terça-feira, 6 de setembro de 2011

Raio X: Armageddon - Durma e sonhe os sonhos que você vendeu


Ouçam pecadores, esta é a profecia
A revelação do seu próprio destino
Você teve um sonho uma vez
Um sonho que você vendeu
E agora meu irmão
A aniquilação é prevista

Você lembrará os tempos antigos?
Quando nós viajávamos pelo ar
Quando o dia do julgamento chegar

E quando o mundo for soprar
No seu coração levando sua alma
No Crepúsculo do Sol

Eu acredito que não há amanhã
Quando todos afundarmos em tristeza
Quando o dia do julgamento finalmente chegar

É o fim do mundo como nós o conhecemos
E está apenas começando
Os olhos do mundo estão se fechando para sempre
Quando o dia do julgamento chegar
Você não vai me ajudar agora?

Agora me diga mãe-terra
Oh, nós demos errado
No coração de cada um
Você lembra como isso começou?
No deserto, no crepúsculo do Sol
Tudo definitivamente morto
Você pode me curar? Eu não sou o único
Você pode me sentir? Eu não quero ser desfeito
Eu sou todo mundo

Salve-me desse inferno na terra.
Eu não quero saber de mais um conto
Alguém me ajude durante este caminho
Ouça-me Agora

É o fim do mundo como nós o conhecemos
E está apenas começando
Os olhos do mundo estão se fechando para sempre
Quando o dia do julgamento chegar
Você não vai me ajudar agora?

Todas as criações de Deus estão mortas e enterradas
Nossa revelação, o dia do julgamento chegou
Para todo o sempre eu me manterei sozinho
A fúria final terá começado
Quando o dia chegar

Guardiões dos monstros da Terra.
Leve nossas vidas embora
E você sempre será esmagado
Mantedores da escuridão neste mundo
Nós não nos renderemos para a maldade de seu nascimento

Esperança nunca morrerá
E o céu azul limpo e ensolarado
Irá aliviar a dor
Guardiões dos monstros da Terra.

Não nos leve para a tentação
Salve-nos das revelações

Eu me mantenho sozinho, mantenho sozinho
Mantenho sozinho, dentro da minha cabeça

Ninguém pode ouvir, ninguém pode ouvir
Ninguém pode ouvir meu pequeno mundo

Santo pai me leve nas suas asas do amor
Eu gostaria de viver para sempre livre!

É o fim do mundo como nós o conhecemos
E está apenas começando
Os olhos do mundo estão se fechando para sempre
Quando o dia do julgamento chegar
Você não vai me ajudar agora?

Ouçam pecadores, esta é a profecia
A revelação do seu próprio destino
Durma bem e sonhe
O sonho que você vendeu
E agora meus irmãos
Este mundo está lentamente esfriando.



Hoje o raio-x será sobre a música ganhadora da enquete: "Armageddon" do Gamma Ray. Várias músicas do Gamma Ray poderiam ser usadas para tratar dos mais diversos temas. A grande maioria das músicas da banda trata de temas muito interessantes e de forma muito bem elaborada. Armageddon é uma interessante interpretação do apocalipse.

A música já entrega logo em seu começo que tratará de um fim do mundo místico, porém ainda na primeira estrofe surge a causa deste Armageddon, quando a letra dá a entender que o problema é o sonho vendido. Então surge a dúvida, os elementos míticos são apenas metafóricos para enfeitar uma crítica, ou a própria crítica está incorporada pelas profecias?


Armageddon trás vários elementos de narrativa, vários versos tentam trazer o ouvinte para a situação apocalíptica. Não dá para entender Armageddon apenas como uma alegoria para uma crítica e nem apenas um conto, é uma mistura dos dois. Além disso, o ouvinte não é só um espectador, a letra está sempre incentivando o ouvinte a se imaginar dentro da história.

A parte mais enigmática da música na minha opinião está no refrão, quando ouvimos que “Este é o fim do mundo como nós o conhecemos”. Este trecho dá a entender que não é o fim definitivo, porém não há mais nenhuma outra referencia a isso durante o resto da música. A impressão que passa é que o refrão é meio descolado do que acontece na narrativa, como se fosse um pequeno resumo, ou algo do tipo.

Após o refrão a música assume uma dicotomia, enquanto antes parecia que todos estavam condenados, neste segundo momento há uma divisão entre “nós” e “eles”. Isso reforça a ideia de uma Armageddon causado pelos nossos erros como seres humanos. Esses “guardiões dos monstros da Terra” seriam esse eles, talvez grandes empresários gananciosos, políticos corruptos etc.



Acho muito legal a ideia de sonhar o sonho vendido. Muitos de nós criamos espectatívas ambiciosas para o nosso futuro. Quando ainda podemos apenas sonhar, nunca nos imaginamos como uma pessoa comum que faz algo entediante para viver. Porém quando nos vemos nessa situação, ao invés de tomarmos uma atitude para mudar e ir em busca de algo que valha a pena, nós acabamos nos convencemos que essa vida é a forma mais segura e tranquila. Só nos resta conseguir dormir bem, para que talvez sonhemos com a vida que nunca tivemos coragem de buscar.

Trazendo essa interpretação do sonho para a humanidade, a metáfora fica ainda mais interessante. A humanidade passou toda a sua história discutindo noções de justiça e como melhorar suas condições de vida. Vimos várias revoluções e guerras para criar um mundo mais livre e mais igual. Agora, no entanto, parece que a humanidade desistiu de seu potencial transformador. Nos contentamos com algumas pequenas mudanças pontuais, ninguém mais acredita em um mundo justo. Isso em um momento que finalmente temos tecnologia para produzir o suficiente para todos e para uma integração maior das diferentes áreas do globo. Qual será que foi o pagamento para humanidade desistir de seu sonho?

O que fica da música, além da ótima interpretação de um fim do mundo pelo Gamma Ray, é que, se queremos mudar algo, devemos mudar agora.

domingo, 4 de setembro de 2011

Review: Scheepers - Seja Bem Vindo à Família Heavy Metal

Normalmente quando algum músico com certo nome cria uma banda, ela acaba virando a sua própria banda solo. Não foi isso que Ralf Scheepers fez com o Primal Fear. A banda que ele formou após sair do Gamma Ray é muito mais do que apenas a banda dele, lá todos os músicos participam das composiçõees. Nada mais justo do que o próprio Ralf Scheepers lançar o seu CD solo.


Qualquer coisa com o Ralf Scheepers é certeza de um vocal excepcional, ele é um dos poucos que conseguem cantar em altíssimo nível tanto rasgando a voz, quanto com a voz limpa. Quem já o ouviu cantando ao vivo sabe que ele não deixa a desejar em nenhum momento. Até parece que, como ele diz na música "Saint of Rock" ele foi escolhido pelos deuses (santos, sei lá) do metal.

Como um bom álbum solo, "Scheepers" tem várias experimentações. algumas músicas mais rápidas e com mais cara de Primal Fear como a "Play With Fire", até baladas um pouco folk como em "Compassion". Isso sem contar o bom humor em letras como a de "Cyberfreak".



Quem gosta de um bom heavy metal bem cantado e com ótimos riffs não pode deixar de ouvir Shceepers!




sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Raio X: Rainbow in the Dark - Perguntas Dificeis de Responder



Quando há um raio, sempre fico deprimido.
Por que ele é livre e vejo que sou eu
que estou perdido e jamais encontrado.

Eu clamo por magia, eu a sinto dançando na luz
Mas ela estava fria, eu perdi meu controle
Para as sombras na noite

Não há sinal de manhã chegando
Você foi deixado sozinho
Como um arco-íris no escuro

Seus demônios, eles sempre te deixam ir?
Quando você tentou, eles se esconderam bem no fundo
É alguém que você conhece?

Você é apenas um retrato, uma imagem capturada no tempo
Nós somos uma mentira, você e eu
Somos palavras sem rima

Não há sinal de manhã chegando
Você foi deixado sozinho
Como um arco-íris no escuro

Quando há um raio, sempre fico deprimido.
Por que ele é livre e eu vejo que sou eu
Que estou perdido e nunca encontrado.

Sinta a magia, sinta-a dançando no ar
Mas é o medo e você o ouvirá
Ele chamará você, cuidado

Não há sinal de manhã chegando
Não há nenhuma visão do dia
Você foi deixado sozinho
Como um arco-íris no escuro



O raio-x de hoje é talvez o mais viagem de todos. Falaremos sobre a “Rainbow in the dark“ de  Ronnie James Dio, um ícone do heavy metal que nos deixou recentemente. Muito já foi dito sobre a importância de Dio para o heavy metal e acredito que muitos sentiram que a música jamais seria a mesma. Rainbow in the Dark é um ótimo exemplo do grande legado de Dio.

O que é liberdade? Parece ser este o tema principal da música. Liberdade para alguns é poder fazer o que quiser, como quiser, quando quiser. Para outros a liberdade é ter oportunidades. O conceito liberdade é difícil de definir, como seria o mundo se não houvesse nada que limitasse as nossas vontades?

Nessa música percebemos um clamor por liberdade, como se alguém estivesse preso em seus próprios medos. O “arco-íris no escuro” é uma metáfora excelente: O que adianta um espetáculo de cores da natureza se não possamos ver? O que adianta ser uma ótima pessoa, cheia de qualidades, que o mundo não pode ver? O que adianta ter potencial se ele nunca é liberado?



Nesta música o pessimismo é constante. Talvez essa inveja da liberdade do raio seja uma necessidade de ter uma união com a natureza. A natureza é livre, a natureza é o arco-íris, a natureza é tudo o que ela pode ser. Mas nós humanos, somos um poço de potencialidades. Será que somos tudo o que poderíamos ser? Vivemos uma vida cheia de obrigações sociais, econômicas, culturais, familiares etc. quando é que podemos ser aquilo que queríamos ser? Será que, se pudéssemos nascer de novo, faríamos tudo igual? Essas são as perguntas que invadem a minha cabeça enquanto ouço esta obra prima que é “Rainbow in the Dark”.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Raio X: Twilight of the Gods - O Paradoxo do Progresso (parte 2)

(Para ler a primeira parte deste raio-x clique aqui)

Graças ao progresso técnico-científico dos últimos séculos, a humanidade chegou a um patamar incrível. Hoje produzimos alimentos suficientes para alimentar a humanidade várias vezes, temos tecnologia suficiente para produzir bens necessários com muito pouca mão-de-obra. Sobra tanta gente que a maioria das pessoas no ocidente trabalha no setor de serviços, muitas vezes em cargos puramente burocráticos. Por que então todo esse alarmismo em Twilight of the Gods?

Não podemos fazer uma relação simples entre progresso e esclarecimento. Antes do século XVIII, a humanidade nem sonhava com o nível de conhecimento que temos hoje. Nem por isso podemos dizer que somos mais inteligentes, ou ainda, melhores que eles. Assim como na maior parte da história da humanidade, o conhecimento ainda é algo exclusivo para uma minoria. A diferença essencial é que: enquanto antes a maioria das pessoas não tinha acesso a educação e as mais diversas teorias de sua época, hoje, muitos de nós, têm a acesso a boa parte do conhecimento produzido pela humanidade e, ainda assim, a maioria de nós continua alienada dos diversos processos que regem a nossa existência. Essa contradição não é fácil de explicar.

Até o século XIX, discutia-se como poderíamos ser iguais se não havia recursos para todos, a partir do momento que conquistamos a tecnologia para produzir em uma escala suficiente para dar uma vida digna a todos, a discussão esvaziou-se. Durante o século XX os ideais igualitários foram sendo minados de forma precisa tanto pela ideologia americana quanto pela ideologia soviética. A queda do socialismo soviético só intensificou esse sentimento de que não devemos nos arriscar mudando o mundo.

São muitos os fatores que engessam a nossa sociedade, um dos principais, na minha opinião, está na cabeça das pessoas. Até Freud escrever sobre psicanálise, achávamos que controlávamos nossas escolhas. Hoje sabemos que o nosso subconsciente e o nosso inconsciente têm um poder grande sobre nossas ações. Acredito que nos acostumamos tanto com o nosso próprio modo de vida que temos medo de mudança. Para termos um mundo sem desigualdades, precisaríamos abrir mão de muitas coisas.

Acho que a nossa sociedade se baseia fortemente no consumo, muitas vezes a vida de uma pessoa se apoia basicamente nele. Tudo hoje em dia é consumível, não há mais incentivo para a produção fora da esfera de massa. Mesmo quando o Helloween faz suas músicas criticando a sociedade vigente, o formato que essa música chega para os fãs e que a banda se sustenta a partir da música é voltado para o consumo. O consumo foi importantíssimo para manter o capitalismo durante todas as suas crises, é ele que justifica alguém trabalhar muitas horas por muito pouco, mesmo já tendo como garantir as necessidades. É o consumismo que faz com que as classes mais baixas também tenham algo a perder. 

É essa valorização do consumo que nos faz, tanto ricos como pobres, desdenhar do conhecimento. Não estamos preocupados com política, ciência, religião e filosofia, o que queremos saber é quando vamos ter dinheiro suficiente para comprar um carro, quanto foi o jogo do Corinthians ou quem vai ficar com quem na novela. Claro que isso varia de intensidade para cada individuo, mas poucos de nós aceitaríamos viver em um mundo onde a prioridade é o conjunto e não o nosso bem-estar.



Esse desdém por questões fundamentais do conhecimento é o que tira do progresso o seu potencial esclarecedor. Hoje a ciência tem explicações minuciosas sobre o funcionamento da natureza, mas quem se importa? Quem é que está por dentro das teorias políticas para avaliar em quem votar (ou se deve votar)? É esse vazio de interesse da maior parte da população que faz com que a tecnologia possa ser usada das formas mais perversas possíveis, só assim que alguém consegue usar como justificativa a ciência para assassinar milhões de pessoas. 

É isso que a Twilight of the Gods nos alerta, o progresso é perigoso. Se a sociedade não for capaz de julgar o que é bom para ela, se não se interessar pelo que acontece nos âmbitos de poder, se apenas aceitar as coisas como entregam pra ela, ficaremos a mercê de nossas próprias criações, dependentes dela. Talvez já estejamos.

Aliás, o Corinthians joga hoje né? Vai Timão!!

domingo, 28 de agosto de 2011

Review: Sounds of Violence - Quer liberdade de expressão? Então toma!

Há vários aspectos da vida que discutimos fervorosamente, nos sentimos impelidos a fazer as críticas mais duras possíveis àquilo que consideramos errado. Não é incomum vermos pessoas exaltadas criticando visões políticas, guerras e até mesmo alguns costumes. Mas quando o assunto é religião, nem sempre temos coragem de falar com sinceridade, temos medo de desrespeitar alguém, como se falar mal de uma religião fosse um pecado grave por si só. Mas não é assim que o Onslaught enxerga a questão no seu novo CD "Sounds of Violence"


Sounds of Violence não fala apenas de religião. Temas como a intolerância, a guerra e a liberdade permeiam o todo o álbum. Com letras diretas e críticas duras, a banda aborda o atual cenário político europeu de segregação e intolerância. Como um bom thrash metal, eles não medem palavras para falar o que eles acreditam, inclusive nos temas mais polêmicos.

Uma coisa que nem todos percebemos é que a religião é uma questão de escolha. Ninguém nasce cristão, judeu ou mulçumano. Por mais que existam rituais de passagem que incluam as pessoas dentro de um determinado conjunto de crenças, não podemos esperar que uma criança tenha condições de escolher entre as mais variadas religiões. Pensando assim, a religião passa a ser algo questionável. Se existisse uma única religião perfeita, eventualmente as outras religiões se esvaziariam dando lugar à "verdadeira fé". Como isso parece que não vai acontecer tão cedo, nada mais justo do que questionar as crenças que foram passadas pelos seus pais e, assim como na política, quanto mais liberdade de expressão, mais chance de fazermos uma escolha consciente.



Os caras do Onslaught definitivamente não gostam do cristianismo. As letras são severas e até desrespeitosas. A música “Antitheist” resume muito bem esta crítica: “Liberdade de expressão é a minha liberdade de pensamento / Você me fez rezar por um deus que eu nunca acreditaria”

Para aqueles que conseguem entender ou abstrair toda essa sinceridade, Sounds of Violence é uma obra prima de Thrash Metal. Um CD com um vocal agressivo, ótimos riffs e muito bem produzido. Para os que gostam do thrash metal dos anos 80, não podem deixar de ouvir.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Raio X: Twilight of the Gods - Cuidado com os deuses da modernidade (parte 1)



Insania 2014

Jogamos fora nossos antigos deuses
Controlando nosso dia
Criamos deuses melhores
Agora nós que controlamos

Somos aqueles com o poder
Para subjugar nosso inimigo
Nossos deuses são a perfeição
E eles estão protegendo nossas vidas
Nós ainda precisamos de mais alguns deles
Para estar protegido contra o outro lado
Enquanto nós formos mais fortes
Nada irá acontecer conosco

Um flash de fogo na noite
Apenas um pesadelo
Guerra santa no céu... Nunca

Insania 2016

Erro no depósito 103
Nós vimos o sol durante a noite
Os belos deuses que nós mesmos criamos
Agora exterminam nossas vidas

Vozes vindas de cérebros de silicone,
Estão gritando “ataque” esta noite
Nossos deuses estão agora lutando
em fúria, queimando o nosso mundo
O dia final chegou
E não há lugar para se esconder
O futuro acabou
E não há mais volta

Flash de fogo na noite
Agora é realidade
Guerra santa no céu...

O Crepúsculo dos deuses
Insania está morta e enterrada
Um novo mundo nasceu
Mas o crepúsculo logo chegará!



Hoje falarei de "Twilight of the Gods" do Helloween, mais um clássico do heavy metal. O Helloween foi uma das primeiras bandas de metal na Alemanha e é pioneiro no metal melódico. A Twilight of the Gods está no CD de estreia de Michael Kiske nos vocais da banda, uma lenda no estilo. Além de todos esses fatores, a TOTG é uma ótima música, se você gosta de músicas rápidas e melódicas, ela é um prato cheio.

Mas o que falar da letra? É genial! A TOTG foi lançada em 1987, o muro de Berlim ainda não tinha caído, era o fim da guerra fria. O sentimento de que o mundo poderia ser destruído em uma guerra nuclear ainda não tinha se dissipado por completo. Seria compreensível criticar a guerra fria em si, mas ao invés disso, Kai Hansen foi mais longe e criticou a humanidade.

A música narra eventos que ocorrem em um país fictício no futuro chamado convenientemente de “Insania”. É importante perceber que esses “deuses” citados na música são uma metáfora para o nosso modo de vida, coisas como progresso tecnológico, cultura e tradição. A ideia de que trocamos os nossos deuses antigos por deuses novos e melhores é uma forma de ironizar a prepotência da humanidade que passou a acreditar, com o avanço da ciência, que poderia finalmente controlar a natureza.

Já na segunda estrofe da música, é possível perceber os efeitos colaterais dessa mudança de perspectiva em relação à natureza e à tradição. A partir do momento em que o povo de Insania cria seus novos deuses, eles se tornam dependente deles. A percepção de que “Nós ainda precisamos de mais alguns deles para estar protegido contra o outro lado / Enquanto nós formos mais fortes, nada irá acontecer conosco” deixa isso bem claro. Outra sacada legal, é que esse “outro lado” nem aparece mais no resto da música, a ideia é mostrar a paranoia da guerra fria, onde tanto os americanos quanto os soviéticos se armavam freneticamente, até um ponto que poderiam destruir a Terra várias vezes.



Passado dois anos desde a parte inicial da narrativa, a coisa começa a desmoronar. Tudo aquilo que as pessoas de Insania acreditaram que garantiria a sua segurança, se voltou contra os próprios “insanianos” e agora não há mais nada o que fazer, esses “deuses” eram tudo que eles tinham. Pensando na metáfora, a partir do momento que a humanidade se apoia no progresso, a esperança é depositada sempre no futuro, quando esse futuro não se confirma, não temos mais nada para nos sustentar.

A ideia básica é que a racionalidade só é benéfica ao lado da emoção (sensibilidade). A racionalidade é muito útil para nos explicar como fazer as coisas, mas quando ela começa a nos dizer o que fazer, ficamos dependentes de nossas próprias criações. A partir do momento que uma sociedade é guiada por estudos puramente objetivos e governada por técnicos burocratas sem opinião, ela abdica de sua própria liberdade de escolha.

Na segunda parte (clique aqui) deste raio-X, vou explorar um pouco mais os problemas da super valorização do progresso e dar a minha opinião sobre isso tudo. Neste meio tempo, não deixe de votar na enquete do blog!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Death Match: Gamma Ray, Primal Fear e o fim do mundo!

Para alguns o fim do mundo está próximo, seja pelo juízo final ou pelas mudanças climáticas, para outros o fim do mundo é só um alarmismo oportuinista, mas para o heavy metal é um ótimo tema! O embate é entre duas músicas chamadas "Armageddon" e no post de hoje vocês leitores decidirão!

Gamma Ray - Armageddon


Primal Fear - Armageddon

De um lado temos a "Armageddon" do Gamma Ray, uma música bem trabalhada, com muitas variações. Com uma letra longa, que te leva para um universo cataclítico e te faz refletir sobre o sentido mais mítico do fim do mundo.

Do outro lado temos a "Armageddon" do Primal Fear, uma música pesada e que vai direto ao ponto, uma crítica ao fanatismo islâmico. Cheia de bons riffs e um ótimo vocal de Ralf Scheepers, essa música deixa de lado o politicamente correto e não mede as palavras.

Sensibilidade x Objetividade, Melodia x Peso, Reflexão x Crítica, qual será a sua escolha!

Vote no campo aí no lado direito da tela, vou deixar a enquete por umas duas semanas e a mais votada ganhará um ou dois posts só pra ela!