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domingo, 8 de janeiro de 2012

Review: Balls Out - Nada combina mais com Glam Metal do que bom (ou péssimo) humor


Atenção: Este post não é nenhum pouco recomendado para pessoas sem senso humor, feministas, defensores dos direitos humanos, pessoas politicamente corretas etc. Resumindo: este post não é recomendado para ninguém com o pingo de bom senso.

Quando olhamos para os anos 80, auge do Glam Metal e da adoração dos “rockstars” e paramos apenas para ler as letras, temos a impressão de que foram tempos belos e românticos. É praticamente impossível uma banda de Hard Rock dessa época que não tivesse várias baladinhas com juras de amor infinito. Mas sabemos que na prática o que acontecia era o inverso. Pelo menos a fama dos astros do rock passava longe da monogamia e do respeito as nossas companheiras do sexo feminino. Como seria se eles fossem sinceros nas músicas? É dessa premissa que vem o humor do álbum “Balls Out” do Steel Panther.



Eu gostei muito da sonoridade do CD. Apesar de ser uma banda de paródia, o Steel Panther não economiza nas composições. Talvez soe um pouco “anos 90” de mais; mas eu gosto muito deste tipo de Hard Rock, não ligo de ouvir seus clichês de novo. O som parece muito com Skid Row, Mötley Crue, Mr. Big e afins e acho que esse tipo de música fez falta nesse ano de 2011. Apesar de bem clichês, as baladas têm melodias interessantes e as músicas mais pesadas têm riffs legais e um bom vocal de Michael Starr (Ralph Saenz).

Apesar de o CD já valer pela sonoridade, as letras são um show a parte. A banda vai ao limite da falta de noção e escreve as coisas mais absurdas que você possa imaginar. As letras são de botar inveja em qualquer funkeiro, duas das músicas são apenas sobre sexo anal, outras duas explicam como se tratar as mulheres e por aí vai. É muito difícil para qualquer pessoa ler essas letras e não se sentir ofendido (e, principalmente, ofendida) por alguns trechos como É para isso que as garotas são feitas: costurar, cozinhar e ter boa aparência, ou então: Acerte-a na bunda, trate-a como um bixo, foda aquela moça direito, isso porque eu peguei leve na tradução (e na escolha dos trechos).



Mas, se você consegue relativizar e levar na brincadeira, o Balls Out é uma ótima pedida para quem gosta de Glam Metal. Eu gostei muito das músicas “Tomorrow Night”, “Gold-Digging Whore” e da “Supersonic Sex Machine”. As baladas são mais legais pelo humor mesmo, até o Starr ri durante a gravação de “Weenie Ride”. Se você puder desligar seu pudor e o seu bom senso, ouça Balls Out!


domingo, 20 de novembro de 2011

Review: Animal - Ah ... o nome já diz tudo!


Duas das bandas mais importantes para definir o que é o “rock pesado” foram o Deep Purple e o Led Zeppelin. Graças à mistura que fizeram com o rock, blues, rock progressivo e ainda distorcendo mais suas guitarras, mudaram a história da música para sempre. Muitas bandas seguiram essa linha, algumas pegaram apenas alguns elementos, outras adotaram o pacote completo e tudo isso sempre soou muito bem. Aqui no Brasil a banda que melhor segue essa linha de misturar hard rock, metal, blues e progressivo é o Dr. Sin, imagino que sejam unanimidade nesse quesito. O novo CD deles intitulado “Animal” faz jus a essa fama.



Mesmo tendo essa sonoridade ligada ao rock clássico, em seus 20 anos de carreira a banda variou muito sua sonoridade. Não é fácil, ainda mais aqui no Brasil, uma banda se manter com o status desses caras por tanto tempo. Bandas como Angra e Sepultura, referências do nosso metal, passam por momentos conturbados ultimamente. Mas o Dr. Sin, como sempre, continua lançando bons álbuns, um atrás do outro. Talvez pela variação e mistura de estilos eles não tenham tido seu momento “Big Shot”. Mas é raro ver uma banda tão respeitada, ainda mais em um país que não tem uma cultura de rock tão forte quanto na Europa ou nos EUA.

Falando mais especificamente do Animal, o CD é exatamente o que o seu título indica, é animal! É muito legal como eles conseguem misturar em um único riff, diversas ideias. É difícil definir se algumas músicas são metal ou hard rock. É um CD repleto de músicas rápidas e com muito ritmo, não dá pra ouvir o início das músicas sem ser cativado pelos riffs. Animal também tem suas baladas e mesmo nas músicas rapinas e curtas eles, muitas vezes, mantém o elemento progressivo, característico da banda.



Eu gostei de muitas músicas desse CD, esse tipo de música na fronteira entre heavy metal e hard rock sempre me cativou. Eu destaco aqui a “Faster than a Bullet” e a “Lady Lust”. Animal também tem (pelo menos) duas músicas bem peculiares. A “The King” é a melhor homenagem que o Dio poderia receber e é uma pena que ele não esteja vivo para ouvi-la. Poucas pessoas podem ter uma obra tão bela em sua homenagem. Já a “May The Force Be With You” foi uma decepção, pois, na minha opinião, ela destoa um pouco do álbum. Uma pena que o casamento entre Dr. Sin e Star Wars não rendeu todo seu potencial. Mas a sensação que fica, é que 2011 é realmente um ótimo ano para o heavy metal tupiniquim!


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Raio X: These Days - Não restou ninguém a não ser nós




Eu andava por aí, apenas mais um na multidão
Tentando me proteger da chuva
Quando vi um rei mendigo, com sua coroa de isopor
E imaginei se um dia terminaria assim também.

Há um homem na esquina cantando velhas canções sobre mudanças
Todos têm sua cruz para carregar nos dias de hoje.
Ela veio procurando por abrigo, com sua mala cheia de sonhos
Veio para um quarto de motel na avenida
Acho que ela estava tentando ser James Dean
Ela conheceu todos os discípulos, e todos os imitadores
Ninguém quer ser si mesmo nos dias de hoje.
E, ainda assim, não há nada em que se agarrar hoje em dia.

Hoje em dia, as estrelas parecem fora de alcance
Hoje em dia, não há uma escada sequer nas ruas
Os dias de hoje passam rápido, e nada dura nesta época perdida
Não restou ninguém a não ser nós, nos dias de hoje.

Jimmy Shoes quebrou suas duas pernas tentando aprender a voar
De uma janela do segundo andar ele simplesmente saltou, de olhos fechados
Sua mãe o chamou de louco, e ele disse “Mãe, eu tenho que tentar”
“Você não sabe que todos os meus heróis morreram?
E acho que eu preferiria morrer a ser esquecido.”

Hoje em dia, as estrelas não estão fora de alcance
Mas, hoje em dia, não há uma escada sequer nas ruas
Os dias de hoje passam rápido, e nada dura nesta época perdida
Até mesmo a inocência se foi no trem da meia-noite    
E não restou ninguém a não ser nós, nos dias de hoje.

Eu sei que Roma ainda arde em chamas
Mesmo que os tempos tenham mudado
Este mundo continua girando, e girando, e girando
Nos dias de hoje.

Hoje em dia, as estrelas não estão fora de alcance
Mas, hoje em dia, não há uma escada sequer nas ruas
Os dias de hoje passam rápido, o amor não perdura nesta época perdida
Até mesmo a inocência se foi no trem da meia-noite

Hoje em dia, as estrelas não estão fora de alcance
Mas, hoje em dia, não há uma escada sequer nas ruas
Os dias de hoje passam rápido, nada dura, não há tempo a perder
E não sobrou ninguém para levar a culpa
E não restou ninguém a não ser nós, nos dias de hoje.



Hoje temos um Raio X especial e diferente. Especial porque é o primeiro texto do blog que não foi escrito por mim (Vinícius), mas pelo meu grande amigo Daniel Santa Cruz. Também é um texto diferente porque trata de uma banda que não tem muita ligação com o metal, apesar de ter muita ligação com bandas de Hard Rock americano dos anos 80. Acredito que muitos que acompanham o blog não o acompanham apenas por que trata de heavy metal, mas porque gostam de textos que fazem refletir, e Bon Jovi é cheio de músicas inteligentes. Eu sou muito fã da banda e gostei muito do texto, espero que vocês também gostem, fiquem com a análise tensa e sóbria de Daniel.

O ano era 1995. Depois de uma época considerada por muitos a “década perdida” (os anos 1980), o mundo experimentava os primeiros anos de uma geopolítica estadunidense oficialmente hegemônica, após quatro décadas de Guerra Fria. Alguns anos após a queda do Muro de Berlim, parecia haver um vazio de objetivos a atingir.

E esse contexto parece ter inspirado These Days, o disco mais soturno do Bon Jovi. A banda sempre teve em suas canções um forte componente sentimental até Keep The Faith, que em 1992 marcou uma transição para letras mais políticas, culminando no álbum significativamente negativista que o sucedeu em 95.

These Days, faixa-título do álbum, expressa muito bem essa mudança da temática de sexo, drogas e rock and roll, característica do hard rock dos anos 70 e 80, para uma visão mais crítica da sociedade.

Não há nem muito que analisar, é tudo quase literal. As pessoas, nos dias de hoje, ainda buscam seus heróis mortos de outrora, sem nada que possa sustentar seus sonhos. O homem tem as estrelas a seu alcance, mas não consegue tocá-las, pois só quem restou fomos nós, pessoas comuns. E mesmo a inocência, enfim, pegou o último trem e foi-se embora.

Não temos personalidade própria, e nossos ideais ainda são resquícios do passado.



Pesado, não? Pois é. Essa letra me atrai pelo fato de – além de ser uma mudança radical na banda que anos antes gravara “I’ll Be There for You”, clássico dos corações partidos – ser extremamente atual.

Quem são nossos grandes ídolos hoje? Olhando para a música, os únicos que poderiam ostentar tal título ou estão mortos, ou estão bem velhos. Quais são os grandes ideais, numa época de mentes que se tornam mais volúveis e superficiais à medida que ficam mais tolerantes?

Gilles Lipovetsky* e Zygmunt Bauman** são dois caras muito interessantes que exploram essa característica acelerada, contraditória e insegura do mundo atual, ou hipermoderno – como diria Lipovetsky.

Segundo eles, as relações humanas hoje são pautadas pela superficialidade, pois são fundamentadas na rapidez e na volatilidade do mundo atual. As ideologias e convicções deram lugar a fragmentos de pensamento, trocados e modificados a cada instante como peças de roupa. Estamos conectados a cada vez mais pessoas, mas nossos laços são cada vez mais frágeis, convenientes e instáveis. E, segundo Bauman, o consumo acaba por preencher o espaço vazio antes ocupado por relações interpessoais mais profundas.

É, sem dúvida, uma análise pessimista da vida. E, em muitos pontos, concordo com ela.



Mesmo assim, acho que a ausência de certezas e a mudança de paradigmas que vivemos hoje podem ser benéficas. Não é à toa que os últimos regimes autoritários estão ruindo – interesses geopolíticos e econômicos à parte. As pessoas lentamente passam a aceitar as diferenças, e isso é bom, mesmo que signifique às vezes a perda de uma posição firme.

Mesmo sendo pessimista na maioria das vezes, insisto em crer que a humanidade tem salvação. E acredito que a salvação esteja na consciência de que estamos todos fodidos, nesta barca furada que chamamos de Terra, esta geoide maltratada que continua girando mesmo com todo o prejuízo que causamos a ela.

Lentamente, começamos a nos preocupar com o meio ambiente, com a miséria e com a escravidão moderna – ainda que para aplacar nossas consciências pesadas.

A passos de formiga, vamos aprendendo que somos todos seres humanos, e que nossa sobrevivência neste “milagre probabilístico” (gostaria de ter pensado nessa definição brilhante antes de meu grande amigo Vinícius) depende de uma mudança que deve começar agora, ainda que já seja meio tarde.

E você, concorda comigo?



*Gilles Lipovetsky é um filósofo francês. Recomendo: “Os Tempos Hipermodernos”.
** Zygmunt Bauman é um sociólogo polonês. Recomendo: “Modernidade Líquida”.
 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Raio X: Balls to the Walls - "Eles te farão beber o próprio sangue"




Tantos escravos neste mundo
Morrem por tortura e dor
Tantas pessoas não enxergam
Eles estão se mantando, enlouquecendo.

Tantas pessoas não sabem
Escravidão está sobre a raça humana
Eles acreditam que escravos sempre perdem
E este medo os mantém submissos

Cuidado com os condenados – Deus os abençoe
Eles vão quebrar as correntes
Não, você não pode detê-los – Deus os abençoe
Eles estão vindo te pegar!

E você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro
Você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro, Bolas no muro

Você pode confundir a mente deles
Você pode sacrificá-los também
Você pode deixa-los em carne viva
Você pode estuprar todos eles

Um dia os torturados se levantarão
E se revoltarão contra o mal
Eles te farão beber o próprio sangue
E te farão em pedaços

É melhor tomar cuidado com os condenados – Deus os abençoe
Eles vão quebrar as correntes
Não, você não pode detê-los  - Deus os Abençoe
Eles estão vindo para te pegar!

E você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro
Você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro, Bolas no muro

Vamos!

Ei cara, vamos nos erguer perante o mundo
Vamos enfiar uma bomba no cu de cada um
Se eles não nos deixarem viver
Nós vamos lutar pelos nossos direitos
Construa um muro com os corpos e você estará a salvo
Deixe o mundo apavorado
Vamos me mostre o sinal da vitória

E você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro
Você terá suas bolas no muro, cara
Bolas no Muro, Bolas no muro



Hoje farei um post totalmente contraditório com o raio x da semana passada, falarei da revoltada “Balls to the Walls” do Accept. A letra dessa música é daquelas que, de imediato, não toca no coração e nem faz refletir tanto – ela vai direto às entranhas e, se você se deixar levar, o sentimento de vingança e ódio se apodera imediatamente.

A música faz uma análise seca e amarga da sociedade: somos escravos. Apesar de a palavra ser forte, não chega a me surpreender este tipo de comparação. Levando essa análise para a época em que a música foi composta (1983), é importante lembrar que o muro de Berlim ainda estava de pé. O socialismo já estava em decadência e a geração que nasceu após a segunda guerra mundial já estava na casa dos 40 anos. Os motivos que dividiam a Alemanha em duas já não aparentavam tão legítimos. A diferença econômica entre essas duas Alemanhas já era gritante e clara, o muro de Berlim provavelmente foi a principal inspiração de Balls to the Walls.



Mas, pra mim, essa análise pode extrapolar a Guerra Fria e ainda pode ser aplicada a nossa realidade. Temos o nosso sentimento de liberdade, mas será que somos livres na prática? Já experimentou pensar em algum estilo de vida fora do padrão das “44 horas semanais”? Será que é realmente necessário que todos nós vivamos nossas vidas em função de nossa vida profissional? É difícil pensar em uma alternativa diferente dessas que não envolva diversos sacrifícios. Mas será que vale a pena gastar 26% de toda nossa semana? Atribuindo 1h diária para o transporte 1h para o almoço e 8h de sono, você tem para viver apenas um terço de sua semana, isso se você não faz nenhum tipo de curso.

Existem duas coisas que nos prendem nessa vida “padrão”. A primeira é a moral. Há a concepção de que o trabalho é necessário para a formação do caráter do indivíduo. Há uma ideia muito difundida de que não se pode ser “vagabundo”, e esse estigma é atribuído inclusive às pessoas que estudam e também às que trabalham de formas não convencionais (como free lancers, por exemplo). A segunda coisa é a valorização do consumo. Apesar de ser possível viver tranquilamente em um emprego que nos dê mais autonomia e tempo livre, há uma pressão para que tenhamos o máximo de produtos possíveis para que possamos nos encaixar nos padrões. Ter um carro, roupas de marca, frequentar lugares caros é muito mais importante para a sociedade do que ter tempo para aproveitar essas coisas.



Seja o opressor o capitalismo ou o socialismo, a música defende uma postura radical em favor da liberdade. A história da humanidade é preenchida por várias grandes civilizações em que poucos governavam e muitos obedeciam. Apesar dos avanços a lógica ainda permanece essa. É muito difícil destituir alguém do poder apenas com negociações, quanto mais toda uma classe. Os exemplos de verdadeiras mudanças de poder são sempre coloridos com muito sangue. Muitas vezes não percebemos que aqueles que estão no topo da sociedade morrem de medo do que os que não estão podem fazer. E, de acordo com a Balls to the Walls, eventualmente os “condenados” fazem alguma coisa.

Depois de um período de marasmo, estamos passando por uma época que as pessoas no mundo estão percebendo que algo precisa ser mudado. Os diversos movimentos que estão surgindo no mundo inspirados no “Ocupe Wall-Street” são uma demonstração que, pelo menos parte dos jovens, não vão mais aceitar o governo em favor dos 1% (que não são os motoqueiros do post anterior) e que os governos têm que dar um jeito de resolver a falta de renda que a crise de 2008 gerou. Que proporções esses movimentos vão tomar é difícil dizer, imagino que as coisas na Grécia ainda vão ficar muito feias, e é possível que jovens de países como Portugal e Espanha aprendam com o exemplo. Acho que a União Europeia está assinando seu atestado de óbito com a política de passar as dívidas contraídas para o povo. Enquanto eles não começarem a encontrar formas de produzir mais, a bola de neve das dívidas tende a crescer até que o povo tenha que tomar as rédeas da situação.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Profile: Hard Rock - 1970, a década de ouro.


A história do heavy metal e do Hard Rock começa em maio de 1968. Neste ano estudantes de Paris saíram nas ruas para reivindicar melhorias na educação, além de mais liberdade de expressão. Este movimento reverberou por todo o mundo, os jovens saíram nas ruas em vários outros países da Europa e até nos EUA e no Brasil. Foi o grito da liberdade da juventude que era vista só como um problema, finalmente mostrou para o mundo que tinha algo a falar. Só em um ambiente como esse que o rock poderia passar a ser agressivo de verdade.

Neste ano foi gravada a música que muitos atribuem como a fundação do Hard Rock: a "Helter Skelter" dos Beatles. De acordo com o próprio Paul McCartney essa música é uma metáfora entre um brinquedo de escorregar britânico e a queda do império romano. Mas foi interpretada de várias formas e claramente influenciou muito do que viria por aí. Outras bandas que nessa época influenciaram o hard rock dos anos 70 foram o Jeff Back e o Iron Butterfly.



Paralelamente a isso, já no começo de 68, a banda Blue Cheer lançava o seu primeiro álbum, o “Vincebus Eruptum” que já dá pra chamar de Hard Rock, apesar de a banda ter, posteriormente, seguido o caminho do rock psicodélico. De acordo com a própria banda, o que eles faziam era “distorcer o blues até ele ficar irreconhecível”. Neste CD já é possível identificar os elementos que seriam a marca dos anos 70, como a guitarra distorcida e a experimentação musical.

Mas as coisas começam a ter a dimensão merecida quando, em Julho de 1968, Jimmy Page (guita... você sabe né?) forma a banda “The New Yardbirds” com Robert Plant (vocal), John Bonham (Bateria) e John Paul Jones (que substituiu Chris Dreja no baixo). Após alguns shows,  mudaram o nome para Led Zeppelin ainda no mesmo ano. Led Zeppelin é uma das mais importantes bandas da história. Apesar da carreira curta (a banda acabou em 1980), eles influenciaram o rock tanto musicalmente quanto visualmente. A sonoridade dos caras é difícil de definir, é um blues misturado com progressivo com solos rápidos e bem trabalhados, além de muitas influencias de outros estilos, como o Jazz e o Folk Rock. A música que eu particularmente mais curto deles é a “Rock and Roll”, clique e ouça!



Outra banda que é referência quando se fala de Hard Rock é o Deep Purple. Para mim, é a melhor banda dessa época e é concenso os caras são um marco no estilo. Diferentemente do Led, Os caras do Deep Purple demoraram um pouco mais para encontrar o estilo que marcaria a história da banda, foi só quando Ian Gillan (vocal) e Roger Glover (baixo) entraram no lugar de Rod Evans e Nick Simper, e se juntaram a Ritchie Blackmore (guitarra), Jon Lord (Teclado) e Ian Paice(bateria) que a banda finalmente encontrou o caminho no disco “Deep Purple in Rock”. Mas creio que a obra prima dos caras (e, na minha opinião de fã, da década) foi o Machine Head. Este disco tem a música que eu mais gosto dos caras, a “Highway Star”, além da clássica “Smoke on the Water”.

Apesar de eles não gostarem do rótulo, a sonoridade deles muitas vezes se confunde com heavy metal, é difícil definir um estilo para uma banda com mais de 40 anos de estrada, mas a forte distorção da guitarra, a voz potente de Gillan e a presença marcante do teclado, são marcas registradas. A banda passou por diversas formações nesses anos, a história do Deep Purple está recheada de estrelas como Joe Satriani (guitarra), David Coverdale (vocal) e Glenn Hughes (baixo,vocal). Uma música que eu aconselho das fases posteriores é “Stormbringer”!



O Hard rock dos anos 70 não era feito apenas de bandas inglesas. Nos EUA, em 1971, Alice Cooper atinge grande sucesso com o álbum “Love it to Death” e no ano seguinte com o disco “School’s Out”. O estilo musical deles já era um pouco mais comercial, mas muito inovador, e é em 71 que eles começaram a transformar o show em uma apresentação teatral regada de efeitos que simulavam cenas de horror com sangue e até cobras. A minha recomendação deles é a “Bed of Nails”. Outra banda americana que ditaria a sonoridade do Hard Rock na década seguinte é o Aerosmith. Apesar de não ter feito sucesso já em seu lançamento, o primeiro disco dos caras, o“Aerosmith”, tem duas das melhores músicas da banda, a “Dream On” e a “Mama Kin”, além de várias outras músicas foda. Mas o CD que realmente definiu a influência do Aerosmith foi o “Rocks”, que contava com a fodástica “Back in the Saddle”. Neste disco já possível ver os elementos que influenciariam o glam metal dos anos 80.

Apesar de Alice Cooper e Aerosmith terem sido importantes na inspiração da sonoridade e do visual do rock nos EUA, nada se compara ao fenômeno que foi o Kiss. Tratar o Kiss apenas como uma banda não faz justiça ao que esses caras representaram, eles estavam mais para super-heróis. Eles são a personificação do "sexo, drogas e rock ‘n’ roll". Os caras eram uma máquina de vender qualquer tipo de coisa, tinham uma legião de fãs fanáticos e outra de pessoas que os acusavam de todo o tipo de subversão. Musicalmente eles não ficavam atrás, com alguns elementos pops, agradavam uma gama inacreditável do público. Além do mega clássico “Rock and Roll All Nite” uma música que aconselho a ouvir é “Lick it Up”.



Voltando para Inglaterra, não posso deixar de falar de Queen. A banda que viria a consagrar Fred Mercury como um dos melhores vocalistas do Rock começou, em 1970, com uma sonoridade pesada pra época, em seu primeiro álbum “Queen” usando já elementos do incipiente Heavy Metal. Mas foi com o “A Night At Opera” que eles conseguiram alcançar o topo das paradas do Reino Unido. O Queen elevava o Rock da época até um patamar erudito, influenciou muitas bandas com a mistura de música clássica. São poucas as bandas que têm composições com melodias tão bem feitas. A que eu mais gosto é a “Spread your Wings”.

Os anos 70 tiveram outras grandes bandas, como Rush e Thin Lizzy que valem a pena serem ouvidas, além de bandas como AC/DC e Van Halen que também marcaram parte da década, mas como eles também foram fortes nos anos 80, falarei deles em outro post. Não é fácil detalhar muito uma década inteira de bandas tão boas. poucas bandas posteriores alcançaram tamanho renome. Este texto serve apenas como um guia para quem ainda não teve tanto contato com os gigantes que ajudaram a fundar o nosso tão querido e estimado heavy metal.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Raio X: Livin' on a chain gang - A sociedade está sendo conduzida para o colapso



Ligo a TV porque não tenho para onde ir
Parece que tiveram um problema lá no México
Um garoto de 13 anos roubou uma loja pra ter o que comer
Eles o pegaram fazendo hora enquanto assassinos andam pelas ruas

Um político esfomeado é como um lobo a sua porta
Determinado em submissão e se alimentando dos pobres
Poderíamos ver o sol se nós abríssemos nossos olhos
Mas nós nos pintamos em um canto colorido com mentiras brancas

Estourado em uma pilha de pedra, se empoeirando no calor
Algemado ao sistema e arrastando os meus pés

Eu sou conduzido por um colapso
Outra submissão a extorsão branca
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia
Eu sou conduzido por um colapso
Uma submissão suicida
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia

A instituição de um picareta pode te livrar de seus pecados
Mande a sua contribuição e ele salvará a sua alma hoje
O que ele pode saber? Ele passou pelo inferno e voltou?
Ele pega a grana e a leva pra casa em seu Cadillac novo em folha

Cuspindo no cão de guarda, queimando em sua parte maligna
Gritando no trlho sem ninguém no volante

Eu sou conduzido por um colapso
Outra submissão a extorsão branca
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia
Eu sou conduzido por um colapso
Uma submissão suicida
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia

Cura pela fé, superstição
Mente criminosa de sangue frio
Gozando em alta posição
Ei irmão você pode arranjar uma moeda
Para me tirar dessa linha de assassinato?

Eu sou conduzido por um colapso
Outra submissão a extorsão branca
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia
Eu sou conduzido por um colapso
Uma submissão suicida
Sinto-me como se vivesse em uma gangue de cadeia



Pela primeira vez analisarei uma música de Hard Rock por aqui. O Hard Rock dos anos 80 foi marcado pela sua extravagância e pela filosofia do "sexo, drogas e rock ‘n’ roll". Com forte marca comercial, as bandas americanas que dominaram a cena naquela década precisavam de certo nível de alienação. Mas no fim desta era, algumas bandas apareceram com forte marca contestadora, entre elas estava o Skid Row. Esses caras não eram de medir palavras e a "Livin’ on a Chain Gang" resume bem o espírito da banda.

É legal a simbologia, que também foi usada na “Paradise” do Stratovarius, na qual o narrador começa assistindo TV. Essa caixa mágica parece ser colocada como a nossa janela para realidade, o que realmente está acontecendo é o que passa dentro dela e não no mundo a nossa volta. Como a música fala do sentimento de prisão gerado pela sociedade, a própria relação que a TV tem com a gente já é uma das correntes que prendem nossos pés.

O exemplo do garoto que rouba comida e é prontamente preso, mas os verdadeiros bandidos estão soltos por aí, é clássica. A grande reflexão desse exemplo é: para quem serve a justiça? É impossível criar um consenso em relação às noções de justiça, mas é muito mais fácil policiar aqueles que não têm defesa, do que os  “assassinos” que agem por vias muito mais complexas. Estes assassinos citados na música, não me parecem ser os assassinos comuns que matam com uma arma ou algo do tipo. Esses assassinos devem ser aqueles que as suas decisões destroem a vida de muitos, tanto causando a morte de pessoas, quanto destruindo as perspectivas delas. Esses assassinos são os políticos, os empresários, os líderes religiosos etc. Essa justiça que só pune quem não tem influência é outra das correntes.



Quando a música começa a falar de política, a crítica vai direto para as pessoas que participam dela. A forma como funciona o sistema democrático contemporâneo acaba gerando políticos profissionais. Trazendo a reflexão para o Brasil, as coisas ficam ainda mais claras quando vemos que temos, em todo país, mais de um milhão de cargos de confiança na máquina estatal. Os partidos políticos começam a depender do poder para manter seus filiados em seus empregos. Não há mais espaço para visões políticas, o grande objetivo dos grandes partidos, na maior parte do mundo, é simplesmente chegar e se manter no poder.  É isso que explica a centralização ideológica dos partidos políticos nos sistemas democráticos atuais, quanto mais nichos políticos o programa do partido abarcar, mais votos ele conquistará. Isso acaba afastando da política as pessoas idealistas e atrai pessoas que querem simplesmente um emprego. Esse sistema em que somos governados por políticos especializados em manter as coisas como estão, é mais uma das correntes apresentadas pela música.

Após o refrão, a música ataca a relação deturpada que as pessoas têm com a fé hoje em dia. A religião sempre se misturou com o Estado, mas com as revoluções liberais que separaram as duas coisas, o paradigma religioso precisou ser reinventado. As grandes religiões se mantém pela tradição e pelos costumes, mas, mesmo perdendo o seu espaço, ainda exercem um poder de influencia considerável. Esse vazio religioso deixado pelo mundo laico, muitas vezes é aproveitado por bandidos que se abusam da boa vontade das pessoas e rouba o dinheiro delas. Em algumas religiões mais novas, normalmente cristãs, há uma relação de troca entre a doação e o milagre. É como se a quantidade de dinheiro doado pra igreja influenciasse na qualidade do milagre. Esses caras pegam as pessoas pelo inconsciente, a pessoa não acha que está “comprando” um milagre, mas acha que a melhor forma de comprovar a sua fé é se desprender do dinheiro por Deus e a melhor forma de comprovar isso é doando. Mas, como vivemos em uma sociedade que tudo é medido pelo dinheiro, o que atrai um grande número de pessoas para essas seitas, é a possibilidade de comprar o milagre como se estivesse em um mercado. Essa religiosidade atual que muitas vezes trata a fé pela ótica do mercado é mais uma corrente denunciada pela letra.



A metáfora da música fica clara: a sociedade está tão deturpada, que é como se estivéssemos sobre regime carcerário. O trecho “Poderíamos ver o sol se nós abríssemos nossos olhos / Mas nós nos pintamos em um canto colorido com mentiras brancas” é o resumo da mensagem da música. Nós criamos tantas regras e somos coniventes com tantas injustiças que nos perdemos em nossas próprias escolhas. Se as pessoas tivessem a consciência de tudo o que permeia as suas relações, talvez a vida pudesse se concretizar de forma plena. As correntes que prendem nossos pés estão muito bem presas, se não começarmos a serrá-las logo, nunca conseguiremos nos libertar.