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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Profile: Thrash Metal - Agora a coisa ficou séria! (Parte 1)


O post de hoje é a primeira parte do profile sobre thrash metal. Nessa parte 1 focarei mais na origem do estilo e nas bandas clássicas. Daqui a duas semanas postarei sobre outras bandas do estilo que, apesar de não serem tããão famosas, ajudam ou ajudaram a manter o estilo vivo e forte até hoje.

Antes de termos uma banda de thrash metal propriamente dita, tivemos algumas músicas de algumas bandas que já continham elementos característicos do estilo, como os riffs mais rápidos e o vocal mais agressivo. De certa forma, o thrash metal começou como um heavy metal com mais punk e mais velocidade. Exemplos bons dessas músicas “pré-thrash” são Symptom Of The Universe do Black Sabbath e a Rapid Fire do Judas Priest.

Mas o estilo realmente nasceu em 1979 com a banda Venom, que também fazia parte do New Wave of British Heavy Metal. Pelo fato da banda estar inserida dentro desse movimento bem característico eles não são tão lembrados como os fundadores do estilo. Outra banda que já dá para considerar como thrash metal é o Motörhead, mas a sonoridade deles vai além do thrash e acabaram sendo considerados apenas como uma referência.


Apesar de, musicalmente falando, a Europa ter algumas bandas de thrash metal já no começo dos anos 80, o estilo ganhou uma visibilidade bem maior nos EUA. Em 1981 era formada uma das maiores bandas de metal de todos os tempos: o Metallica. A banda teve um início relativamente lento. Tudo começou quando Lars Ulrich (bateria) publicou um anúncio no jornal procurando pessoas para tocar em uma jam com Tygers of Pan Tang, Diamond Head e Iron Maiden. James Hetfield (guitarra e vocal) foi um dos que responderam. Apesar de não ter dado certo a Jam, a banda foi se formando aos poucos com a entrada de Dave Mustaine (Guitarra) e Cliff Burton (Baixo). Finalmente, em 1983, a banda lança seu primeiro álbum: o “Kill ‘Em All” que já continha músicas excepcionais como Whiplash e Seek and Destroy.

O segundo CD do Metallica, já com kirk Hammet no lugar de Dave Mustaine na guitarra, foi o “Ride the Lightning”, outro ótimo CD. Mas o álbum que muitos consideram a obra prima da banda é o Master of Puppets, o terceiro disco da carreira desses californianos. Este CD sempre figura nas listas de melhores CDs da história do Metal e não é pra menos, todo mundo que gosta de thrash metal clássico já deve ter decorado músicas como Battery e Master of Puppets. Talvez o “karma” pra criar um CD tão importante tenha sido demais para Burton, pois ele acabou morrendo em um acidente no ônibus da banda.

Com Jason Newsted no baixo a banda lançou o “... And Justice for All” que manteve o crescimento comercial da banda chegando ao 6º lugar na Billboard 200. É desse CD a música One, cujo vídeo causou controvérsia entre os fãs, devido o fato de alguns serem contra esse tipo de exposição mais comercial. O CD seguinte cujo nome é “Metallica”, mas que ficou conhecido como o “Black álbum”, mostrou uma mudança considerável na sonoridade da banda. Com músicas mais lentas e uma sonoridade um pouco mais leve, esse CD foi talvez o mais aclamado pela crítica e pelo publico em geral. Só quem não gostou muito foram os mais conservadores que consideraram o CD comercial de mais. É desse CD que vem algumas das músicas mais famosas da banda como Nothing Else Matters, Enter Sandman e Sad But True. Acho difícil que alguém que freqüente o blog não conheça Metallica, mas caso seja a sua situação, dica de música não faltou!


O momento em que Dave Mustaine saiu do Metallica devido às drogas e ao seu temperamento difícil acabou sendo a fundação de uma das maiores rivalidades da música. Após sair da banda, Dave Mustaine criou o Megadeth e a polêmica do Metallica X Megadeth se arrasta até os dias de hoje. Mas, para mim, não tem polêmica: Megadeth é melhor! Metallica é muito legal, foi importante para a fundação de uma das vertentes mais legais da música, mas são poucas as pessoas que compõem tão bem como Dave Mustaine. É do Megadeth o melhor CD de thrash metal na minha opinião: o “Rust in Piece”. Eu fico tão maravilhado com os riffs da Holy Wars, da Take no Prisioners e da Rust in Peace... Polaris. Que até esqueço a voz estridente do Mustaine.

O Megadeth é a prova que músicas bem feitas de metal pesado não precisam de um ótimo vocal, nem de uma simulação de possessão demoníaca. Sem contar que comparar os lançamentos recentes do Megadeth com os do Metallica é crueldade, enquanto o triunfo do Metallica hoje em dia é ser adorado por diversos “nichos”, o triunfo do Megadeth é levar o thrash metal e a arte da composição no heavy metal a um patamar superior. Além das músicas já citadas, não deixe de ouvir hinos do thrash metal como Trust e Symphony of Destruction, ou então a This Day We Fight que é uma das minhas preferidas da história recente da banda.


Voltando para 1981, outra banda de thrash metal estava nascendo na terra do tio Sam, o Slayer. Depois de algum tempo tocando covers de bandas como Iron Maiden e Judas Priest, a banda bancou, em 1983, o seu primeiro álbum intitulado “Show no Mercy” (Os discos do Slayer sempre têm nomes legais). Mesmo tendo sido produzido e divulgado de forma independente, a qualidade das composições se destacou e eles começaram a escrever a sua história na cena headbanger. Em 1985 a banda lançou o “Hell Awaits”, outro ótimo CD. Mas o primeiro álbum da banda a ter real notoriedade foi o “Raining Blood” de 1986. Este que é talvez o melhor álbum da banda e com certeza uma referência para o thrash metal tem duas das melhores músicas da banda: Raining Blood e Angel of Death. O lançamento do Raining Blood foi complicado devido à abordagem de temas polêmicos, como nazismo e religião.

Depois de alcançar notoriedade com o “Raining Blood”, o Slayer lançou álbuns com sonoridades bem peculiares, que agradaram alguns e desagradaram outros. O CD “South of Heaven“ é um pouco mais “melódico” e arrastado, o “Diabolus in Musica” incorporou alguns elementos de nu-metal e por aí vai. Apesar dessas variações, muita coisa boa foi lançada na história posterior da banda, músicas como South of Heaven, Seasons in Abyss e Bloodline são ótimos exemplos. Uma coisa que marca a obra da banda é a forma agressiva de lidar com temas complicados. Muitas bandas têm a sonoridade agressiva, mas poucos têm coragem de serem agressivos e polêmicos por completo, e menos ainda chegam aonde o Slayer chegou.


E para fechar o “Big Four”, outra banda que influenciou muito o estilo (e que também começou em 1981) é o Anthrax. O primeiro lançamento da banda foi o LP “Fistful of Metal”. Já em 1985 eles lançam o ótimo LP “Spreading The Disease” que contém músicas ótimas como Madhouse e A.I.R. Mas eles ainda conseguiram se superar em 1987 com o aclamado “Among the Living” que contém pérolas como a Caught in a Mosh, a Efilnikufesin e a Indians. A banda continuou lançando bons álbuns e experimentando misturas inusitadas com o RAP. Apesar de alguns altos e baixos o Anthrax continua firme e forte, vale a pena dar uma conferida!

Existem muitas bandas de thrash metal boas, essas só são as mais famosinhas e que deram a dimensão para o estilo, mas desde o começo da década de 80 o thrash também era produzido com muita qualidade na Europa, principalmente na Alemanha com bandas como Kreator, Destruction, Sodom e Tankard. E, mesmo no Brasil, temos o Korzus e o Sepultura dessa mesma época. Não vai dar pra falar de tudo, no próximo profile focarei mais nas bandas que eu gosto e recomendo, será algo mais pessoal mesmo. Continua!



domingo, 4 de dezembro de 2011

Review: The Great Execution - A sexta grande extinção está para chegar.


Quando o heavy metal começou, a sua principal marca era o místico, o obscuro, o terror. Com o tempo, o estilo foi se expandido e várias temáticas se tornaram tão comuns quanto o clássico terror. Porém não é fácil tirar uma identidade tão forte quanto o culto ao medo presente no início do heavy metal. Claro que, com o passar do tempo, as pessoas vão se acostumando com a linguagem do heavy metal e o terror das músicas do Black Sabbath já não são grande coisa (mas musicalmente continuam ótimas). Enquanto algumas bandas adotaram uma linguagem do medo mais light apenas como um aperitivo, outras bandas mais extremas criaram e recriaram novas linguagens para passar esse sentimento. Um ótimo exemplo para ilustrar o que eu estou falando é o CD novo do Krisiun, o “The Great Execution”.



As letras deste CD são muito bem escritas e totalmente incorretas, no bom sentido! Uma das melhores interpretações de uma arena de gladiadores que já ouvi está na faixa Violentia Gladiatore: “Corpos empalados em lanças de ferro, espetáculos de horror / A platéia da arena celebrando as bestas com um massivo rugido”. Isso é light ainda comparado com este trecho da Blood of Lions: “Aqui eu venho na velocidade de um som de assassinato / Cavalgando rápido nas asas de uma guerra infernal / No meu mundo apenas o mal glorifica, os caminhos do caos para purificar”. Tudo isso em meio de riffs muito bem elaborados e linhas de vocal muito bem feitas.

Em meio a essa linguagem extrema há uma forte crítica a humanidade, e o bode expiatório é, como de praxe, o cristianismo. As críticas seguem a linha parecida com as de Nietzsche; como, por exemplo, em um trecho da música que leva o nome do álbum: “Morto é o chamado salvador / A peste de cristo, eterna mentira universal / Colhendo rezas quebradas / Nos campos de engano, decadência e tristeza”. A fraqueza da humildade e a mentira da vida após a morte são outras críticas ao cristianismo presentes no álbum. Além de criticar a religiosidade da humanidade, critica também sua hipocresia e autodestruição, como no trecho da Extinção em Massa: “Atitude extrema / Falha no esquema / Queda no sistema / inverno nuclear / Morte por ganância / O fim por ignorância / A maquina não para / Não para de matar”



O death metal misturado com elementos de thrash metal forma uma das melhores misturas de estilos de metal. Krisiun o faz nesse CD de forma primorosa. As músicas que mais gostei foram a “The Great Execution” e a “Violentia Glatiatore”, mas o CD todo é ótimo. Apesar de não muito aconselhável para pessoas muito religiosas, ou pudicas, o The Great Execution é um dos CDs nacionais que não podem passar em branco na sua playlist.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Raio X: Yesterday Don't Mean Shit - Porque amanhã é o dia que temos que encarar



Não há nada especial nisso
Isso existe quer você nasça ou não
Pessoas dotadas com talento não são grande coisa
Bem-vindo à morte de um século.

Porque o ontem não significa nada
O que aconteceu, aconteceu e não há nada no meio
Ontem não significa nada
Porque o amanhã é o dia que você tem que encarar
Não há como voltar ao passado
Ontem não significa nada
Ontem não significa nada

Reviver velhas avaliações
É uma ferramenta inútil de confusão
Não prenda sua respiração para se virar
Entre no mundo de possibilidades infinitas

Porque o ontem não significa nada
O que aconteceu, aconteceu e não há nada no meio
Ontem não significa nada
Porque o amanhã é o dia que você tem que encarar
Não há como voltar ao passado
Ontem não significa nada
Ontem não significa nada

Eles irão te falar sobre culpa
E na hora certa você enfrentará a escuridão
Mas a escuridão é uma amiga para você
Abrace e voe através da loucura
Voando passados Deus, guerras e conflitos
O opressor em você
Arando pelas mentes e paranoia
O opressor em você
O opressor está em você

Porque o ontem não significa nada
O que aconteceu, aconteceu e não há nada no meio
Ontem não significa nada
Porque o amanhã é o dia que você tem que encarar
Não há como voltar ao passado
Ontem não significa nada
Ontem não significa nada

Ontem não significa porra nenhuma

Para te proteger e eu guardarei pra mim mesmo
É assim que tem que ser!



O Raio X de hoje é de uma música que vai mais direta ao ponto do que de costume. Como uma boa música de thrash metal, a melhor forma de passar uma ideia é mostrar claramente o que você pensa sobre o assunto, sem muitos rodeios. A significação do passado é o alvo da “Yesterday Don’t Mean Shit” do Pantera.

A tese da música é clara: O passado não importa, o que realmente importa é como você vive o “hoje”. Não acho que a intenção seja o esquecimento completo do passado, mas sim a sua superação. A impressão que a música passa é que o passado não deve ser um peso na hora de lidar com o presente, quando erramos temos que ser fortes o suficiente para não deixar esses erros influenciarem negativamente nossas decisões.

Acho que o auge da música é o trecho: “Ontem não significa nada porque o amanhã é o dia que você tem que encarar”. A ideia, apesar de simples, carrega um conselho muito difícil de ser seguido. Muitas vezes agimos de forma errada, ou, pelo menos, contra nossa vontade, para concertar equívocos do passado. Deixamos de ser e fazer o que queremos pelo que éramos e acreditávamos anteriormente. Algumas vezes é difícil aceitar as mudanças, é difícil perceber que as nossas antigas convicções não mais fazem sentido e que não nos tornamos quem nós projetamos.

Tente se lembrar de como você era há 10 anos, você se reconheceria hoje? Esse seu “eu” do passado se orgulharia do que você se tornou? Ele concordaria com suas crenças atuais, com suas visões de mundo, com sua rotina e com todo o resto que faz você querer sair da cama e enfrentar um novo dia? Acredito que a mensagem da música é que isso não importa mais, porque nós mudamos e isso é bom.



Quem leu o livro 1984 de George Orwell (se ainda não leu, você não sabe o que está perdendo!) deve se lembrar da visão do personagem O’Brien da realidade (que resumia a visão do partido único opressor): A realidade só existe no espírito e em nenhuma outra parte. O personagem questiona Winston, protagonista do livro, se o passado existe em algum lugar, se ele está acontecendo paralelamente ao presente. A conclusão de Winston é que o passado existe apenas nos registros e na memória das pessoas. Porém, a partir disso, O’Brien mostra que o passado não é algo fixo, considerando que o partido controla os registros e que a mente individual é falha.

Essa referência ajuda a reforçar a relativização que a “Yesterday don’t Mean Shit” faz do passado. O passado não é uma “coisa”, ele não é algo que existe fora da gente. Se um vírus surgisse e acabasse com a vida na terra, nada do que aconteceu antes teria a menor importância para o resto do universo (a não ser que outros seres inteligentes resolvessem estudar nossa história). O que a gente faz e as coisas que acontecem desaparecem no exato instante seguinte, a não ser que fique registrado na memória de alguém, ou em alguma outra forma de registro. Filosoficamente falando, os nossos fantasmas do passado só nos assombram porque nós permitimos, o que passou não tem existência necessária, essas coisas só influenciam o presente se alguém não for capaz de esquecê-las.



Claro que esse tipo de visão é muito polarizada. Não é porque o passado pode ser esquecido que ele deva ser esquecido. O passado pode ter uma função parecida do mito, no sentido de nos dar exemplos, de nos fazer refletir sobre o presente. Quando o mito diz que Eva e Adão comeram do fruto proibido e que, graças a isso, Jeová expulsou o casal primordial do Jardim do Éden, a importância não é explicar literalmente o passado, mas ajudar a entender o presente. Essa história não teria valor nenhum se não fosse pela sua simbologia, ela ajuda a entender o pecado, a relação entre o homem e a mulher, a questão do conhecimento, do prazer e de várias coisas a partir da visão bíblica.

No mundo menos espiritual que vivemos hoje em dia, muitas vezes os mitos místicos não conseguem mais nos servir como guia para avaliar o presente e a história materialista acaba cumprindo essa função. Experimente tentar ver um personagem icônico como Hitler de uma forma menos polarizada e veja a reação das pessoas. Muitas delas não irão aceitar com facilidade. Um personagem demonizado como Hitler é importante para reforçar certos valores atuais, o valor de ainda sabermos quem ele era e o que ele fez não é apenas o mero registro. O que importa é que ele acabou se tornando, no imaginário coletivo, uma personificação dos erros da civilização no século XX. A trajetória dele e do nazismo mostrou para onde o racionalismo impessoal e a supervalorização do progresso técnico-científico pode nos levar se não houver uma maior reflexão crítica desses processos.



É claro que isso é só a minha visão e que a música em si valoriza muito mais o hoje do que eu, particularmente. Na tradução dessa letra no Whiplash, o tradutor diz que essa música foi uma resposta aos críticos que insistiam em lembrar do início glam metal da banda. Caso isso seja verdade, a mensagem é clara: você deve avaliar a qualidade de algo baseado apenas nele, não deve deixar os preconceitos ofuscar a verdadeira essência do presente. Não é porque o Sol nasce todos os dias no horizonte que ele vai continuar nascendo para sempre, e nada impede que a aurora de amanhã seja a mais bela de todas.


sábado, 12 de novembro de 2011

Review: Th1rt3en - O Monstro da Expectativa


Fico sempre na expectativa quando certas bandas estão para lançar um CD. Algumas bandas a gente sabe que estão em decadência e a gente espera um CD revolucionário que vá mantê-la na ativa por mais tempo. Outras bandas estão em ótima fase e a gente já espera o CD como se já soubesse o que iria ouvir e o que iria achar. “Th1rt3en” do Megadeth estava no segundo caso.



Houve uma época no ano passado que eu comecei a correr atrás de ouvir coisas novas, ouvi muita coisa diferente. Eu conheci muitas bandas que ouço com muita freqüência até hoje e resgatei algumas bandas que estavam um pouco esquecidas nos meus playlists. Uma delas foi o Megadeth com o “Endgame”, o penúltimo CD deles. A primeira vez que eu ouvi, já achei bem legal e com o tempo acabou virando um dos meus preferidos álbuns de thrash metal. Quando soube que os caras lançariam mais um álbum esse ano eu já projetei que seria um dos melhores. Apesar de inevitável, esse tipo de expectativa dificilmente é benéfico.

Quando eu parei para ouvir o Th1rt3en, a única coisa que passava, inevitavelmente, na minha cabeça era: isso não é o Endgame, a ponto de eu até achar, no primeiro momento, que o CD não era tão bom. Agora, duas semanas depois, percebo qual é o problema do álbum: Ele é sim parecido com o Endgame e, exatamente por isso, me decepcionou naquele instante. Pensando um pouco no momento em que ouvi os dois CDs, o que eu esperava com o Th1rt3en era ser surpreendido da mesma forma como fui com o Endgame, mas, pelo fato de serem parecidos, não consegui perceber a semelhança e a qualidade do novo lançamento do Megadeth.



No fim das contas, o Th1rt3en é ótimo. Ele segue a linha das composições do Megadeth, linhas de guitarra e vocal muito bem encaixadas, letras engraçadas e inteligentes, um ritmo legal de acompanhar por todo álbum sem muitas quebras. Não dá pra não admitir que Dave Mustaine é um dos melhores compositores de Heavy Metal e é sempre bom dar uma chance e escutar de novo as músicas do cara, mesmo que talvez desagrade em um primeiro momento. Gostei muito da “Whose Life (Is It Anyways)” e da “Never Dead”. No fim das contas, Th1rt3en acabou sendo, pra mim, um dos melhores álbuns do ano. Ouça!


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Raio X: Angel of Death - Descrevendo o nazismo pelo seu lado mais perverso




Atenção: Esta música contém descrições detalhadas de processos de tortura.

Auschwitz, a verdadeira dor
O jeito que eu quero que você morra
Morte lenta, decadência imensa
Chuveiros que lhe purificam a vida

Forçados
Como gado vocês correm
Despojado do valor de sua vida
Rato humano, para o anjo da morte
Mais de quatrocentos mil para morrer

Anjo da morte
Monarca do reino dos mortos

Sádico, cirurgião da morte
Sadista do mais nobre sangue
Destruindo, sem piedade
Para beneficiar a raça ariana

Cirurgia, sem anestesia
Sinta a faca te perfurando intensamente
Inferior, sem utilidade para humanidade
Amarrado, gritando loucamente para morrer

Anjo da morte
Monarca do reino dos mortos
Açougueiro infame
Anjo da morte

Bombeado com fluido, dentro do cérebro
A pressão no seu crânio começa a
Empurrar os seus olhos
Carne queimando, pingando
Testes mentais queimam sua pele
Sua mente começa a ferver

Frio frígido quebra os seus membros
Quanto tempo você consegue aguentar
Neste funeral de água congelada?
Costurados juntos, juntando cabeças
Apenas uma questão de tempo
Até vocês serem esquartejados

Milhões jazem nas suas
Tumbas lotadas
Jeitos perversos de alcançar
O Holocausto

Mares de sangue, vida enterrada.
Sinta o cheiro de sua morte enquanto você queima
Lá no fundo, dentro de você
Abacinar, olhos que sangram
Rezando para o fim       
Do seu bem desperto pesadelo

Asas de dor buscam você
Sua face de morte te encarando
Seu sangue correndo frio
Injetando células, olhos mortais
Se alimentando dos gritos dos
Mutantes que ele está criando

Vítimas patéticas e inofensivas
Deixadas para morrer
Desprezível anjo da morte
Voando livre

Anjo da morte
Monarca do reino dos mortos
Açougueiro infame
Anjo da morte



"Angel of Death" do Slayer é uma das músicas mais controversas do heavy metal. Acredito que quem ouve esta música e a encara como apologia ao nazismo, parou de ler nos primeiros versos. Mas, mesmo assim, essa foi uma interpretação muito comum na data de seu lançamento, isso ainda é agravado pelo interesse que Jeff Hanneman (compositor da música) tem por medalhas nazistas.

O “Anjo da Morte” tratado na música é um médico nazista chamado Josef Mengele que ministrava experiências com os prisioneiros de Auschwitz. A música foca no sofrimento de suas experiências e traz um sentimento de angústia por toda a letra. A forma como Hanneman descreve as torturas é desesperadora, trata de coisas que nem passam por nossas cabeças quando pensamos em tortura. Quando ele diz “costurados Juntos” (Sewn Together), talvez ele esteja se referindo a experiência realizado com gêmeos, que tinham suas veias interligadas, algo que só um nazista fanático, e um grande filho da puta, pensaria.

Uma das principais críticas à música é que ela não deixa claro que os nazistas são maus, eu discordo totalmente. Quem lê essas palavras e não fica imediatamente revoltado, deve ter algum tipo de sadismo perverso. Na própria música ele fala que o tal do Mengele era um cara desprezível, infame e perverso. A resposta de Hanneman, quando perguntado dessa omissão é bem clara: “Nada do que eu pus na letra diz necessariamente que ele era um cara mau, porque para mim, bem, não é óbvio? Eu não deveria ter que te dizer isso”.



O que talvez incomode um pouco quem não gosta da música é o seu clima de documentário, a música é muito mais descritiva do que argumentativa. Talvez um nazista sádico consiga gostar do que está escrito e se identificar com o tal anjo da morte, mas no contesto de uma banda americana com integrantes de diversas etnias, é muita ingenuidade rotular Angel of Death como apologia ao nazismo.

Há quem acredite que, apesar de não fazer apologia, a música banaliza o sofrimento causado pelas atrocidades dos campos de concentração e defende que o tema não deva ser tratado de determinadas formas. Eu acho isso um terrível engano, quanto mais ouvirmos falar sobre o Holocausto, mais tentaremos evitar que ele se repita. Hoje há algumas pessoas - como Ahmadinejad, presidente do Irã. – que acreditam que o Holocausto não aconteceu. Muitas pessoas não sabem da sua gravidade e uma música como Angel of Death mostra que é algo que não pode se repetir.



Na minha opinião, o que os nazistas fizeram com seus prisioneiros - tanto judeus, como ciganos, russos e poloneses - em Auschwitz, é a demonstração que não podemos vacilar em relação aos direitos humanos. Se olharmos para Alemanha do século XIX, vemos um país com grandes filósofos e artistas, uma grande oposição ao utilitarismo tão em voga na época, grandes pensadores, que valorizavam a força dos indivíduos em relação ao todo. Esse mesmo país, devido ao turbulento início do século XX, acabou mudando a ponto de se tornar irreconhecível na mão dos nazistas, e o que no começo era, para o povo, um projeto de construção de uma grande nação, acabou se transformando em um estado totalmente despótico.

Quando passamos por determinadas crises, muitas vezes é mais fácil apontar um inimigo, qualquer que seja, ao invés de tratar o problema da forma correta. As pessoas são manipuláveis e o ódio une muito mais que respeito. É preciso sempre respeitar os indivíduos e seus direitos inalienáveis não importa quem seja. Qualquer tipo de violação de direito pode sempre se voltar contra você. Ter consciência dos erros do passado é muito mais frutífero do que fingir que nunca aconteceu. Uma música como Angel of Death é claramente uma denuncia do que o ser humano é capaz, e é extremamente importante que saibamos disso.