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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Profile: Heavy Metal - A Origem

Hoje vamos falar do começo do heavy metal. É sempre muito difícil definir quando algo começa e termina na arte, acaba sendo sempre uma questão de convenção no fim das contas. Ainda no fim dos anos 60 houve uma mudança forte de perspectiva no Rock and Roll. Como já visto no profile anterior, alguns atribuem o inicio do Hard Rock ao primeiro disco da banda Blue Cheer. Em uma pesquisa rápida pela internet, você verá que eles também são considerados por alguns como o começo do heavy metal, mas, para a história, o disco homônimo de estreia do Black Sabbath é considerado pela maioria como o primeiro disco do estilo.



Claro que, se comparado com o rock produzido na Inglaterra nessa época, o Black Sabbath estava inserido dentro do Hard Rock nascente, não havia uma ruptura clara ainda nessa época. Mas o que fez o Álbum se diferenciar do resto e, visto posteriormente, ser atribuído como fundador do heavy metal, foi o seu distanciamento do clima lúdico tão característico do Rock and Roll ate então. Quando ouvimos as bandas do fim dos anos 60 e do começo dos anos 70, não encontramos o clima ocultista do Black Sabbath. Foi com Ozzy Osbourne (Vocal), Tommy Iommi (Guitarra), Geezer Butler (Baixo) e Bill Ward (Bateria) que o Rock começou a assumir de vez esse lado “preto” em oposição a toda psicodelia vigente. A idéia dos caras era fazer um som de terror, inspirados nos filmes e na literatura do estilo.

Com o passar dos anos 70, o Black Sabbath continuou sua forte caminhada para se tornar uma das mais importantes bandas de Rock da história. O segundo disco da banda foi o “Paranoid” que foi um grande sucesso de público e crítica. “Sabbath Bloody Sabbath” e “Sabotage” também marcaram a história dos anos 70 na música pesada. Apesar de grandes músicas compostas e diversos prêmios, a banda viveu tempos de altos e baixos devido, principalmente, ao abuso de drogas. No fim dos anos 70, a banda decidiu despedir Ozzy por pressão de gravadora e por sua falta de comprometimento. Em seu lugar foi contratado Ronnie James Dio que influenciou muito na sonoridade da banda graças a sua visão peculiar de composição e sua capacidade de criar linhas de vocal mais complexas. Foi nesse contexto que a banda lançou Heaven and Hell, um dos CDs mais bem sucedidos da carreira da banda. A história do Black Sabbath vai longe e recentemente foi anunciada a reunião dos integrantes originais para o lançamento de mais um CD, a torcida fica para que o legado continue! Músicas que eu gosto muito dos caras são a "Iron Man" e a "Heaven and Hell"



Apesar de a banda considerada como fundadora do heavy metal ser o Black Sabbath, foi o Judas Priest a primeira banda a definir o que separava realmente o heavy metal do hard rock dos anos 70. A grande importância do Judas Priest foi a superação da sonoridade mais puxada para o blues que o rock pesado tinha até então. Eles conseguiram reunir as inovações de bandas como Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep purple e unir com elementos próprios como o vocal mais agressivo de Rob Halford e a utilização de duas guitarras. Mesmo muito do heavy metal já estar no Black Sabbath, Judas é a primeira banda que é definitivamente heavy metal. Apesar de toda essa inovação, o sucesso maior da banda viria nos anos 80 devido ao New Wave of British Heavy Metal, que deixou o estilo mais em evidência. Judas Priest é uma banda que sempre soube se reinventar e tem diversos álbuns ótimos por toda a sua carreira. Minhas recomendações são "All Guns Blazing" e "Death Row".



Enquanto Judas Priest Foi importante para distinguir o heavy metal do hard rock dos anos 70, no final desta década, o Motörhead trouxe novos paradigmas que guiariam o estilo nos anos 80. Com forte influência do Punk, A banda fazia um som que alguns chegam a definir como o início do thrash metal e do speed metal. Além disso, a sonoridade Punk da banda acabaria influenciando bandas do NWOBH que beberam muito nessa fonte. "Ace of Spades" e "Iron Fist" são músicas que tem que estar no repertório de qualquer fã de metal!

Os anos 70 não foram tão generosos para as bandas de heavy metal quanto foram os anos 80. Mas foi nessa época que o estilo nasceu, mesmo sendo sustentado por apenas alguns grupos isolados. Vai ser na década seguinte que o heavy metal vai ter o grande boom criativo. Várias outras bandas de hard rock tinham suas músicas que se confundiam com o heavy metal nessa época, o que deixava o estilo um pouco na aba do hard rock, uma ovelha negra. Mesmo assim muita coisa boa foi produzida e é sempre bom voltar às origens.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Raio X: Electric Eye - não há nada que você possa fazer, ele está de olho


Aqui de cima no espaço
Eu estou olhando pra vocês
Os meus lasers traçam
Tudo o que vocês fazem

Vocês pensam que têm vida privada, não imaginam nada do tipo
Não há escapatória definitiva, eu estou observando todo o tempo

Eu sou feito de metal
Meus circuitos brilham
Eu sou perpétuo
Eu mantenho a pátria limpa

Eu fui eleito espião elétrico
Eu estou protegido, olho elétrico

Sempre em foco
Você não pode sentir o meu olhar
Eu dou um zoom em você
Você não sabe que eu estou lá

Eu tenho orgulho de sondar os seus movimentos secretos.
Minha retina sem lágrimas tiram fotos que podem provar.

Eu sou feito de metal
Meus circuitos brilham
Eu sou perpétuo
Eu mantenho a pátria limpa

Eu fui eleito espião elétrico
Eu estou protegido, olho elétrico

Olho elétrico, no céu, sinta o olhar, sempre lá

Não há nada que você possa fazer.
Desenvolvidos e expostos
Eu me sustento encima de todos os seus pensamentos
E então o meu poder aumenta.


No raio-x de hoje, vamos continuar no clima dos shows internacionais e falar de "Electric Eye" do Judas Priest! A importância do Judas para o metal é enorme, foi a primeira banda a não se ter dúvida se era heavy metal ou hard rock. Com mais de 35 anos de estrada, viram muitas bandas começar e acabar, mas o Judas Priest ainda tem muita lenha para queimar.

A Electric Eye segue uma linha bem característica do Judas Priest. Eles apresentam um monstro ou uma ameaça, algo para causar incômodo, para justificar a sonoridade pesada e agressiva de suas músicas. Mas a Electric Eye não é pura ficção, é também uma boa metáfora.

A música fala de um ser, que pode muito bem ser encarado como um monstro, uma máquina, ou um pouco dos dois. Ele foi criado para observar tudo o que fazemos detalhadamente. Aparentemente, isso é a única coisa que ele faz, o que não seria um grande problema se ele não contasse pra ninguém, mas, pelo menos, quem o criou deve ter acesso a essas informações.

Desde pequeno, de vez em quando, eu tenho a impressão de que alguém pode ver tudo o que estou fazendo e em que eu estou pensando. Essa impressão não se manifesta com freqüência, normalmente acontece em períodos de tédio, mais como algo para me distrair e viajar nas possibilidades, do que uma esquizofrenia (espero). A origem disso talvez seja que, na minha infância, essa pessoa que via tudo o que eu fazia e ouvia todos os meus pensamentos era Deus. Eu nunca tive nenhuma sensação de que alguém estivesse realmente me observando, mas é mais ou menos assim que as pessoas entendem um Deus pessoal, aquele que ouve todas as preces e julga todas as ações.

Parando para pensar, é um pouco assustador imaginar que alguém possa estar nos monitorando realmente. Pensando sociologicamente, a própria sociedade acaba cumprindo este papel. Não somos os mesmos em casa que na rua. Em casa nos preocupamos menos com as regras sociais banais, ficamos mais “à vontade”. O engraçado é que o julgamento das pessoas com as quais vivemos juntos afeta muito mais na nossa vida do que o julgamento das pessoas que passam pela gente quando vamos na padaria comprar pão, por exemplo. Dificilmente veremos aquelas pessoas de novo, mas não queremos que elas nos julguem mal, não queremos passar vergonha.

Agora imagine que uma pessoa, ou varias, pode ver tudo o que você faz, sempre. Esse é o medo invocado em Electric Eye. Este olho elétrico espião de metal com circuitos brilhantes não se contenta só em te observar, ele quer te expor, provar para quem quiser ver o que você fez. Ele sente prazer em te desmascarar, sente orgulho disso, ele quer manter a pátria limpa e ele faz isso tirando qualquer possibilidade de vida privada, de descanso mental, é uma tensão constante. É assustador.

Tudo isso me lembra muito o efeito causado quando eu li 1984 de George Orwell. Imagine ter uma câmera em todos os cômodos da sua casa e ao menor sinal de insatisfação você corre o risco de ser torturado e morto sem o menor critério. Eu, sinceramente, consideraria o suicídio uma boa opção (mas eu teria que planejar isso sem mudar minha expressão facial, se não seria preso antes por cometer um pensamento-crime).

Mesmo todos concordando que qualquer controle como esse descrito em Electric Eye é prejudicial, a sociedade cada vez mais vem seguindo o caminho do controle dos indivíduos. Nas grandes cidades é quase impossível sair de casa e não ser filmado várias vezes por câmeras de segurança. Muitas vezes se discute mais como ocupar o tempo livre do jovem para que ele não caia nas drogas, ou na criminalidade, do que como melhorar sua educação ou qualidade de vida. Temos satélites monitorando boa parte da superfície terrestre do planeta. Tudo isso acontece devido a uma mistura de medo e ganância.

Mesmo esse sentimento de insegurança, que justifica controlar a privacidade ou o tempo livre das pessoas, pode ser resultado da ganância de pessoas muito espertas. Ninguém acha estranho ter um programa que dura a tarde toda falando de violência urbana? Meu prédio, em quase 30 anos, nunca foi assaltado, mas agora tem suas câmeras na entrada, mesmo tendo um vigia durante toda a noite. A faculdade que eu cursei tinha várias câmeras para dentro do campus e nenhuma na entrada!

Esse clima de insegurança não só faz com que as pessoas gastem com sistema de alarmes caríssimos e de vigilância excessiva, mas também justifica medidas questionáveis de governos. Eu já ouvi gente dizer que gostava da ditadura por que tinha mais segurança. É o medo do terrorismo internacional que legitima os EUA invadir um país soberano que nunca o atacou. É melhor ficarmos espertos antes que abdiquemos da nossa liberdade em prol de uma proteção desproporcional.



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Show, o grande espetáculo da Música!



Estamos em um período movimentado para quem gosta de um bom heavy metal, nesse começo de setembro teremos shows por todo o Brasil da turnê do Judas Priest com o Whitesnake e da turnê do Blind Guardian. Ultimamente temos tidos bons shows aqui pelo Brasil. Só para citar as bandas que vi este ano: Helloween, Stratovarius, Primal Fear, Symphony X e Black Label Society. E ainda tiveram várias outras bandas importantes do cenário internacional.

Ir a shows é um grande evento. Às vezes não nos damos conta, mas são poucos os momentos de nossa vida que equivalem a ir a um show de uma banda que somos fãs. Ir a um show é muito mais do que ir a uma casa de eventos ver músicos tocando suas músicas ao vivo. Ir a um show é o momento que resume nossa ligação com a música, é o momento que nos esquecemos da rotina, é o momento que escutamos não só com os ouvidos, mas com o corpo todo.


É engraçado perceber que todos evitamos lugares cheios e quentes o máximo possível, mas pagamos valores altíssimos para tentar ficar na grade em um show com milhares de pessoas. Também é interessante ver que evitamos pegar fila sempre que possível, mas passamos um bom tempo em uma fila de show cantando, bebendo e conversando, quase como se fosse agradável passar tanto tempo em pé. 

Eu sempre me perguntei por que será que vale tanto a pena ir a um show? Só recentemente eu entendi. É só no show que eu me sinto pleno em relação ao meu principal hobby. É quase como se todo tempo que eu passo ouvindo coisas novas, comprando CDs, lendo reviews e matérias, fosse para aproveitar aquele momento. Em um show todos nos sentimos pequenos em relação ao poder da música e o que ela gera na gente. Somos esmagados, pisados, empurrados e assim nos sentimos iguais a toda aquela multidão que se reuniu ali para celebrar a festa da música.

Reparem como a empolgação das pessoas na pista durante um show parece com a empolgação de fanáticos em um culto religioso. Em um show  perdemos por um momento a nossa individualidade e nos misturamos àquela horda de pessoas gritando e cantando. As músicas que ouvimos em um show soam diferentes, parecem sempre melhor do que lembrávamos. Queremos cantar todas as músicas, ficar o mais perto possível, transformar aquelas 2 horas em lembrança para a vida toda.



É por tudo isso que devemos aproveitar ao máximo esses momentos. Não sabemos até quando essa bolha de eventos internacionais vai continuar. Bandas que antes fechavam grandes festivais pelo mundo, agora tocam em pequenas casas de show na Europa. A recessão econômica e a péssima adaptação da indústria fonográfica aos novos meios de comunicação estão ameaçando a viabilidade de viver de heavy metal. Temos sorte de bandas viajarem milhares de quilômetros para tocar para apenas mil pessoas em casas médias aqui no Brasil. Não sei até quando esse modelo de negócio que deixa os ingressos tão caros vão atrair público.

Então aproveitem bem, um bom show (ou shows) para todos vocês!