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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Profile: Thrash Metal - Agora a coisa ficou séria! (Parte 1)


O post de hoje é a primeira parte do profile sobre thrash metal. Nessa parte 1 focarei mais na origem do estilo e nas bandas clássicas. Daqui a duas semanas postarei sobre outras bandas do estilo que, apesar de não serem tããão famosas, ajudam ou ajudaram a manter o estilo vivo e forte até hoje.

Antes de termos uma banda de thrash metal propriamente dita, tivemos algumas músicas de algumas bandas que já continham elementos característicos do estilo, como os riffs mais rápidos e o vocal mais agressivo. De certa forma, o thrash metal começou como um heavy metal com mais punk e mais velocidade. Exemplos bons dessas músicas “pré-thrash” são Symptom Of The Universe do Black Sabbath e a Rapid Fire do Judas Priest.

Mas o estilo realmente nasceu em 1979 com a banda Venom, que também fazia parte do New Wave of British Heavy Metal. Pelo fato da banda estar inserida dentro desse movimento bem característico eles não são tão lembrados como os fundadores do estilo. Outra banda que já dá para considerar como thrash metal é o Motörhead, mas a sonoridade deles vai além do thrash e acabaram sendo considerados apenas como uma referência.


Apesar de, musicalmente falando, a Europa ter algumas bandas de thrash metal já no começo dos anos 80, o estilo ganhou uma visibilidade bem maior nos EUA. Em 1981 era formada uma das maiores bandas de metal de todos os tempos: o Metallica. A banda teve um início relativamente lento. Tudo começou quando Lars Ulrich (bateria) publicou um anúncio no jornal procurando pessoas para tocar em uma jam com Tygers of Pan Tang, Diamond Head e Iron Maiden. James Hetfield (guitarra e vocal) foi um dos que responderam. Apesar de não ter dado certo a Jam, a banda foi se formando aos poucos com a entrada de Dave Mustaine (Guitarra) e Cliff Burton (Baixo). Finalmente, em 1983, a banda lança seu primeiro álbum: o “Kill ‘Em All” que já continha músicas excepcionais como Whiplash e Seek and Destroy.

O segundo CD do Metallica, já com kirk Hammet no lugar de Dave Mustaine na guitarra, foi o “Ride the Lightning”, outro ótimo CD. Mas o álbum que muitos consideram a obra prima da banda é o Master of Puppets, o terceiro disco da carreira desses californianos. Este CD sempre figura nas listas de melhores CDs da história do Metal e não é pra menos, todo mundo que gosta de thrash metal clássico já deve ter decorado músicas como Battery e Master of Puppets. Talvez o “karma” pra criar um CD tão importante tenha sido demais para Burton, pois ele acabou morrendo em um acidente no ônibus da banda.

Com Jason Newsted no baixo a banda lançou o “... And Justice for All” que manteve o crescimento comercial da banda chegando ao 6º lugar na Billboard 200. É desse CD a música One, cujo vídeo causou controvérsia entre os fãs, devido o fato de alguns serem contra esse tipo de exposição mais comercial. O CD seguinte cujo nome é “Metallica”, mas que ficou conhecido como o “Black álbum”, mostrou uma mudança considerável na sonoridade da banda. Com músicas mais lentas e uma sonoridade um pouco mais leve, esse CD foi talvez o mais aclamado pela crítica e pelo publico em geral. Só quem não gostou muito foram os mais conservadores que consideraram o CD comercial de mais. É desse CD que vem algumas das músicas mais famosas da banda como Nothing Else Matters, Enter Sandman e Sad But True. Acho difícil que alguém que freqüente o blog não conheça Metallica, mas caso seja a sua situação, dica de música não faltou!


O momento em que Dave Mustaine saiu do Metallica devido às drogas e ao seu temperamento difícil acabou sendo a fundação de uma das maiores rivalidades da música. Após sair da banda, Dave Mustaine criou o Megadeth e a polêmica do Metallica X Megadeth se arrasta até os dias de hoje. Mas, para mim, não tem polêmica: Megadeth é melhor! Metallica é muito legal, foi importante para a fundação de uma das vertentes mais legais da música, mas são poucas as pessoas que compõem tão bem como Dave Mustaine. É do Megadeth o melhor CD de thrash metal na minha opinião: o “Rust in Piece”. Eu fico tão maravilhado com os riffs da Holy Wars, da Take no Prisioners e da Rust in Peace... Polaris. Que até esqueço a voz estridente do Mustaine.

O Megadeth é a prova que músicas bem feitas de metal pesado não precisam de um ótimo vocal, nem de uma simulação de possessão demoníaca. Sem contar que comparar os lançamentos recentes do Megadeth com os do Metallica é crueldade, enquanto o triunfo do Metallica hoje em dia é ser adorado por diversos “nichos”, o triunfo do Megadeth é levar o thrash metal e a arte da composição no heavy metal a um patamar superior. Além das músicas já citadas, não deixe de ouvir hinos do thrash metal como Trust e Symphony of Destruction, ou então a This Day We Fight que é uma das minhas preferidas da história recente da banda.


Voltando para 1981, outra banda de thrash metal estava nascendo na terra do tio Sam, o Slayer. Depois de algum tempo tocando covers de bandas como Iron Maiden e Judas Priest, a banda bancou, em 1983, o seu primeiro álbum intitulado “Show no Mercy” (Os discos do Slayer sempre têm nomes legais). Mesmo tendo sido produzido e divulgado de forma independente, a qualidade das composições se destacou e eles começaram a escrever a sua história na cena headbanger. Em 1985 a banda lançou o “Hell Awaits”, outro ótimo CD. Mas o primeiro álbum da banda a ter real notoriedade foi o “Raining Blood” de 1986. Este que é talvez o melhor álbum da banda e com certeza uma referência para o thrash metal tem duas das melhores músicas da banda: Raining Blood e Angel of Death. O lançamento do Raining Blood foi complicado devido à abordagem de temas polêmicos, como nazismo e religião.

Depois de alcançar notoriedade com o “Raining Blood”, o Slayer lançou álbuns com sonoridades bem peculiares, que agradaram alguns e desagradaram outros. O CD “South of Heaven“ é um pouco mais “melódico” e arrastado, o “Diabolus in Musica” incorporou alguns elementos de nu-metal e por aí vai. Apesar dessas variações, muita coisa boa foi lançada na história posterior da banda, músicas como South of Heaven, Seasons in Abyss e Bloodline são ótimos exemplos. Uma coisa que marca a obra da banda é a forma agressiva de lidar com temas complicados. Muitas bandas têm a sonoridade agressiva, mas poucos têm coragem de serem agressivos e polêmicos por completo, e menos ainda chegam aonde o Slayer chegou.


E para fechar o “Big Four”, outra banda que influenciou muito o estilo (e que também começou em 1981) é o Anthrax. O primeiro lançamento da banda foi o LP “Fistful of Metal”. Já em 1985 eles lançam o ótimo LP “Spreading The Disease” que contém músicas ótimas como Madhouse e A.I.R. Mas eles ainda conseguiram se superar em 1987 com o aclamado “Among the Living” que contém pérolas como a Caught in a Mosh, a Efilnikufesin e a Indians. A banda continuou lançando bons álbuns e experimentando misturas inusitadas com o RAP. Apesar de alguns altos e baixos o Anthrax continua firme e forte, vale a pena dar uma conferida!

Existem muitas bandas de thrash metal boas, essas só são as mais famosinhas e que deram a dimensão para o estilo, mas desde o começo da década de 80 o thrash também era produzido com muita qualidade na Europa, principalmente na Alemanha com bandas como Kreator, Destruction, Sodom e Tankard. E, mesmo no Brasil, temos o Korzus e o Sepultura dessa mesma época. Não vai dar pra falar de tudo, no próximo profile focarei mais nas bandas que eu gosto e recomendo, será algo mais pessoal mesmo. Continua!



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Universo Headbanger: A temida e implacável Morte

Atenção: Esse post é melhor apreciado ao som de Morbid Angel e de Black Sabbath.

O desenvolvimento científico e a consequente apropriação da Natureza mudaram a nossa relação com o conhecimento. Vários mistérios receberam respostas elegantes e lógicas. Hoje temos boas teorias científicas para questões polêmicas como a origem do universo, as forças que regem o movimento, a origem das espécies, o funcionamento fisiológico de nossos corpos etc. Esse tipo de conquista acabou gerando uma sociedade, principalmente no ocidente, mais materialista. Não confunda com aquele materialismo pejorativo no qual a pessoa valoriza mais os objetos do que as outras pessoas, o materialismo que falo aqui é o filosófico, no qual se compreende que tudo que existe é formado por matéria ou reduzível a processos de natureza material. Com essa visão mais materialista do mundo, um problema fica em aberto dentro do imaginário social: O que acontece depois da morte?

Ainda há, é claro, as explicações religiosas. Porém, a partir do momento que a ciência é a moeda de troca do conhecimento em nossa época e as instituições religiosas vão se relativizando e se adaptando a novos paradigmas, as nossas crenças subjetivas e espirituais garantem cada vez menos conforto. Nesse contexto, vai ser no espaço da morte que residirá nossas grandes dúvidas e, consequentemente, nossos grandes medos.



Esse espaço não poderia ser preenchido se não pela arte, inclusive, o heavy metal. O heavy Metal, no geral, se comunica através do choque, do conflito. Mesmo uma banda mais reflexiva vai usar elementos de conflito para atrair a atenção de seus ouvintes. Relacionar o tema da morte nas músicas vai se mostrar como um ótimo atrativo para a mensagem que a banda quer passar. A forma como a morte é apropriada pelo heavy metal varia e se confunde com as formas que a morte é apropriada na nossa vida e em nossa cultura.

Na antiguidade a morte era tratada mitologicamente de forma muito mais tranquila do que hoje. Na mitologia grega a morte do herói era também o ápice de sua vida. Era em seu momento de morte que ele alcançava o seu limite. Isso acabava tornando a morte também como uma ferramenta de autoconhecimento, pois e só na morte que o personagem cumpria (e conhecia) todo o seu potencial. Em algumas culturas a morte heroica é vista como uma forma de salvação. Na mitologia nórdica, por exemplo, o dia da sua morte já é predeterminado, porém, caso o viking morresse em batalha, ele iria para Valhalla, terra onde Odin reunia seu exército para a guerra do fim do mundo (ragnarok), lá seria um lugar onde os guerreiros passariam a vida lutando e bebendo esperando alegremente a última batalha. Já os que morressem de morte natural ou acidental (menos em naufrágios) iriam para o Hel que era uma terra melancólica onde os espíritos vagavam por toda a eternidade. Outra cultura que valoriza a morte heroica é o islã, onde, caso o fiel entregue a sua vida a Alá, ele garante o seu lugar no paraíso.

A morte heroica é uma das mais presentes no metal, principalmente nos estilos da família do power metal. Não tem forma melhor de dizer que a história foi dramática e que o sacrifício do protagonista foi enorme do que matando ele no fim, ou pelo menos deixando claro que a morte é o risco. A "Keeper of the Seven Keys" do Helloween é emblemática nesse sentido. Ela segue um ritmo de certa forma contínuo e rápido, até que chega no trecho em que Michael Kiske canta (grita):“Throw the key or you may die!” e o solo que segue é a parte mais melancólica da música. É importante dar ênfase que a jornada do guardião é mortal, é isso que faz grandes clássicos de músicas como essa.



Mesmo no início do cristianismo a morte era tratada apenas como uma passagem. A ideia de céu e inferno e da infinita misericórdia divina davam um aspecto natural ao falecimento. Porém, com a peste negra, a relação da morte com o desconhecido se intensificou. Um período onde um terço dos europeus morreu devido há uma doença desconhecida causou uma profunda ferida no inconsciente coletivo cristão. Desde então o medo da morte se intensificou na cultura ocidental. Com o renascimento e, posteriormente, com o desencantamento do mundo, esse medo teve o acréscimo da incerteza. Não mais vemos o paraíso como um lugar físico. Já viajamos pelo céu e sabemos que ele não está lá. Mesmo a religião cristã se mantendo forte até hoje, as vertentes protestantes tiraram o aspecto “mágico” que a religião tinha até então, fazendo com que as indulgências e a prática ritual não fossem mais garantias de salvação. Dentro da visão calvinista, por exemplo, não cabia ao indivíduo a sua própria salvação, mas sim a Deus. Nessa visão, Deus já havia escolhido, no momento da criação, as almas a serem salvas. A única “dica” que as pessoas teriam sobre o seu próprio salvamento seria a sua conduta, o fiel deveria viver como que se estivesse de passagem no mundo material, abnegando os prazeres e vivendo apenas para glorificar a Deus. Essa relação conflituosa com a morte e com a vida após a morte cria essa sensação terrível de incerteza.



Esse medo da morte é muito bem explorado no heavy metal. Como o estilo começou contando histórias ocultistas e de terror, a morte nesse sentido está presente em diversas vertentes do estilo. Uma música que explora muito bem o sentimento da peste negra é a "Plague and Fyre" da banda Hell. Uma música mais famosa que representa esse medo da morte é a "Raining Blood" do Slayer que fala de um juízo final duro e terrível. A força da música está na representação da espera tortuosa pelo juízo final no purgatório, uma clara ironia a benevolência das crenças cristãs.

O heavy metal tem uma estética muito ligada à força e ao poder. Em relação à morte não poderia ser diferente. As bandas mais pesadas normalmente tratam a morte como algo superável, ou controlável. Acho que não há melhor exemplo do que a "Stronger than Death" do Black Label Society que é uma análise bem peculiar da morte, tratando-a de uma forma bem fria e realista. Há também a apropriação do inferno como símbolo de força, como na "Welcome to Hell" do Venom. A simbologia da morte está também muito presente, como na adoção da personificação da morte como mascote pelo Children of Bodom ou o próprio morto-vivo Eddie, mascote do Iron Maiden.



A simbologia da morte é muito rica nas artes. A morte é a prova que estamos vivos e a vida é a prova que vamos morrer. O Mito grego de Sísifo é muito interessante para pensarmos simbolicamente a relação entre a morte e a vida. Sísifo era um cara muito esperto que conseguia tudo na lábia, era tão bom que acabou enganando até os deuses. Sísifo contou a Asopo, deus dos rios, que Zeus havia sequestrado sua filha Egina. Zeus ficou furioso e mandou Tanatos, deus da morte, perseguir Sísifo. Porém Sísifo prendeu Tanatos impedindo que as pessoas pudessem morrer. Ares então interviu e libertou Tanátos. Sísifo viu que não tinha como escapar e então pediu a sua esposa que não executasse os rituais funerários. Chegando ao mundo dos mortos, Sísifo se queixou a Hades da falta de consideração de sua esposa por não ter efetuado os rituais e solicitou permissão para que voltasse ao mundo dos vivos apenas para castiga-la. Hades aceitou e Sísifo não voltou ao mundo dos mortos até que morreu de velhice. Quando voltou Hades o condenou a empurrar uma pedra até o cume de um monte, caindo a pedra invariavelmente da montanha sempre que o topo era atingido. Esse processo foi repetido até a eternidade.



O mito de Sísifo é sujeito a diversas interpretações. A que eu mais gosto é que Sísifo viveu a sua vida toda com medo da morte e isso fez com que vivesse apenas lutando para evitar o fim. O seu maior anseio era viver eternamente, porém esse foi o seu próprio castigo. A ideia de carregar a pedra até o topo do morro pela eternidade pode ser encarada como uma metáfora para a vida. A vida é um constante carregar a pedra acima do morro, porém nunca conseguimos chegar até lá, o ideal seria que o nosso processo de carregar a pedra seja suficiente em si mesmo. Se esperarmos que a nossa vida só valha a pena quando a pedra estiver parada no topo, então nunca nos realizaremos, pois a morte chegará antes. Sísifo é um elogio a vida sem sentido. Ele é um dos poucos personagens da mitologia grega sem um objetivo definido, o seu único objetivo era viver, e ele acabou, ironicamente, conseguindo. Devemos sempre encarar a morte, pois é essa limitação que nos move, se tivéssemos certeza que viveríamos para sempre, jamais teríamos coragem de carregar as nossas pedras.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Raio X: Angel of Death - Descrevendo o nazismo pelo seu lado mais perverso




Atenção: Esta música contém descrições detalhadas de processos de tortura.

Auschwitz, a verdadeira dor
O jeito que eu quero que você morra
Morte lenta, decadência imensa
Chuveiros que lhe purificam a vida

Forçados
Como gado vocês correm
Despojado do valor de sua vida
Rato humano, para o anjo da morte
Mais de quatrocentos mil para morrer

Anjo da morte
Monarca do reino dos mortos

Sádico, cirurgião da morte
Sadista do mais nobre sangue
Destruindo, sem piedade
Para beneficiar a raça ariana

Cirurgia, sem anestesia
Sinta a faca te perfurando intensamente
Inferior, sem utilidade para humanidade
Amarrado, gritando loucamente para morrer

Anjo da morte
Monarca do reino dos mortos
Açougueiro infame
Anjo da morte

Bombeado com fluido, dentro do cérebro
A pressão no seu crânio começa a
Empurrar os seus olhos
Carne queimando, pingando
Testes mentais queimam sua pele
Sua mente começa a ferver

Frio frígido quebra os seus membros
Quanto tempo você consegue aguentar
Neste funeral de água congelada?
Costurados juntos, juntando cabeças
Apenas uma questão de tempo
Até vocês serem esquartejados

Milhões jazem nas suas
Tumbas lotadas
Jeitos perversos de alcançar
O Holocausto

Mares de sangue, vida enterrada.
Sinta o cheiro de sua morte enquanto você queima
Lá no fundo, dentro de você
Abacinar, olhos que sangram
Rezando para o fim       
Do seu bem desperto pesadelo

Asas de dor buscam você
Sua face de morte te encarando
Seu sangue correndo frio
Injetando células, olhos mortais
Se alimentando dos gritos dos
Mutantes que ele está criando

Vítimas patéticas e inofensivas
Deixadas para morrer
Desprezível anjo da morte
Voando livre

Anjo da morte
Monarca do reino dos mortos
Açougueiro infame
Anjo da morte



"Angel of Death" do Slayer é uma das músicas mais controversas do heavy metal. Acredito que quem ouve esta música e a encara como apologia ao nazismo, parou de ler nos primeiros versos. Mas, mesmo assim, essa foi uma interpretação muito comum na data de seu lançamento, isso ainda é agravado pelo interesse que Jeff Hanneman (compositor da música) tem por medalhas nazistas.

O “Anjo da Morte” tratado na música é um médico nazista chamado Josef Mengele que ministrava experiências com os prisioneiros de Auschwitz. A música foca no sofrimento de suas experiências e traz um sentimento de angústia por toda a letra. A forma como Hanneman descreve as torturas é desesperadora, trata de coisas que nem passam por nossas cabeças quando pensamos em tortura. Quando ele diz “costurados Juntos” (Sewn Together), talvez ele esteja se referindo a experiência realizado com gêmeos, que tinham suas veias interligadas, algo que só um nazista fanático, e um grande filho da puta, pensaria.

Uma das principais críticas à música é que ela não deixa claro que os nazistas são maus, eu discordo totalmente. Quem lê essas palavras e não fica imediatamente revoltado, deve ter algum tipo de sadismo perverso. Na própria música ele fala que o tal do Mengele era um cara desprezível, infame e perverso. A resposta de Hanneman, quando perguntado dessa omissão é bem clara: “Nada do que eu pus na letra diz necessariamente que ele era um cara mau, porque para mim, bem, não é óbvio? Eu não deveria ter que te dizer isso”.



O que talvez incomode um pouco quem não gosta da música é o seu clima de documentário, a música é muito mais descritiva do que argumentativa. Talvez um nazista sádico consiga gostar do que está escrito e se identificar com o tal anjo da morte, mas no contesto de uma banda americana com integrantes de diversas etnias, é muita ingenuidade rotular Angel of Death como apologia ao nazismo.

Há quem acredite que, apesar de não fazer apologia, a música banaliza o sofrimento causado pelas atrocidades dos campos de concentração e defende que o tema não deva ser tratado de determinadas formas. Eu acho isso um terrível engano, quanto mais ouvirmos falar sobre o Holocausto, mais tentaremos evitar que ele se repita. Hoje há algumas pessoas - como Ahmadinejad, presidente do Irã. – que acreditam que o Holocausto não aconteceu. Muitas pessoas não sabem da sua gravidade e uma música como Angel of Death mostra que é algo que não pode se repetir.



Na minha opinião, o que os nazistas fizeram com seus prisioneiros - tanto judeus, como ciganos, russos e poloneses - em Auschwitz, é a demonstração que não podemos vacilar em relação aos direitos humanos. Se olharmos para Alemanha do século XIX, vemos um país com grandes filósofos e artistas, uma grande oposição ao utilitarismo tão em voga na época, grandes pensadores, que valorizavam a força dos indivíduos em relação ao todo. Esse mesmo país, devido ao turbulento início do século XX, acabou mudando a ponto de se tornar irreconhecível na mão dos nazistas, e o que no começo era, para o povo, um projeto de construção de uma grande nação, acabou se transformando em um estado totalmente despótico.

Quando passamos por determinadas crises, muitas vezes é mais fácil apontar um inimigo, qualquer que seja, ao invés de tratar o problema da forma correta. As pessoas são manipuláveis e o ódio une muito mais que respeito. É preciso sempre respeitar os indivíduos e seus direitos inalienáveis não importa quem seja. Qualquer tipo de violação de direito pode sempre se voltar contra você. Ter consciência dos erros do passado é muito mais frutífero do que fingir que nunca aconteceu. Uma música como Angel of Death é claramente uma denuncia do que o ser humano é capaz, e é extremamente importante que saibamos disso.


domingo, 7 de agosto de 2011

O Primeiro de Muitos

Olá leitor! Seja bem-vindo ao meu blog!

Antes de qualquer coisa, acho bom me apresentar. Meu nome é Vinícius, sou um adorador de metal há muitos anos, um dos meus passatempos preferidos é refletir sobre as músicas que ouço e agora resolvi dividir com vocês. Gosto também de pensar em vários assuntos, dificilmente deixo de prestar atenção no que vejo e sempre tento entender o que há por trás das coisas da vida.

Essa será a essência deste blog. Muitas das minhas bandas preferidas tentam passar alguma mensagem em suas letras. Não é raro ver bandas que contam histórias grandiosas em seus CDs, narram acontecimentos memoráveis em apenas 4 minutos, adaptam fatos históricos, filmes, livros, biografias e tudo mais que uma obra de arte pode fazer. Assim como qualquer forma de arte, as músicas de heavy metal podem ter diversas interpretações e eu adoro explorar o que há escondido em cada verso.

Quando eu ouço uma música inspirada em um livro que eu li, é como reviver aqueles momentos de uma nova forma, assim como uma adaptação para o cinema. A sensação de suspense no começo da música Raining Blood do Slayer me impressionou mais do que muitos filmes de terror. Ouvir críticas sociais em uma música me faz refletir tanto quanto uma reportagem ou uma dissertação. 



Acho que a arte pode comunicar idéias de uma forma que vai além do raciocínio, muitas vezes nos sentimos tocados por uma frase de efeito de uma música ou um poema, apesar de não conseguirmos explicar exatamente o motivo de imediato. É essa visão sobre a arte do heavy metal que eu tentarei trazer em meus futuros posts. Tentarei discutir temas interessantes levantados pelas músicas e pelo universo Headbanger em geral.


Mas antes que você se desanime, não será só isso! Neste espaço outras pessoas serão convidadas a contribuir com artigos relacionados. Além disso, sempre que pertinente, recomendarei bandas e CDs, comentarei notícias e compartilharei conteúdos pertinentes ao blog.

Espero que gostem, em breve, atualizarei o blog com um post pra valer!