelo menos teremos consciência que tentamos.


sábado, 22 de outubro de 2011

Review: Elysium - A volta dos que não foram


A troca de integrantes acontece muito freqüentemente no heavy metal. Quem acompanha bandas como Iron Maiden ou Helloween sabe do que eu estou falando. Algumas vezes a troca faz bem e outras não, mas ela acaba marcando a história da banda. Quando Bruce Dickinson entrou no Iron Maiden, ele foi o ingrediente final para se tornarem a maior banda de metal da história, já quando Kai Hansen saiu do Helloween, este nunca mais foi o mesmo (apesar de ser ainda muito bom, mas de forma diferente). Em 2008, Timo Tolkki anunciou o fim do Stratovarius, mas, em 2011, o álbum Elysium veio para mostrar que ele estava errado.



A saída de Tolkki da banda foi recheada de informações desencontradas, acusações e ofensas. Como era aoenas um contra três, da pra imaginar por que, ao invés de apenas sair da banda, Tolkki declarou o fim dela, sem nem consultar direito os outros integrantes: o cara parece ser meio “sentimental”. Dá pra ver também que a banda quase acabou por causa de dinheiro e só continuou por causa de dinheiro, mas isso é normal.

Não acredito que seja fácil fazer a mesma coisa por décadas e manter a mesma paixão, sem contar o fato de os caras terem contas para pagar, claro. Acho que não dá pra exigir que todas as bandas tenham aquele “jeitão” dos caras do Deep Purple ou do AC/DC que já tão velhinhos e mesmo assim parecem amar o que fazem. Porém, acho que é possível sim uma banda se manter foda, mesmo que os integrantes não gostem mais de estar no palco tanto assim. Acho que é o que acontece com a maioria das bandas com certa rodagem.


Não sei se Elysium é o resultado de uma banda de mercenários, mas não tem problema, o CD ainda é um Stratovarius! Se eu não soubesse o que tivesse acontecido, dificilmente teria percebido que Tolkki não era mais quem compõe as músicas. Elas continuam com melodias incríveis, letras edificantes em solos rápidos - em suma, ainda é Stratovarius. Gostei muito das músicas, me chamaram a atenção a “Event Horizon” e a “Under Flaming Skies”. Não deixe de ouvir o CD novo do conturbado, mas ainda vivo, Stratovarius!


sábado, 15 de outubro de 2011

Review: Epilson - Evocando as vozes do seu coração


No geral, as bandas de heavy metal cumprem muito bem o seu papel de “mau”. Algumas bandas fazem críticas severas ao sistema, outras ironizam a tradição e o costume, algumas também invocam seres mitológicos ligados a crueldade como temática e, muitas delas, simplesmente descrevem situações violentas sem nenhuma temática definida. Mas, apesar de ser totalmente válido esse lado maligno, algumas bandas são um pouco mais “felizes” e, entre elas, temos a finlandesa Dreamtale com o seu épico álbum intitulado “Epilson”.



Esse tipo de música fantasiosa que narra grandes eventos e evoca um heroísmo ideal, libera o que há de pior em mim. Não canso de ouvir discursos inflamados, frases de efeitos e coisas que se relacionam com coragem e senso de dever. Quando isso se mistura com linhas melódicas elaboradas e um refrão longo e épico, pronto, meu lado brega aflora e eu ouço aquelas músicas como se elas falassem de algo muito mais “real” do que realmente falam. Muito parecido com a sensação de que conhecemos os personagens dos livros que lemos em sua mais íntima personalidade, ou quando torcemos pelo protagonista de um filme cujo final vai ser feliz de qualquer forma.

Todos esses elementos podem ser encontrados à exaustão em Epilson. Dreamtale foge um pouco da tendência atual do Power metal de misturar elementos de hard rock ou thrash metal. Eles ainda fazem o que, aqui no Brasil, chamamos de metal melódico. O teclado é muito presente nas composições e a guitarra é um pouco menos presente que o normal para elevar a importância das linhas de vocal. 



Gostei muito da décima faixa do CD, a “March to Glory”. Aliás, quando eu comecei a ler a sua letra, tive a impressão que tratava de temas religiosos, de tão sério que a letra evoca a sua fantasia. Claro que quando a música narra um anjo de luz dançando com uma besta e diz que o “bom e o mau são o mesmo, pelo menos” as coisas ficaram mais claras. As músicas “Angel of Light” e “Stranger’s Ode”  também me chamaram muito a atenção. Não deixe de ouvir Epilson!